Redação Plenax – Flavia Andrade
Diagnóstico da modelo, confirmado em 2023, chama atenção para sintomas da doença e para alternativas que podem auxiliar no controle de dor e espasticidade
O relato da ex-VJ da MTV Carol Ribeiro, de 45 anos, sobre a convivência com a esclerose múltipla antes de receber o diagnóstico voltou a repercutir nas redes sociais e trouxe novamente a doença para o centro das discussões sobre saúde e qualidade de vida.
Em entrevista ao Splash/UOL, a modelo contou que enfrentou episódios de exaustão, tropeços durante desfiles, dificuldade para organizar os pensamentos e chegou a passar 17 dias sem dormir. Antes de descobrir a causa dos sintomas, ela chegou a considerar hipóteses como menopausa e síndrome do pânico. O diagnóstico da esclerose múltipla veio em 2023.
É importante destacar que Carol Ribeiro não relacionou seu tratamento ao uso de cannabis medicinal. A repercussão de seu depoimento, porém, também coloca em evidência uma questão relevante para quem convive com a doença: como controlar os sintomas e preservar a qualidade de vida diante de uma condição crônica e imprevisível.
Doença afeta o sistema nervoso
A esclerose múltipla é uma doença neurológica autoimune na qual o sistema imunológico ataca a mielina, estrutura que reveste e protege os neurônios e contribui para a transmissão dos impulsos nervosos entre o cérebro e o restante do organismo.
A causa da doença ainda não é completamente conhecida e, atualmente, não existe cura. Segundo estimativas citadas no material, aproximadamente 2,8 milhões de pessoas vivem com esclerose múltipla no mundo, sendo cerca de 40 mil no Brasil.
Os sintomas podem variar significativamente entre os pacientes. Fadiga, dor, alterações de sensibilidade, dificuldades de equilíbrio e espasticidade — caracterizada por rigidez e contrações musculares involuntárias — estão entre as manifestações que podem comprometer a rotina.
É justamente nesse contexto que a cannabis medicinal vem sendo estudada e utilizada, em determinados casos, como tratamento adjuvante para alguns sintomas da doença. A proposta não é substituir a terapia principal nem tratar a causa da esclerose múltipla, mas auxiliar no controle de manifestações específicas.
Cannabis como alternativa para alguns sintomas
Dados do Anuário 2025 da Kaya Mind apontam que mais de 873 mil brasileiros estão em tratamento com cannabis medicinal. Entre eles, há pacientes com diferentes condições neurológicas.
Na esclerose múltipla, o uso de derivados de cannabis pode ser considerado principalmente no manejo de sintomas como dor e espasticidade muscular, sempre mediante avaliação e acompanhamento médico.
“O relato da Carol ajuda porque tira a esclerose múltipla do silêncio, e isso já é muito. Sobre a cannabis, o que a gente pode dizer com honestidade é que ela tem potencial de aliviar a dor e os espasmos, que são incapacitantes na maioria dos pacientes. Sempre com prescrição e acompanhamento médico”, afirma Mariana Maciel, médica ligada à biotech canadense Thronus Medical, que atua no desenvolvimento de nanofármacos à base de cannabis.
A especialista ressalta que a utilização da substância não segue uma fórmula única. A indicação, a dose e a resposta ao tratamento precisam ser avaliadas individualmente.
“Cada caso é um caso. A dose se ajusta devagar, começa baixa, e tudo precisa ser acompanhado por um médico. O que funciona para um paciente pode não servir para outro”, explica.
Segundo Mariana, o possível benefício está principalmente na melhora de sintomas que interferem diretamente na rotina.
“A dor e os espasmos são os sintomas que mais respondem à cannabis na esclerose múltipla. É o que muda a rotina do paciente: menos dor, mais mobilidade, sono melhor”, afirma.
Tratamento exige acompanhamento médico
No Brasil, o acesso a produtos à base de cannabis para fins medicinais depende de prescrição e segue as regras estabelecidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que regulamentou a importação desses produtos em 2015.
Apesar do avanço no acesso, questões como preconceito e burocracia ainda são apontadas como obstáculos para pacientes que buscam informações e alternativas terapêuticas.
“Quanto mais a gente traz esse assunto para o dia a dia, mais o paciente chega informado ao consultório. E aí a conversa sobre cada alternativa acontece do jeito certo, entre médico e paciente”, afirma Mariana.
O caso de Carol Ribeiro ajuda a ampliar a visibilidade sobre uma doença que pode apresentar manifestações muito diferentes de uma pessoa para outra. Mais do que falar sobre diagnóstico e tratamento, a discussão também reforça a importância de olhar para aquilo que impacta diretamente o cotidiano de quem vive com esclerose múltipla: dor, mobilidade, sono, autonomia e qualidade de vida.

