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Saúde emocional pode influenciar vida sexual e sintomas urinários dos homens

Foto: Divulgação

Redação Plenax – Flavia Andrade

Ansiedade, estresse e depressão podem contribuir para disfunção erétil, enquanto alterações urinárias persistentes exigem avaliação médica

A saúde masculina envolve mais do que o acompanhamento da próstata. Alterações na libido, dificuldades de ereção, mudanças na ejaculação e sintomas urinários podem ter diferentes causas e, em alguns casos, estar relacionados também a fatores emocionais.

Durante o Setembro Amarelo, período dedicado à conscientização sobre saúde mental e prevenção do suicídio, especialistas reforçam a importância de ampliar o olhar sobre o cuidado com os homens e considerar aspectos físicos e emocionais durante a avaliação de queixas sexuais.

A relação entre saúde emocional e função sexual é reconhecida na literatura médica. Ansiedade, depressão, estresse e preocupações relacionadas ao desempenho sexual podem causar ou agravar a disfunção erétil. Ao mesmo tempo, doenças cardiovasculares, diabetes, alterações hormonais, medicamentos e outras condições físicas também podem interferir na função sexual.

Por isso, a investigação de uma dificuldade de ereção deve considerar diferentes fatores, em vez de atribuir automaticamente o problema a uma única causa.

Quando a dificuldade sexual também afeta a saúde emocional

Segundo o urologista Alberto Tomé, que atende em Umuarama e Cianorte, no noroeste do Paraná, questões relacionadas à sexualidade ainda podem ser pouco relatadas espontaneamente pelos homens durante as consultas.

Uma dificuldade persistente de ereção, por exemplo, pode gerar insegurança e preocupação com novas experiências sexuais. A ansiedade relacionada ao desempenho pode, por sua vez, contribuir para a manutenção da dificuldade.

A avaliação médica pode considerar o histórico de saúde, hábitos de vida, uso de medicamentos, fatores cardiovasculares e metabólicos e aspectos emocionais. Dependendo do caso, também pode haver indicação de acompanhamento com outros profissionais de saúde.

Sintomas urinários também merecem atenção

Alterações no funcionamento do trato urinário inferior são frequentes entre homens e podem apresentar diferentes causas. Entre os sintomas estão aumento da frequência urinária, dificuldade para iniciar ou manter o fluxo, sensação de esvaziamento incompleto e necessidade de acordar durante a noite para urinar.

A hiperplasia prostática benigna (HPB), caracterizada pelo aumento benigno da próstata, é uma das condições que pode estar relacionada a esses sintomas, mas não é a única possibilidade. As diretrizes da Associação Europeia de Urologia destacam que os sintomas urinários masculinos têm origem multifatorial e devem ser investigados individualmente.

A frequência com que o homem precisa interromper o sono para urinar também pode interferir no descanso e na qualidade de vida. Além disso, sintomas urinários e disfunção sexual podem ocorrer conjuntamente, o que reforça a importância de uma avaliação que considere as diferentes queixas apresentadas pelo paciente.

O que deve ser investigado

Mudanças persistentes na libido, ereção, ejaculação ou padrão urinário devem ser comunicadas ao médico. O diagnóstico depende das características de cada caso e pode envolver conversa clínica, histórico médico, exame físico e, quando indicado, exames laboratoriais e outros procedimentos.

No caso dos sintomas urinários masculinos, as diretrizes recomendam uma avaliação clínica capaz de diferenciar possíveis causas e identificar a necessidade de exames complementares.

A disfunção erétil também merece atenção porque, além dos impactos sobre a vida sexual e emocional, pode estar associada a fatores cardiovasculares e metabólicos.

Romper o silêncio também faz parte do cuidado

Para o urologista Alberto Tomé, falar sobre alterações sexuais e urinárias é parte do cuidado integral com a saúde masculina.

A proposta do Setembro Amarelo também passa pela redução do silêncio em torno da saúde emocional dos homens. Procurar ajuda diante de mudanças persistentes no corpo, falar sobre dificuldades sexuais e buscar avaliação profissional são medidas que podem contribuir para a identificação adequada das causas e para a definição do tratamento mais apropriado.

O cuidado, portanto, não precisa ser dividido entre saúde física e emocional. Quando sintomas persistem, a avaliação deve considerar o conjunto de fatores que pode estar afetando a saúde e a qualidade de vida do paciente.

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