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Telemedicina aproxima especialistas de pacientes e reduz distâncias em Mato Grosso do Sul

Foto: Divulgação

Redação Plenax – Flavia Andrde

A tecnologia tem encurtado distâncias no acesso à saúde especializada em Mato Grosso do Sul. Em casos que antes exigiam viagens para outros municípios, pacientes passaram a ser atendidos remotamente com o suporte das equipes das unidades de saúde onde já realizam acompanhamento.

Um dos exemplos envolve uma paciente acamada que precisava de avaliação especializada. Em vez de enfrentar uma viagem com veículo adaptado, familiares e profissionais de saúde, ela recebeu o atendimento em casa, durante uma visita da equipe da unidade básica de saúde.

Do outro lado da tela estava o nefrologista Rodrigo Grilo, que atua com telemedicina desde 2022. O atendimento permitiu que o especialista avaliasse o caso à distância enquanto a equipe local permanecia ao lado da paciente, garantindo o suporte presencial necessário.

A experiência ilustra uma das principais aplicações da saúde digital em um Estado marcado pelas grandes distâncias entre os municípios e pela concentração de especialistas nos maiores centros urbanos.

Menos viagens e mais acesso

Para moradores de cidades pequenas, uma consulta especializada pode significar horas de deslocamento, dependência de transporte sanitário e reorganização da rotina familiar. Para idosos, pessoas com mobilidade reduzida ou pacientes que precisam de equipamentos e cuidados durante a viagem, as dificuldades podem ser ainda maiores.

Com a telemedicina, o especialista pode participar do atendimento sem que o paciente precise necessariamente deixar o município onde mora.

A estratégia também aproxima o médico especializado das equipes que acompanham o paciente no dia a dia. Em vez de interromper o cuidado local, a consulta remota permite que os profissionais da atenção básica participem da avaliação e deem continuidade ao acompanhamento posteriormente.

Segundo o governador Eduardo Riedel, a ferramenta ajuda a reduzir as barreiras impostas pela distância e os custos relacionados aos deslocamentos.

Atendimento especializado chega a mais municípios

A expansão da saúde digital em Mato Grosso do Sul avançou nos últimos anos e, segundo as informações apresentadas pela gestão estadual, já alcança municípios do interior.

A iniciativa busca ampliar o acesso a áreas médicas cuja oferta presencial é mais limitada, como neuropediatria, infectologia pediátrica e nefrologia.

Na pediatria, o médico Hilário Bruno Mancini destaca a redução do desgaste enfrentado por famílias que anteriormente precisavam percorrer longas distâncias em busca de determinados especialistas.

A estratégia também contribuiu para acelerar o atendimento de crianças que aguardavam consultas, inclusive na área de neuropediatria.

Para famílias de crianças com autismo, a redução dos deslocamentos pode representar uma mudança importante na rotina. Além do custo e do tempo de viagem, a saída de um ambiente conhecido pode ser especialmente desgastante para a criança e seus responsáveis.

Telessaúde vai além das consultas

A estrutura de saúde digital também reúne outros serviços. Entre eles estão teledermatologia, exames de tele-retina, eletrocardiogramas remotos e capacitações on-line para profissionais de saúde.

Com esses recursos, exames e imagens podem ser realizados no próprio município e encaminhados para avaliação de especialistas que estão em outras localidades.

Um eletrocardiograma, por exemplo, pode ser feito pela equipe local e analisado remotamente. Na tele-retina, imagens dos olhos são encaminhadas para avaliação especializada. Já a teledermatologia utiliza registros das alterações da pele para auxiliar na análise dos casos.

As capacitações on-line também permitem que profissionais que atuam no interior tenham contato com especialistas e ampliem sua capacidade de atendimento.

Assim, a tecnologia passa a conectar diferentes pontos da rede pública, aproximando a atenção básica dos serviços especializados e facilitando a troca de informações entre as equipes.

Tecnologia como parte permanente da saúde pública

Impulsionada durante a pandemia, a telemedicina deixou de ser utilizada apenas como alternativa emergencial e passou a integrar de forma permanente a estrutura de atendimento em regiões com menor oferta presencial de especialistas.

Em Mato Grosso do Sul, a ferramenta ganha importância diante da extensão territorial do Estado. A possibilidade de realizar consultas e avaliações remotamente reduz a dependência de deslocamentos para os grandes centros.

Na prática, o impacto aparece em diferentes situações: na paciente acamada que recebe atendimento sem sair de casa, nas crianças que conseguem chegar mais rapidamente a especialistas e nas famílias que deixam de enfrentar longas viagens para uma consulta.

A expansão da telemedicina não reduz as distâncias geográficas do Estado, mas diminui o impacto delas sobre o acesso à saúde.

Para quem depende do SUS e vive longe dos grandes centros, a presença de um especialista do outro lado da tela pode representar a diferença entre precisar viajar para receber orientação médica e conseguir atendimento dentro do próprio município.

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