Redação Plenax – Flavia Andrade
Parcerias entre Estado e municípios levaram obras de infraestrutura, habitação, saúde e assistência social a Itaquiraí, Iguatemi, Tacuru e Sete Quedas
Em Itaquiraí, uma das mudanças mais recentes está debaixo da terra. Depois de anos com cobertura limitada de esgotamento sanitário, o município passou a autorizar, em agosto, a ligação das residências à nova rede. Com a operação da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), a estrutura foi projetada para tratar 98% do esgoto coletado.
Para a moradora Juliana de Paula, de 42 anos, a transformação é percebida no cotidiano. “Nosso município desenvolveu bastante. Conseguimos trazer a rede de esgoto, que era zero por cento, e agora estamos com 98% de toda a cidade com a rede de esgoto tratada”, afirma.
O saneamento é um dos exemplos apresentados durante a passagem do governador Eduardo Riedel por Itaquiraí, Iguatemi, Tacuru e Sete Quedas, no Cone Sul de Mato Grosso do Sul. A agenda colocou em evidência obras e ações realizadas em parceria entre o Governo do Estado e as administrações municipais.
Riedel afirmou que as demandas apresentadas pelos municípios devem orientar a aplicação dos recursos estaduais. “As demandas dos municípios legitimam o que a gente vai fazer no Governo. Nossa linha de trabalho vai continuar com atenção máxima aos municípios, para dar sequência àquilo que é prioridade de cada cidade sul-mato-grossense”, disse.
Estradas são prioridade para produtores
Fora da área urbana, a infraestrutura rodoviária aparece entre as principais demandas. Em Iguatemi, o médico veterinário, vereador e produtor rural Genésio Neto afirma que representantes do município participaram das discussões sobre as prioridades de investimento e apontaram estradas e pontes como necessidades urgentes.
“Foi aí que nosso município passou a ter acesso para chegar os insumos e para sair os produtos”, relata.
Entre as obras citadas estão a implantação e pavimentação de 31,26 quilômetros da MS-290, entre Naviraí, Itaquiraí e Iguatemi, com investimento informado de aproximadamente R$ 84,9 milhões.
Também estão previstas ou em execução intervenções na MS-295, com R$ 86,1 milhões no trecho de Iguatemi e R$ 64,7 milhões em Tacuru; na MS-156, em Tacuru, com R$ 44,8 milhões; e na MS-488, em Itaquiraí, com R$ 34 milhões.
A importância das obras também é percebida por quem circula diariamente pelas cidades. Em Iguatemi, o taxista Wilson Matheus, que trabalha há duas décadas pelas ruas do município, associa parte das mudanças à parceria entre prefeitura e Estado.
“Pra nós tá ótimo. O Governo tem uma política de desenvolver as cidades, trazendo investimentos junto com o prefeito”, afirma.
Saneamento chega a municípios pequenos
Além de Itaquiraí, Sete Quedas também avança na implantação do sistema de esgotamento sanitário. O prefeito Erlon Fernando Possa Daneluz destaca que o município não contava com o serviço e agora trabalha para alcançar a universalização.
“Nós temos a liberdade de conversar por telefone com o governador, de marcar agendas, de discutir os problemas do município, de levar os projetos. Quando a gente tem dificuldade, a equipe do governo ajuda a elaborar os planos de trabalho”, afirma.
Nos quatro municípios, os investimentos informados em esgotamento sanitário somam R$ 25,8 milhões: R$ 7,5 milhões em Itaquiraí, R$ 14,2 milhões em Sete Quedas e R$ 4,1 milhões em Iguatemi.
Em Itaquiraí, outro investimento destacado é o sistema de abastecimento de água do assentamento Santa Rosa, entregue para atender uma demanda antiga da comunidade.
A cidade passou recentemente a contar também com a nova estrutura de tratamento de esgoto. Segundo a prefeitura, a autorização para as ligações residenciais ocorreu em 24 de agosto, após a implantação da rede e o início da operação da ETE.
Saúde recebe R$ 33 milhões em repasses
Na saúde, os repasses estaduais informados para os quatro municípios chegam a aproximadamente R$ 33 milhões entre 2023 e 2026.
Iguatemi recebeu R$ 9,8 milhões, além de R$ 728,9 mil para reforma e ampliação das unidades de saúde Vila Nova e Vila Rosa. Itaquiraí soma R$ 7,1 milhões; Tacuru, R$ 10,2 milhões; e Sete Quedas, cerca de R$ 5,8 milhões.
