Redação Plenax – Flavia Andrade
Estudo da Bull mostra que trabalhadores de até 34 anos contratam, em média, valores cerca de 50% inferiores aos tomados por pessoas de 45 a 54 anos
Os trabalhadores mais jovens já representam uma parcela significativa das contratações de consignado para empregados com carteira assinada, mas utilizam o crédito de forma diferente das faixas etárias mais altas. É o que aponta um levantamento realizado pela Bull, startup brasileira de soluções de crédito, com contratos efetivados em sua carteira nos 12 meses encerrados em junho de 2026.
Segundo o estudo, 42,4% dos contratos foram firmados por trabalhadores entre 18 e 34 anos. Apesar da participação expressiva, esse grupo recorre a valores menores e assume compromissos por períodos mais curtos.
O tomador típico identificado pela análise tem 37 anos. A maior faixa etária isolada é a de trabalhadores entre 35 e 44 anos, que responde por 32,7% das operações.
Jovens contratam valores menores
A diferença mais significativa aparece no valor contratado. Entre trabalhadores de 18 a 24 anos, o ticket médio foi de R$ 1.661, aproximadamente metade dos R$ 3.303 registrados entre pessoas de 45 a 54 anos.
Na faixa de 55 anos ou mais, o valor médio contratado chega a R$ 3.452.
O comportamento também se repete quando são considerados o comprometimento da renda e o prazo de pagamento. Entre os trabalhadores mais jovens, o valor contratado representa, em geral, entre 23% e 27% de um salário mensal, com prazo típico de 12 meses.
Nas faixas acima de 45 anos, o comprometimento sobe para entre 33% e 38% da renda, enquanto os prazos mais comuns ficam entre 18 e 24 meses.
O levantamento, portanto, identifica uma relação entre idade e forma de utilização do crédito: quanto mais jovem o trabalhador, menor tende a ser o valor contratado, o comprometimento relativo da renda e o prazo da operação.
Maioria está há menos de três anos no emprego
Outro dado apresentado pela pesquisa diz respeito ao tempo de vínculo com a empresa atual. Mais da metade dos tomadores, 55,3%, está há menos de três anos no emprego, sendo que 19,8% estão na empresa há menos de um ano.
Entre trabalhadores de 18 a 24 anos, o percentual de pessoas com menos de três anos no emprego atual chega a 87%.
De acordo com a metodologia do estudo, o indicador representa o tempo no vínculo empregatício atual e serve como aproximação da fase de carreira, não do período total de atuação profissional.
Varejo concentra contratos
O comércio e o varejo aparecem na liderança entre os setores com maior número de contratos, respondendo por 22,9% das operações. Na sequência estão a indústria, com 19%, e os serviços administrativos e de terceirização, com 15,4%.
Somados, esses três segmentos concentram 57,3% da carteira analisada.
O estudo também aponta diferenças entre as gerações. Trabalhadores da Geração Z aparecem com maior participação nos segmentos de varejo e alojamento e alimentação, enquanto a Geração X tem maior presença em atividades de terceirização e transporte.
Entre as gerações analisadas, os Millennials representam a maior parcela, com 53,8% dos contratos.
Funções operacionais respondem pela maior parte da carteira
A concentração também aparece na posição ocupacional. Funções operacionais representam 56,3% dos contratos. Quando são incluídas as funções técnicas, a participação chega a 84,9%.
Entre as ocupações mais frequentes estão auxiliar de limpeza, vendedor, assistente administrativo, operador de produção e técnico de enfermagem.
O valor contratado aumenta de forma moderada conforme o nível hierárquico, passando de aproximadamente R$ 1.500 nas funções operacionais para R$ 2.350 na gestão, considerando o valor típico informado no levantamento.
Crédito é associado à reorganização financeira
A análise da Bull aponta um padrão de contratação compatível, segundo pesquisas de mercado citadas pela empresa, com o uso do consignado para reorganização financeira.
Levantamentos de mercado apontam emergências financeiras (27%) e quitação de dívidas (25%) como algumas das principais motivações para a contratação da modalidade. Esses percentuais, entretanto, não fazem parte da base de contratos analisada pela Bull.
“Os dados mostram que trabalhadores mais jovens costumam contratar valores menores e prazos mais curtos, enquanto faixas etárias mais maduras recorrem a operações de maior valor e duração. Quando observamos pesquisas de mercado sobre consignado, é comum que esse comportamento esteja associado à reorganização financeira”, afirma Juliana Freitas, CEO da Bull.
Mercado do consignado CLT
O levantamento acompanha o período de expansão do Crédito do Trabalhador, política lançada em março de 2025 para trabalhadores com carteira assinada.
Segundo dados de mercado citados no estudo, até janeiro de 2026 a modalidade havia ultrapassado R$ 101 bilhões em operações e 17 milhões de contratos, alcançando aproximadamente 8,5 milhões de trabalhadores CLT.
Em abril de 2026, entrou em vigor um teto de juros para o setor. No mês seguinte, as concessões do mercado recuaram cerca de 22,8% na comparação mensal, segundo dados do Banco Central citados pela Bull.
A queda, assim como os números de expansão da modalidade, refere-se ao mercado como um todo e não à carteira de contratos da Bull.
Como o estudo foi elaborado
A análise considera contratos de consignado CLT efetivados na carteira da Bull entre julho de 2025 e junho de 2026. A idade foi calculada na data de emissão do contrato, enquanto as gerações foram classificadas de acordo com o ano de nascimento.
O setor de atividade foi definido com base na seção CNAE do empregador e o nível ocupacional, pela classificação dos cargos declarados.
Para o ticket por faixa etária, o estudo utiliza a média. Já renda, idade, prazo, fração do salário e ticket por nível ocupacional são apresentados pela mediana, considerada pela empresa como o “valor típico”, para reduzir a influência de valores extremos.
A base não contempla informações sobre precificação, funding, inadimplência, cancelamentos, margem consignável ou identificação de empregadores e clientes.

