Redação Plenax – Flavia Andrade
Levantamento reúne 228 indicadores e coloca Estado entre os destaques nacionais em mercado de trabalho, pobreza, assistência social e habitação
Mato Grosso do Sul aparece entre os estados com melhores resultados em diferentes indicadores de emprego, renda, pobreza, assistência social e habitação, segundo levantamento divulgado pelo Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (IMDS). O painel reúne 228 indicadores, distribuídos em 12 áreas, e permite comparar as 27 unidades da Federação.
O levantamento não estabelece um ranking geral dos estados. Cada indicador é analisado individualmente, considerando o dado mais recente disponível. No mercado de trabalho, Mato Grosso do Sul aparece entre os dez primeiros colocados nos 14 indicadores classificados pelo estudo. Em nove deles, está entre os cinco primeiros e, em seis, entre os três primeiros.
Em 2025, 75,95% das pessoas de 18 a 64 anos consideradas pelo indicador estavam ocupadas e tinham rendimento do trabalho. O percentual colocou Mato Grosso do Sul na terceira posição nacional. Entre os jovens de 18 a 29 anos que integravam a força de trabalho, 95,72% estavam ocupados, também terceiro resultado entre os estados.
A taxa de desocupação entre pessoas de 18 a 64 anos era de 2,28%, quarta menor do país no indicador. Entre os jovens de 18 a 29 anos, o percentual era de 3,45%, colocando MS novamente na terceira posição.
Jovens e informalidade
Outro indicador destacado pelo levantamento é o de jovens que não estudam nem trabalham. Em 2025, 14,43% dos sul-mato-grossenses entre 18 e 24 anos estavam nessa condição, segundo a metodologia utilizada pelo IMDS. O resultado colocou o Estado na segunda posição nacional.
A informalidade atingia 32,15% dos trabalhadores de Mato Grosso do Sul, sexta posição na comparação entre os estados. Entre os trabalhadores de 18 a 29 anos, a taxa era de 29,28%, quarto menor percentual.
Os números do IMDS são acompanhados por dados do mercado formal. Segundo informações do Novo Caged compiladas pela Fundação do Trabalho de Mato Grosso do Sul, o Estado acumulava 14.527 novos empregos formais entre janeiro e abril de 2026. Em abril, o estoque de trabalhadores com carteira assinada chegou a 679,4 mil.
Pobreza atinge 3,9% da população
Na área de distribuição de renda e pobreza, Mato Grosso do Sul também aparece entre os primeiros colocados. Dos 19 indicadores classificados pelo IMDS nesse grupo, o Estado está entre os três primeiros em dez, entre os cinco primeiros em 12 e entre os dez primeiros em 16.
Em 2025, aproximadamente 46,6 mil pessoas estavam em situação de extrema pobreza no Estado, equivalente a 1,64% da população. O percentual colocou MS na terceira posição nacional.
Considerando uma linha de renda mais ampla, cerca de 111,3 mil pessoas, ou 3,9% da população, estavam em situação de pobreza. Novamente, o Estado aparece na terceira posição.
Entre crianças e adolescentes de até 17 anos, 6,58% estavam abaixo da linha de pobreza, terceiro resultado nacional. Na extrema pobreza, o percentual era de 2,12%, quarta posição entre os estados.
Dados administrativos do Governo de Mato Grosso do Sul apontam ainda que 27,6 mil beneficiários deixaram o Mais Social desde 2023 após aumento da renda familiar. O número, por ser produzido pela própria administração estadual, representa o acompanhamento administrativo do programa e não constitui, isoladamente, uma avaliação independente de impacto.
Renda do trabalho
O trabalho também representa a principal fonte da renda domiciliar analisada pelo levantamento. Em 2025, 76,32% da renda domiciliar considerada pelo IMDS em Mato Grosso do Sul vinha do trabalho, terceiro resultado nacional.
