Redação Plenax – Flavia Andrade
Rede estadual passa por reformas, amplia ensino em tempo integral e fortalece formação profissional, enquanto governo aponta novos desafios para a educação
As mudanças na rede estadual de ensino de Mato Grosso do Sul vão além da reforma dos prédios escolares. A ampliação do ensino em tempo integral, o crescimento da educação profissional, a formação de professores, os investimentos em alimentação escolar e a aproximação com os municípios fazem parte de uma estratégia que, segundo o governo estadual, busca melhorar as condições de aprendizagem e preparar os estudantes para as oportunidades que surgem no Estado.
Para o governador Eduardo Riedel (Progressistas), a transformação também pode ser percebida na maneira como professores e servidores passaram a enxergar as escolas reformadas.
“Quando visitamos uma escola reformada e vemos professores e servidores falando dela com orgulho, percebemos que estamos construindo algo forte. Não é mais aquela estrutura deteriorada, com todo mundo de cabeça baixa. Ainda temos desafios, mas muita coisa já foi realizada”, afirmou.
Riedel considera a educação uma das prioridades de sua gestão e destaca que os resultados dependem de um processo de longo prazo. Em reunião com profissionais da área, o governador afirmou que mudanças estruturais na educação não podem ser avaliadas apenas em um ou dois anos.
Mais tempo na escola e formação profissional
Uma das principais frentes da rede estadual é a expansão do ensino em tempo integral. De acordo com o secretário estadual de Educação, Hélio Daher, mais de 60% das escolas estaduais já funcionam nesse modelo.
A ampliação da jornada aumenta o período em que crianças e adolescentes permanecem nas unidades e também amplia a responsabilidade da rede pública sobre alimentação, estrutura e condições necessárias para a permanência dos estudantes.
Outra frente é a educação profissional. Mais da metade dos alunos do ensino médio da rede estadual tem acesso a alguma modalidade de formação profissional.
A proposta é aproximar a formação escolar das oportunidades existentes no mercado de trabalho e das necessidades de um Estado que passa por expansão econômica.
Para Daher, a escola precisa preparar o estudante tanto para as necessidades do presente quanto para as oportunidades que encontrará depois de concluir os estudos.
Segundo os dados apresentados, Mato Grosso do Sul também vem registrando marcas históricas de proficiência e aprovação, além de redução do abandono escolar. Os resultados são atribuídos a um conjunto de ações envolvendo infraestrutura, formação dos profissionais, acompanhamento da gestão escolar e ampliação das modalidades de ensino.
Uma escola reformada vai além da estrutura física
Na rede estadual, uma unidade escolar é reformada, em média, a cada seis dias. As intervenções incluem melhorias nos prédios e a instalação de equipamentos como lousas, aparelhos de ar-condicionado, televisores e recursos para laboratórios.
Para Adalberto Nascimento, coordenador de Gestão Escolar, a melhoria da infraestrutura tem impacto direto no cotidiano de professores, servidores e estudantes.
“Quando você tem uma infraestrutura melhor, oferece melhores condições de trabalho, de atendimento e de ensino. Tivemos uma melhora significativa nos indicadores escolares justamente por causa da valorização da estrutura física, da formação dos professores e do trabalho com diretores e coordenadores”, afirmou.
A reforma, portanto, é apresentada como parte de uma estratégia mais ampla, que envolve também formação, gestão e acompanhamento pedagógico.
O próprio governador reconhece que os avanços não significam que os problemas estejam solucionados.
Estado amplia integração com municípios
Outra mudança destacada pela gestão estadual está na relação entre a Secretaria de Estado de Educação e as redes municipais.
As Coordenadorias Regionais de Educação foram fortalecidas para acompanhar as redes, oferecer formação aos profissionais e apoiar diretores e secretários municipais.
A coordenadora regional de Educação Carolina Pereira Cavalcante de Castro afirma que a aproximação considera as particularidades de cada região de Mato Grosso do Sul.
Entre as iniciativas desenvolvidas estão o MS Alfabetiza e o ICMS Educação, além de ações vinculadas ao MS Ativo. A proposta é direcionar investimentos de acordo com as necessidades de cada município.
Segundo Carolina, o fortalecimento da educação tem reflexos que ultrapassam os limites da sala de aula e alcançam a formação dos jovens e a própria sociedade.
Ensino integral aumenta importância da alimentação escolar
A ampliação do tempo de permanência dos estudantes nas escolas também trouxe novas demandas para a alimentação escolar.
Muitos alunos que permanecem em período integral passaram a fazer até três refeições por dia dentro das unidades. Entre os cerca de 20 mil estudantes que utilizam o transporte escolar rural, há ainda uma refeição adicional na chegada à escola, independentemente do turno ou nível de ensino.
Os recursos destinados à alimentação são repassados às próprias unidades, que participam do planejamento dos cardápios e das compras com envolvimento da comunidade escolar.
A política também prioriza a agricultura familiar. Embora o percentual mínimo destinado à compra desses produtos seja de 45%, no ano passado 64% dos recursos foram utilizados na aquisição de alimentos da agricultura familiar.
Além de garantir alimentos para os estudantes, a descentralização busca movimentar a economia das próprias regiões e valorizar produtores locais.
Educação ainda enfrenta novos desafios
Apesar dos avanços apresentados, a gestão estadual reconhece que a melhoria da educação é um processo contínuo.
Riedel afirma que os resultados são fruto do trabalho conjunto de secretários, diretores, coordenadores, professores, servidores e comunidades escolares.
A manutenção das políticas também está relacionada, segundo o governador, ao equilíbrio fiscal do Estado, considerado uma condição para garantir investimentos em áreas como educação, saúde e segurança.
Além dos desafios tradicionais, como manutenção das escolas, formação dos profissionais, redução do abandono e melhoria da aprendizagem, a rede precisa acompanhar as transformações provocadas pela digitalização, pelas novas formas de comunicação e pelo avanço da inteligência artificial.
“A educação tem o desafio gigantesco de acompanhar as mudanças da sociedade, das famílias, da comunicação e das ferramentas digitais. Nossa obrigação é lapidar tudo isso e formar cidadãos. Esse é o grande desafio”, concluiu Riedel.
A transformação da rede estadual, portanto, reúne mudanças que vão da estrutura física das escolas à formação oferecida aos estudantes. Reformas, ensino integral, educação profissional, alimentação, formação de professores e integração com os municípios compõem uma estratégia que busca melhorar os resultados atuais e preparar a rede para demandas futuras.
Como resume a própria gestão, cada etapa concluída abre novos desafios — e o principal deles permanece sendo fazer com que as mudanças se traduzam em melhores oportunidades e resultados para os estudantes de Mato Grosso do Sul.

