Redação Plenax – Flavia Andrade
Número de domicílios em situação de segurança alimentar quase dobrou entre 2022 e 2024, enquanto casos de fome caíram mais de 75% na região
A Região Centro-Oeste registrou um avanço expressivo nos indicadores de segurança alimentar nos últimos dois anos. Dados da Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (EBIA) mostram que o percentual de domicílios em situação de segurança alimentar e nutricional saltou de 40,5% em 2022 para 79,5% em 2024. No mesmo período, a insegurança alimentar grave, caracterizada pela fome, caiu de 12,9% para 2,8%.
Os números foram divulgados no contexto dos 20 anos do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan), apontado pelo Governo Federal como uma das principais ferramentas para a articulação de políticas públicas voltadas ao combate à fome e à promoção do acesso à alimentação adequada.
Segundo o levantamento, cerca de 1,7 milhão de pessoas deixaram de enfrentar a fome no Centro-Oeste entre 2022 e 2024. Além disso, aproximadamente 6,5 milhões de moradores da região superaram algum nível de insegurança alimentar e passaram a viver em condições de segurança alimentar e nutricional.
Queda em todos os níveis de insegurança alimentar
Os dados mostram melhora em todas as categorias avaliadas pela EBIA. A insegurança alimentar leve, que representa a preocupação com a falta de alimentos no futuro, caiu de 31,1% para 14,4% dos domicílios.
Já a insegurança alimentar moderada, caracterizada pela redução da qualidade ou da quantidade dos alimentos consumidos, recuou de 15,5% para 3,3%.
A redução mais significativa ocorreu na insegurança alimentar grave, quando há privação de alimentos e episódios de fome, que passou de 12,9% para 2,8%.
Expansão do Sisan fortalece políticas públicas
O Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social atribui os resultados ao fortalecimento do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, retomado e ampliado a partir de 2023.
A adesão de municípios ao sistema cresceu significativamente em todo o país. No Centro-Oeste, o número de cidades participantes passou de apenas três, em 2022, para 63 em 2026, representando um aumento de mais de 2.000%.
Segundo a secretária extraordinária de Combate à Pobreza e à Fome, Valéria Burity, o avanço é resultado da integração entre programas sociais, ações de apoio à agricultura familiar e políticas de transferência de renda.
“O sistema contribui para organizar políticas públicas, fortalecer a produção de alimentos e garantir que esses alimentos cheguem às famílias que mais precisam”, afirmou.
Estrutura regional ganha força
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que os municípios do Centro-Oeste também ampliaram a estrutura voltada à segurança alimentar.
Atualmente:
72% dos municípios desenvolvem ações de promoção da alimentação saudável;
80% oferecem benefícios eventuais para famílias em situação de vulnerabilidade;
52% participam do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA);
72% compram produtos da agricultura familiar para a merenda escolar por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).
A região conta ainda com:
42 restaurantes populares;
34 cozinhas comunitárias;
17 bancos de alimentos;
17 centrais de recebimento da agricultura familiar.
Sistema integra políticas de combate à fome
Criado para articular ações entre União, estados, municípios e sociedade civil, o Sisan reúne programas considerados estratégicos para o combate à pobreza e à insegurança alimentar.
Entre eles estão o Bolsa Família, Benefício de Prestação Continuada (BPC), Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e o Programa Cisternas.
Com a ampliação da adesão dos municípios e a integração das políticas públicas, a expectativa do governo é consolidar os avanços registrados nos últimos anos e fortalecer o acesso à alimentação adequada em todas as regiões do país.