O Índice de Gini, utilizado para medir a desigualdade de renda, ficou em 0,457 no Estado. Quanto mais próximo de zero, menor a desigualdade. Nesse indicador, MS aparece na terceira posição nacional.
Já o Índice de Palma, que compara a renda dos 10% mais ricos com a parcela recebida pelos 40% mais pobres, ficou em 2,49, colocando o Estado na quinta posição.
Assistência social
Na assistência social, quatro dos sete indicadores classificados pelo IMDS colocam Mato Grosso do Sul entre os três primeiros estados.
Um dos principais resultados está no acompanhamento realizado pelo Serviço de Proteção e Atendimento Especializado a Famílias e Indivíduos (PAEFI). Em 2025, a média anual de acompanhamentos correspondia a 16,75% do número estimado de famílias em situação de pobreza, primeiro resultado nacional no indicador.
No PAIF, voltado à proteção social básica e executado principalmente pelos Centros de Referência de Assistência Social (Cras), a relação era de 27,58%, terceira posição.
O Estado também aparece na segunda posição em dois indicadores relacionados ao desalento entre beneficiários do Bolsa Família, segundo a metodologia utilizada pelo levantamento.
Programas estaduais também integram a política de proteção social. Entre eles está o Criança na Creche, destinado a mulheres chefes de famílias monoparentais que trabalham ou estudam e não têm onde deixar os filhos pequenos. O benefício previsto é de R$ 600 mensais por criança de até 3 anos e 11 meses, com possibilidade de adicional de R$ 300 para beneficiárias que frequentam o ensino regular ou a Educação de Jovens e Adultos.
Habitação também aparece entre os destaques
Na área de habitação, três dos quatro indicadores classificados colocam Mato Grosso do Sul entre os dez primeiros estados.
Em 2025, 99,81% da população vivia em domicílios com serviços de água potável classificados pelo levantamento como gerenciados de forma segura. O resultado colocou MS na segunda posição nacional.
O Estado também registrou o menor percentual de pessoas vivendo em residências sem banheiro de uso exclusivo: 0,06% da população.
Em relação ao acesso à internet, 4,52% dos moradores viviam em domicílios sem conexão, sexto resultado nacional. Já o adensamento excessivo das moradias atingia 4,21% da população, colocando o Estado na 13ª posição.
Dados de mobilidade são anteriores à atual gestão
O painel do IMDS também reúne indicadores de mobilidade social, mas os dados mais recentes dessa área são de 2019. Por isso, eles não podem ser atribuídos diretamente à atual gestão estadual.
Naquele recorte, uma criança nascida em uma família abaixo da mediana nacional de renda tinha 2,92% de probabilidade de chegar aos 10% mais ricos na vida adulta, segundo a metodologia do estudo. O resultado colocou Mato Grosso do Sul na segunda posição nacional.
Entre crianças nascidas nos 25% mais pobres, a possibilidade de alcançar os 10% de maior renda era de 2,15%, terceiro resultado nacional. A chance de chegar aos 25% mais ricos era de 15,15%, quinto resultado entre os estados.
O que os números mostram
Os dados do IMDS mostram desempenhos diferentes conforme o indicador e a área analisada. Os principais resultados positivos concentram-se em mercado de trabalho, distribuição de renda e pobreza, assistência social e alguns indicadores de habitação.
Ao mesmo tempo, o painel não apresenta um ranking geral das unidades da Federação e os indicadores têm anos de referência diferentes. Por isso, os resultados precisam ser analisados individualmente e dentro do período correspondente a cada dado.
O governador Eduardo Riedel atribuiu os resultados às políticas adotadas durante sua gestão e afirmou que o desafio é combinar crescimento econômico, geração de empregos e redução da vulnerabilidade social.
“Esse é o caminho que buscamos desde o início: um Estado que cresce, que atrai investimentos e gera empregos, mas que não deixa ninguém para trás”, afirmou Riedel.