Os hospitais locais também recebem contratualizações mensais para manutenção de leitos clínicos e cirúrgicos. Casos de maior complexidade são encaminhados para centros regionais, como Dourados e Ponta Porã.
Nos municípios de fronteira, a demanda por atendimento de saúde apresenta uma característica própria. Segundo o secretário de Saúde de Sete Quedas, Everton Magdo de Cristo, o novo modelo estadual de financiamento prevê um adicional de 20% sobre a produção dos municípios fronteiriços.
“Nós, municípios de fronteira, tínhamos o mesmo tratamento dos municípios que não são. Agora, nesse novo financiamento, nós temos um aditivo de 20% em cima da nossa produção, porque a demanda da fronteira acaba sendo o dobro do que nós recebemos”, explica.
A regionalização também é apontada como estratégia para ampliar o acesso a atendimentos especializados sem concentrar toda a demanda nos grandes centros.
Habitação aparece entre as principais demandas
Em Tacuru, a habitação está entre as prioridades apontadas pela administração municipal. A secretária de Governo, Aparecida Pedro Rodrigues, afirma que o município enfrenta déficit habitacional e depende de investimentos para ampliar a oferta de moradias.
Nos quatro municípios, os investimentos informados em habitação chegam a R$ 16 milhões, com 33 moradias entregues e outras 291 unidades em andamento.
Itaquiraí entregou 16 casas e tem outras 130 em construção. Tacuru entregou 17 e possui 121 unidades em diferentes etapas, incluindo moradias rurais nas aldeias Sassoró e Jaguapiré. Em Iguatemi, estão previstas 40 unidades, enquanto 84 títulos de regularização fundiária estão em processo.
O prefeito de Tacuru, Rogério Torquetti, cita ainda drenagem e esgotamento sanitário como obras necessárias antes da pavimentação de determinadas áreas.
“Tem obra nos quatro cantos da cidade”, afirma. “O governador ouviu a classe política e atendeu as demandas que a cidade realmente precisava: drenagem e esgoto, que fazem a água não afetar mais o pavimento.”
Assistência social completa conjunto de ações
Os investimentos não se concentram apenas em obras. Nos quatro municípios, 799 famílias são atendidas pelo Mais Social e outras 431 pelo Energia Social: Conta de Luz Zero.
Também foram informadas a distribuição de 1.020 cestas alimentares para indígenas e outras 23 cestas destinadas a famílias de Sete Quedas.
Iguatemi concentra 363 famílias atendidas pelo Mais Social; Itaquiraí, 211; Sete Quedas, 148; e Tacuru, 77. No Energia Social, são 144 famílias em Iguatemi, 85 em Itaquiraí, 109 em Sete Quedas e 93 em Tacuru.
Para Elaine Pereira, secretária de Assistência Social de Sete Quedas, as políticas sociais precisam estar incluídas na discussão sobre investimentos nos municípios.
“Esse olhar municipalista do governo, de olhar para os municípios com atenção, tanto na parte de obras quanto na parte social, é um diferencial na vida do interior”, afirma.
Realidades diferentes exigem prioridades diferentes
Os investimentos apresentados nos quatro municípios mostram demandas distintas dentro de uma mesma região.
Em Itaquiraí, o saneamento e o abastecimento de água estão entre as principais mudanças relatadas. Em Iguatemi, estradas e pontes aparecem como prioridades para o setor produtivo. Em Sete Quedas, a condição de município fronteiriço interfere diretamente na organização da saúde. Já Tacuru mantém entre as demandas a ampliação da oferta habitacional, além de obras de drenagem e saneamento.
A estratégia de parceria entre Estado e prefeituras, defendida pelo governo estadual, busca concentrar os recursos em projetos definidos a partir das necessidades locais. O modelo dá continuidade a uma política iniciada na gestão anterior e ampliada durante a atual administração por meio de programas como o MS Ativo.
Na prática, os resultados apontados pelos moradores e gestores municipais aparecem em diferentes frentes: uma rede de esgoto que começa a chegar às residências, estradas utilizadas para transportar a produção, unidades de saúde reformadas, novas moradias e programas voltados à população em situação de vulnerabilidade.
Em Itaquiraí, a transformação mais recente pode ser resumida em uma mudança que deixou de ser apenas uma promessa de obra e passou a fazer parte da rotina dos moradores: a possibilidade de conectar a própria casa a uma rede pública de coleta e tratamento de esgoto.

