Redação Plenax – Flavia Andrade
Especialistas alertam que controle da bactéria depende de medidas preventivas que envolvem biosseguridade, qualidade da ração e equilíbrio da microbiota das aves
A presença de Salmonella nas granjas avícolas continua sendo um dos principais desafios sanitários da cadeia produtiva de frangos no Brasil. Associada a prejuízos econômicos e restrições comerciais, a bactéria pode se disseminar por diferentes vias dentro do sistema de produção, exigindo atenção constante de produtores e equipes técnicas.
De acordo com especialistas do setor, três fatores exercem papel fundamental na prevenção das salmoneloses: a qualidade da alimentação fornecida às aves, as condições sanitárias do ambiente e o equilíbrio da microbiota intestinal.
Embora muitas vezes seja associada a aves doentes, a contaminação pode ter origem em situações aparentemente rotineiras dentro das granjas. Falhas na higienização de caminhões de transporte de ração, excesso de umidade na cama dos aviários, equipamentos contaminados e desequilíbrios na saúde intestinal dos animais estão entre os fatores que favorecem a proliferação da bactéria.
Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a Salmonella está entre as principais causas de condenação de carcaças na indústria avícola brasileira, impactando diretamente a produtividade e a competitividade do setor.
A médica-veterinária Mariana Rosetti, coordenadora de produtos da MCassab Nutrição e Saúde Animal, destaca que o problema vai além das perdas dentro da granja. Segundo ela, a multiplicação excessiva de bactérias patogênicas pode comprometer o desempenho zootécnico das aves e gerar reflexos no comércio internacional de produtos avícolas.
Biosseguridade e qualidade da ração são fundamentais
Entre os principais pontos de atenção estão os protocolos de biosseguridade adotados nas propriedades. Falhas nos processos de limpeza, desinfecção e manejo favorecem a sobrevivência e a disseminação de microrganismos no ambiente produtivo.
A alimentação também exige cuidados específicos. Matérias-primas contaminadas ou equipamentos sem higienização adequada podem transformar a ração em uma importante fonte de transmissão de agentes patogênicos para os animais.
Além disso, especialistas ressaltam que a manutenção da saúde intestinal das aves tem papel decisivo no controle sanitário. Uma microbiota equilibrada contribui para a digestão, melhora a absorção de nutrientes e atua como uma barreira natural contra a proliferação de bactérias nocivas.
Quando esse equilíbrio é comprometido, os animais ficam mais suscetíveis ao crescimento de microrganismos indesejáveis no trato digestivo, aumentando os riscos de contaminação.
Estratégias preventivas ganham espaço na avicultura
Diante dos desafios sanitários, o setor tem investido em soluções preventivas voltadas à redução da carga microbiana tanto na alimentação quanto no organismo das aves.
A adoção de tecnologias que auxiliam no controle bacteriano e no fortalecimento da saúde intestinal faz parte de uma estratégia cada vez mais utilizada pelos produtores para reduzir riscos sanitários antes que eles afetem a produtividade ou comprometam a comercialização dos produtos.
Para especialistas da área, o foco da avicultura moderna está na prevenção. A combinação de boas práticas de manejo, biosseguridade rigorosa, controle da qualidade da ração e monitoramento da saúde intestinal tem se mostrado fundamental para reduzir a pressão de infecção e garantir maior segurança na produção avícola.

