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IA e agricultura de precisão mudam perfil das profissões no campo

Foto: Divulgação

Redação Plenax – Flavia Andrade

Digitalização do agronegócio amplia demanda por profissionais que combinam conhecimento técnico, tecnologia e análise de dados

A expansão da inteligência artificial (IA), da agricultura de precisão e das máquinas conectadas está mudando o perfil dos profissionais que trabalham no campo. Operadores, mecânicos, técnicos e engenheiros passam a lidar com sensores, softwares, telemetria, automação e grandes volumes de dados, além das atividades tradicionais do setor.

A transformação ocorre em um momento de expansão do mercado de trabalho no agronegócio. Levantamento da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) aponta que o setor empregou 28,4 milhões de pessoas em 2025, o equivalente a 26,3% dos empregos do país.

Na comparação com 2024, foram mais de 600 mil novos postos de trabalho no agronegócio. O número de profissionais com ensino superior cresceu 8,3%, enquanto entre os trabalhadores com ensino médio o avanço foi de 4,2%.

Máquinas passam a gerar e interpretar dados

A evolução dos equipamentos agrícolas ampliou a quantidade de informações disponíveis durante as operações. Sistemas de piloto automático, controle de seções, aplicação em taxa variável, telemetria e plataformas digitais permitem acompanhar indicadores como desempenho das máquinas, consumo de combustível, qualidade das operações e utilização dos equipamentos.

Com a incorporação da inteligência artificial, esses dados também podem ser analisados para gerar recomendações e auxiliar decisões relacionadas à operação e ao uso de recursos.

Para Vitor Kaminski, gerente de treinamento técnico da AGCO, fabricante da Massey Ferguson, essa mudança exige novas competências dos profissionais.

“O operador de máquinas deixou de ser apenas alguém que conduz o equipamento para se tornar um gestor das informações geradas durante a operação. Da mesma forma, o mecânico passou a trabalhar com softwares, sensores, módulos eletrônicos e sistemas conectados, além dos componentes mecânicos tradicionais”, afirma.

A manutenção dos equipamentos também passou a exigir conhecimentos que vão além da mecânica convencional. A configuração dos sistemas, interpretação de dados e identificação de falhas eletrônicas fazem parte da rotina de profissionais que trabalham com máquinas conectadas.

Novas profissões ganham espaço

A digitalização também está criando funções específicas para o ambiente rural. O estudo Profissões Emergentes na Era Digital, desenvolvido pelo SENAI em parceria com a GIZ, cita entre as novas ocupações o cientista de dados agrícolas, o engenheiro agrônomo digital e o engenheiro de automação agrícola.

Também aparecem funções como técnico em agricultura digital e técnico em agronegócio digital, voltadas à aplicação de ferramentas tecnológicas e soluções digitais na produção e na gestão das propriedades.

O novo perfil profissional combina conhecimentos de diferentes áreas. No caso da agricultura de precisão, por exemplo, o trabalhador precisa compreender tanto os processos agrícolas quanto os equipamentos, sistemas digitais e dados produzidos durante as operações.

Da máquina para a decisão

Um exemplo desse perfil é o engenheiro mecânico Marlon Ferreira, especialista em máquinas agrícolas e agricultura de precisão da Massey Ferguson. Sua atuação envolve calibração e otimização de equipamentos, análise de desempenho operacional, interpretação de dados de telemetria e treinamento de operadores e equipes técnicas.

O trabalho também inclui projetos de eficiência energética, com análise das condições de operação para reduzir o consumo de combustível e melhorar o aproveitamento dos equipamentos.

“Vejo que o futuro do agronegócio está na integração entre conhecimento técnico, tecnologia embarcada e tomada de decisão baseada em dados”, afirma Ferreira.

Formação acompanha transformação

A demanda por profissionais com esse conjunto de habilidades também tem aproximado fabricantes, instituições de ensino e entidades de capacitação.

A Massey Ferguson mantém parcerias com universidades, instituições de ensino técnico e entidades como o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR). Os programas combinam conteúdos teóricos e práticos voltados à preparação de operadores, técnicos e mecânicos para trabalhar com máquinas conectadas.

Para Kaminski, a evolução tecnológica não elimina a necessidade de profissionais no campo, mas modifica as competências exigidas.

“O futuro do agronegócio será orientado por dados. As tecnologias continuarão evoluindo, mas o fator humano seguirá sendo decisivo”, afirma.

A tendência é que a expansão da conectividade, da automação e da inteligência artificial continue aproximando as profissões do campo de áreas tradicionalmente associadas à tecnologia, como análise de dados, eletrônica, programação e automação. O resultado é um mercado de trabalho rural cada vez mais multidisciplinar, no qual operar uma máquina também significa compreender as informações produzidas por ela.

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