Redação Plenax – Flavia Andrade
Doença associada ao fungo Colletotrichum falcatum pode comprometer a produtividade e a qualidade da cana-de-açúcar; monitoramento e controle integrado ajudam a proteger os canaviais
A Síndrome da Murcha da Cana-de-açúcar (SMC) representa um desafio para o setor sucroenergético e reforça a importância do manejo integrado de doenças nos canaviais. Embora o melhoramento genético, com o desenvolvimento de variedades resistentes, seja uma das principais estratégias de controle, a síndrome evidencia a necessidade de combinar diferentes ferramentas para preservar a produtividade agrícola.
Associada a patógenos como o fungo Colletotrichum falcatum, a SMC pode afetar diferentes variedades de cana-de-açúcar e provocar perdas na produção. Entre os possíveis impactos estão a redução das toneladas de cana por hectare (TCH), alterações no açúcar total recuperável (ATR) e o comprometimento da longevidade do canavial.
Identificação precoce ajuda a evitar perdas
Entre os sinais que exigem atenção estão lesões avermelhadas na nervura central das folhas, perda de vigor e alterações nos tecidos internos da planta. Como essas manifestações podem ser confundidas com sintomas de outras doenças ou desequilíbrios nutricionais, o diagnóstico depende da avaliação conjunta dos sinais e das condições da lavoura.
Em casos mais severos, as plantas podem apresentar murchamento e alterações estruturais que prejudicam seu desenvolvimento. O sintoma, entretanto, também pode estar relacionado a outros fatores, o que reforça a importância da identificação correta antes da adoção de medidas de controle.
“Além dos impactos no desenvolvimento das plantas, a síndrome pode comprometer a qualidade tecnológica da matéria-prima, com reflexos nos indicadores industriais, dependendo da severidade da infecção”, explica Júlia Veiga, engenheira agrônoma e coordenadora de marketing da Biotrop.
Manejo integrado inclui soluções biológicas
O monitoramento contínuo, a identificação precoce dos sintomas e a adoção de estratégias integradas estão entre as medidas que contribuem para reduzir a pressão dos patógenos e preservar o potencial produtivo dos canaviais.
Nesse contexto, os produtos biológicos são apresentados como ferramentas complementares no manejo preventivo de doenças. Segundo Júlia Veiga, diferentes mecanismos de ação podem ampliar as alternativas disponíveis para o produtor no controle dos patógenos associados à síndrome.
“O uso de biológicos amplia as possibilidades de manejo, contribuindo para reduzir a pressão dos patógenos e proteger o potencial produtivo do canavial”, destaca a especialista.
Biofungicida é utilizado no setor sucroenergético
Entre as soluções disponíveis, a Biotrop destaca o Bombardeiro, biofungicida que, segundo a empresa, já foi utilizado em mais de 1,8 milhão de hectares no setor sucroenergético.
De acordo com a fabricante, o produto possui registro para o controle de Colletotrichum falcatum, agente causal da podridão-vermelha e patógeno associado à Síndrome da Murcha da Cana-de-açúcar. A solução também tem registro para o controle da estria-vermelha, doença causada pela bactéria Acidovorax avenae.
Para Júlia Veiga, a escolha das ferramentas de manejo deve considerar as condições específicas de cada lavoura e a identificação das ameaças presentes no canavial. A combinação entre monitoramento e medidas preventivas pode contribuir para reduzir os riscos à produção e proteger o investimento do produtor.
A adoção de estratégias de controle deve considerar as orientações técnicas e as indicações de uso previstas no registro dos produtos, de acordo com as necessidades da cultura.

