Redação Plenax – Flavia Andrade
PaLavras – Festival de Literatura e Artes terá programação gratuita de 10 a 23 de outubro, em Ouro Preto e Mariana, com Fórum das Letras, shows, exposições, debates e ações sobre a memória da instituição
A Escola de Minas da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) completa 150 anos em 2026 e celebra o Sesquicentenário com uma programação que reúne ciência, literatura, artes, patrimônio, educação e cultura popular. Entre os dias 10 e 23 de outubro, as cidades de Ouro Preto e Mariana recebem o PaLavras – Festival de Literatura e Artes, que amplia as comemorações para além do ambiente acadêmico e aproxima a instituição da sociedade.
Entre os destaques estão a 21ª edição do Fórum das Letras, que homenageia João Guimarães Rosa pelos 70 anos de Grande Sertão: Veredas e Corpo de Baile; o espetáculo Viver de Poesia, de Elisa Lucinda; e a apresentação da Orquestra Ouro Preto, com Beatles: Um Concerto do Sesquicentenário.
A programação também inclui a Jornada “A Presença Francesa no Brasil”, encontros com pesquisadores e intelectuais, exposições, manifestações da cultura popular e atividades voltadas à preservação da memória da Escola de Minas.
Uma nova lavra de histórias e saberes
O nome PaLavras combina as ideias de “palavra” e “lavra” e sintetiza a proposta do festival de explorar histórias, personagens, conhecimentos e manifestações culturais por meio de diferentes linguagens.
Nesta primeira edição, a “lavra” escolhida é a própria Escola de Minas. Os 150 anos da instituição servem como ponto de partida para revisitar histórias da ciência e da educação, recuperar memórias e reconhecer as relações construídas com Ouro Preto, Minas Gerais e o Brasil.
Literatura, música, artes, patrimônio e cultura popular se somam à ciência para apresentar essa trajetória sob diferentes perspectivas.
150 anos de ciência, mineração e conhecimento
Criada em Ouro Preto em 1876, a Escola de Minas nasceu de um projeto voltado ao desenvolvimento científico e à ampliação do conhecimento sobre as riquezas minerais brasileiras. Primeira instituição do país dedicada ao ensino de mineração, metalurgia e geologia, teve papel na consolidação dessas áreas e na formação de gerações de engenheiros, pesquisadores e profissionais.
Ao longo de um século e meio, a instituição participou da produção e disseminação de conhecimentos nas áreas mineralógica, geológica, mínero-metalúrgica e tecnológica.
Parte dessa trajetória está preservada em um importante patrimônio científico. Coleções mineralógicas, documentos, livros raros, instrumentos e equipamentos ajudam a contar capítulos da história da ciência, da engenharia e da mineração no país.
Esse acervo inclui o Museu de Ciência e Técnica da Escola de Minas, que reúne atualmente mais de 30 mil amostras mineralógicas, além de diferentes coleções científicas e tecnológicas.
Ouro Preto recebe programação nas ruas
O festival começa no dia 10 de outubro, com a Ciranda do Sesquicentenário, no Largo do Cinema. A programação reúne Feira de Saberes e Fazeres e a Roda de Samba do Sesquicentenário, com Zé Pereira dos Lacaios e Bloco Zé Bastião.
A participação do Zé Pereira dos Lacaios ganha significado especial porque o grupo completa 160 anos e tem sua trajetória ligada ao Palácio dos Governadores, atual sede histórica da Escola de Minas.
No dia 11 de outubro, a Praça Tiradentes recebe “Um Toque para a Escola de Minas”, homenagem com a Banda Marcial Democrática de Ouro Preto, Banda do Alto da Cruz e Banda do Rosário.
Na mesma noite, a Orquestra Ouro Preto apresenta Beatles: Um Concerto do Sesquicentenário, encerrando a programação do dia com uma celebração aos 150 anos da instituição.
França e Brasil em debate
A programação também aborda as relações históricas entre França, Brasil e Minas Gerais, especialmente a influência francesa na formação científica, intelectual e cultural brasileira.
No dia 13 de outubro, o Auditório da Escola de Minas, no antigo Palácio dos Governadores, recebe a Jornada do Sesquicentenário “A Presença Francesa no Brasil”.
O encontro reunirá Godofredo de Oliveira Neto, Ângelo Oswaldo, Júnia Furtado, Luciano Figueiredo, Paulo Rezzutti e Uoster Zielinski, com discussões sobre literatura, ciência, artes, história e educação.
Os debates partem da circulação de ideias entre França e Brasil desde o período colonial e chegam ao contexto científico e intelectual do século XIX, que culminou na criação da Escola de Minas de Ouro Preto pelo cientista francês Claude-Henri Gorceix.
Fórum das Letras homenageia Guimarães Rosa
Também no dia 13 começa a 21ª edição do Fórum das Letras da UFOP, uma das principais atrações literárias do PaLavras. Com o tema “Do mundo e de Minas Gerais”, o evento homenageia João Guimarães Rosa pelos 70 anos da publicação de Grande Sertão: Veredas e Corpo de Baile.
Até 22 de outubro, escritores, pesquisadores, artistas, editores, tradutores e ilustradores participam de debates, encontros, exposições, sessões de cinema e ações de formação de leitores.
A programação inclui ainda atividades destinadas a professores e estudantes da educação básica e será realizada em Ouro Preto e Mariana.
Na abertura, a Casa da Ópera, em Ouro Preto, recebe a multiartista, atriz e poeta Elisa Lucinda, com o espetáculo Viver de Poesia.
O sertão como inspiração para as artes
A obra de Guimarães Rosa também inspira parte da programação de artes visuais. Sob o conceito curatorial “O Sertão é Dentro da Gente”, o Museu Casa dos Contos recebe as exposições Travessias entre o Ser-Tão e o Ser-Gerais, de Germano Neto, e Os Minas: O Sertão é do Tamanho do Mundo, construída a partir do acervo e das pesquisas de Spírito Santo.
Em Mariana, no ICHS, a exposição O Sertão-mundo de Guimarães Rosa, com curadoria de Mônica Gama, reúne fotografias de Maureen Bisilliat e Germano Neto.
Já a Galeria Nello Nuno, da FAOP, recebe a mostra Terras Brutas, Cores do Sertão Gerais – Homenagem aos 70 anos de Grande Sertão: Veredas, do artista visual Marcos A. Luiz.
Memória da Escola de Minas
A história da instituição também será apresentada por meio de exposições e projetos dedicados à memória.
A mostra “Casa de Gorceix”, que circula entre Ouro Preto e Mariana, apresenta miniaturas caricatas do artista mineiro Marcos Prata e livros da Casa.
Já “Escola de Minas – Memórias e Afetos” reúne registros audiovisuais de ex-alunos, professores e funcionários, recuperando lembranças e vínculos construídos ao longo da trajetória da instituição.
Entre os dias 19 e 23 de outubro, o projeto Caminhos de Gorceix aproxima estudantes de Ouro Preto do futuro da Engenharia, conectando o legado da Escola de Minas às novas gerações e aos desafios da formação profissional.
Ao reunir ciência, literatura, música, artes, cultura popular, patrimônio, educação e memória, o PaLavras – Festival de Literatura e Artes transforma o Sesquicentenário em uma celebração que ultrapassa os limites da instituição. A programação busca reconhecer a contribuição da Escola de Minas para Ouro Preto, Minas Gerais e o Brasil e, ao mesmo tempo, discutir os caminhos do conhecimento, da educação e da ciência para as próximas gerações.

