Redação Plenax – Flavia Andrade
Forma agressiva da doença pode provocar alterações na pele, vermelhidão e aumento de temperatura da mama; outubro é marcado pela conscientização sobre o câncer de mama
Quando se fala em câncer de mama, o surgimento de um nódulo costuma ser associado a um dos principais sinais de alerta. No entanto, existe uma forma da doença que geralmente não apresenta esse sintoma: o câncer de mama inflamatório.
De evolução rápida, esse tipo de câncer pode provocar alterações na pele de uma das mamas em poucos meses. Entre os sinais estão mudança da coloração para tons rosados, vermelhos ou arroxeados, aumento incomum da temperatura e aparência semelhante à de uma casca de laranja, conhecida como peau d’orange.
Segundo Tina Hieken, cirurgiã oncológica do Centro Oncológico Integral da Mayo Clinic, alterações na pele da mama, especialmente em mulheres que não estão amamentando, devem ser avaliadas por um profissional de saúde.
“Quando há alterações na pele da mama, especialmente em mulheres que não estão amamentando e não apresentam vermelhidão associada à amamentação, isso pode ser um sinal de alerta de câncer e deve ser avaliado por um médico profissional”, afirma a especialista.
Sintomas podem ser confundidos com outras doenças
Por apresentar características semelhantes às de uma inflamação, o câncer de mama inflamatório pode ser confundido inicialmente com condições como celulite infecciosa, mastite ou doença de Paget da mama, além de outros problemas considerados mais benignos.
A doença representa aproximadamente 1% a 5% dos diagnósticos de câncer de mama, mas responde por cerca de 10% das mortes relacionadas à doença, segundo as estatísticas citadas pela Mayo Clinic.
A evolução também ajuda a diferenciar o câncer inflamatório de outras manifestações. De acordo com Hieken, os sintomas podem aparecer em poucos meses, em contraste com situações em que uma mulher identifica um nódulo e, somente depois de um período mais prolongado, percebe alterações na pele.
No câncer de mama inflamatório, células anormais percorrem os canais linfáticos presentes na pele e no tecido mole, o que provoca as alterações características na superfície da mama.
Tratamento começa com terapia sistêmica
O tratamento do câncer de mama inflamatório começa, geralmente, com terapia sistêmica, que atua em todo o organismo. A escolha depende das características biológicas e do subtipo do tumor, incluindo a presença de receptores de estrogênio ou a superexpressão da proteína HER2.
Entre as possibilidades estão:
Quimioterapia: atua sobre células que se dividem rapidamente;
Terapia direcionada: indicada para tumores que apresentam superexpressão da proteína HER2;
Imunoterapia: pode ser utilizada em determinados casos de câncer que não expressam receptor de estrogênio nem a proteína HER2.
Posteriormente, o tratamento pode envolver cirurgia para retirada da mama e dos linfonodos próximos, seguida normalmente de radioterapia na região do tórax, axila e ombro.
Essa combinação de terapia sistêmica, cirurgia e radioterapia é utilizada para aumentar o controle da doença, que apresenta maior risco de disseminação para outras partes do corpo ou de retorno na mama e nas regiões próximas.
Avanços ampliam as possibilidades de tratamento
Os tratamentos para o câncer de mama inflamatório passaram por avanços nos últimos anos. Um deles está relacionado à identificação do subtipo do tumor e à definição, desde o início, de terapias específicas para suas características biológicas.
Outro avanço apontado por Hieken é o aprimoramento dos exames de imagem, que permitem avaliar logo no início do tratamento se a doença se disseminou para além da mama e dos linfonodos regionais.
Os avanços também foram significativos nos casos de câncer de mama inflamatório HER2-positivo, com a utilização combinada de medicamentos que atuam para bloquear os efeitos da superexpressão da proteína HER2.
Para pacientes que não apresentam resposta completa ao tratamento sistêmico inicial, novas terapias direcionadas também podem ser utilizadas após a cirurgia.
A radioterapia também passou por melhorias, entre elas a radioterapia com intensidade modulada (IMRT), planejada com auxílio de tomografia computadorizada. A técnica permite visualizar a região em três dimensões e personalizar a aplicação da radiação para reduzir efeitos sobre tecidos saudáveis.
Tratamento envolve diferentes especialistas
Por ser uma forma agressiva de câncer, o tratamento do câncer de mama inflamatório exige a atuação integrada de diferentes áreas.
Na Mayo Clinic, especialistas em oncologia clínica, radio-oncologia, oncologia cirúrgica e radiologia trabalham em conjunto no acompanhamento das pacientes. A equipe também pode envolver conselheiros genéticos, patologistas, assistentes sociais, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas, psicoterapeutas e especialistas em medicina integrativa.
A abordagem multidisciplinar busca integrar o tratamento do câncer ao acompanhamento das demais necessidades das pacientes durante o processo de cuidado.
Durante o Outubro Rosa, mês dedicado à conscientização sobre o câncer de mama, a orientação é ficar atento não apenas ao surgimento de nódulos, mas também a alterações persistentes na pele, na coloração ou na temperatura das mamas e buscar avaliação profissional diante de sinais incomuns.

