Redação Plenax – Flavia Andrade
Hospitais públicos e privados deverão adotar protocolos para identificar o risco de tromboembolismo venoso e implementar medidas preventivas durante a internação
A prevenção da trombose ganhou um novo reforço no Brasil com a entrada em vigor de uma legislação que torna obrigatória a adoção de protocolos para identificar pacientes com maior risco de desenvolver tromboembolismo venoso (TEV) durante a internação. A medida vale para hospitais públicos e privados e busca reduzir complicações e mortes relacionadas à doença, considerada uma das principais causas evitáveis no ambiente hospitalar.
O tromboembolismo venoso engloba dois quadros clínicos: a trombose venosa profunda (TVP), caracterizada pela formação de coágulos principalmente nas pernas, e a embolia pulmonar (EP), que ocorre quando esses coágulos se deslocam até os pulmões.
Segundo o cirurgião vascular e integrante da Comissão de Tromboembolismo Venoso da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular – Regional São Paulo (SBACV-SP), Dr. Adilson Ferraz Paschoa, a nova legislação fortalece uma prática já recomendada pelas principais diretrizes médicas.
“O tromboembolismo venoso é atualmente a terceira principal causa de morte cardiovascular no mundo. A adoção de estratégias preventivas tem potencial para salvar vidas e reduzir significativamente as complicações da doença”, afirma o especialista.
Avaliação de risco passa a ser obrigatória
Com a nova norma, todos os pacientes internados deverão ser avaliados quanto ao risco de desenvolver tromboembolismo venoso. A partir dessa análise, cada hospital deverá adotar as medidas preventivas mais adequadas ao perfil clínico de cada paciente.
Entre as estratégias previstas estão:
mobilização precoce do paciente;
incentivo à hidratação;
fisioterapia durante a internação;
utilização de meias de compressão;
dispositivos de compressão pneumática;
uso de medicamentos anticoagulantes, quando houver indicação médica.
Embora muitos hospitais já utilizem protocolos semelhantes, a legislação busca padronizar esse cuidado em todas as instituições de saúde do país.
Internação aumenta o risco de trombose
De acordo com a SBACV-SP, o tromboembolismo venoso está diretamente relacionado à redução da mobilidade, inflamações e alterações que favorecem a formação de coágulos sanguíneos.
Apesar de a trombose ser frequentemente associada a viagens longas, o especialista ressalta que o risco é significativamente maior durante a internação hospitalar.
Segundo ele, a permanência prolongada no leito reduz a ação da musculatura das pernas, diminuindo o retorno do sangue ao coração e favorecendo a formação de trombos.
Trabalho em equipe é essencial
A entidade médica destaca que a efetividade da nova legislação depende da atuação integrada de diferentes profissionais da saúde.
Médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, farmacêuticos, nutricionistas e gestores hospitalares deverão atuar de forma coordenada para garantir que os protocolos sejam aplicados corretamente, acompanhados e atualizados sempre que necessário.
Além da avaliação inicial, a educação continuada das equipes e o monitoramento dos resultados são apontados como fatores fundamentais para reduzir a incidência da doença.
Atenção continua após a alta hospitalar
O risco de tromboembolismo venoso não desaparece com o fim da internação.
Segundo o Dr. Adilson Paschoa, a probabilidade de desenvolver a doença permanece elevada por até três meses após a alta, principalmente nas primeiras semanas.
Por isso, pacientes e familiares devem ficar atentos aos sinais de alerta.
Na trombose venosa profunda, os sintomas mais comuns são dor, inchaço e aumento da sensibilidade nas pernas, especialmente na região da panturrilha.
Já a embolia pulmonar pode provocar falta de ar, dor no peito e dificuldade para respirar, situações que exigem atendimento médico imediato.
Participação do paciente também ajuda na prevenção
Além das medidas adotadas pelas equipes de saúde, especialistas ressaltam que pacientes e familiares também desempenham papel importante na prevenção da trombose.
Manter-se hidratado, movimentar-se sempre que possível, seguir as orientações da fisioterapia e esclarecer dúvidas com a equipe médica são atitudes que contribuem para reduzir o risco de complicações.
Para a Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular – Regional São Paulo, a adoção obrigatória desses protocolos representa um avanço importante para a segurança dos pacientes, podendo reduzir a incidência da doença, evitar sequelas, diminuir internações prolongadas e reduzir custos para o sistema de saúde. Mesmo uma pequena redução nos casos, segundo a entidade, pode representar milhares de diagnósticos evitados em todo o país.

