Redação Plenax – Flavia Andrade
A conclusão da Ponte Internacional de Porto Murtinho, prevista para 2026, será um marco para a integração entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, mas não encerra os desafios para que a Rota Bioceânica se transforme, de fato, em um corredor de desenvolvimento econômico. A avaliação é do candidato ao Senado Reinaldo Azambuja, que participou do Congresso de Gestão Pública, promovido pelo Instituto Ulisses Guimarães, em Campo Grande.
Segundo Azambuja, a principal missão após a implantação da infraestrutura será criar condições para que o corredor atraia investimentos, indústrias, empregos e novas oportunidades econômicas para Mato Grosso do Sul.
A ponte, que liga Porto Murtinho a Carmelo Peralta, no Paraguai, já ultrapassou 90% de execução. A expectativa é de que a estrutura principal seja concluída ainda neste ano. No lado brasileiro, porém, ainda será necessário finalizar os acessos à ponte, com previsão de conclusão para 2027.
Aduanas e integração são desafios
Para o candidato, a infraestrutura física precisa ser acompanhada por mudanças nos procedimentos de transporte internacional. Entre os principais pontos está a implantação de uma aduana integrada, capaz de reduzir a burocracia e evitar que cargas tenham de passar por processos repetitivos ao atravessar os quatro países.
“A Rota Bioceânica é muito mais do que uma estrada. É um corredor logístico internacional que precisa ser construído com integração entre os países, aduanas modernas e integradas, tecnologia, segurança jurídica e a participação ativa dos governos e dos municípios. Concluir o acesso do lado brasileiro é apenas uma parte desse desafio”, afirmou.
A expectativa é que, quando estiver plenamente operacional, a rota reduza em até 17 dias o tempo de transporte de cargas até os mercados asiáticos e diminua os custos logísticos em até 40%. O corredor também deverá criar uma alternativa para o escoamento da produção brasileira pelos portos do Oceano Pacífico.
A Rota Bioceânica conecta Porto Murtinho, em Mato Grosso do Sul, ao litoral chileno, atravessando o Paraguai e a Argentina. No Chile, o corredor chega aos portos de Antofagasta, Mejillones, Tocopilla e Iquique, ampliando o acesso brasileiro aos mercados da Ásia.
Municípios de MS podem ser beneficiados
Os efeitos econômicos esperados vão além de Porto Murtinho. Municípios situados ao longo do eixo da BR-267 e de outras áreas estratégicas da logística estadual poderão ser beneficiados pela instalação de empresas, expansão dos serviços e crescimento das atividades ligadas ao comércio exterior.
Porto Murtinho deve funcionar como principal porta de entrada e saída do corredor em Mato Grosso do Sul, concentrando parte relevante do fluxo de cargas e dos novos investimentos.
Campo Grande, por sua vez, tem potencial para ampliar sua posição como centro de distribuição e integração logística entre o Brasil e os mercados do Pacífico. A ratificação da Convenção TIR também é apontada como fator de fortalecimento da estrutura logística da capital.
Sidrolândia, Nioaque, Maracaju e Guia Lopes da Laguna, municípios ligados ao eixo da BR-267, podem atrair empreendimentos relacionados ao beneficiamento da produção, logística e prestação de serviços.
Jardim, Bela Vista e Bonito também aparecem entre os municípios com potencial de crescimento nas áreas de turismo, negócios e qualificação profissional. Já Dourados e a região do entorno, segundo maior polo econômico de Mato Grosso do Sul, podem ampliar a integração logística e a participação do agronegócio nas exportações.
“Aduana pode anular vantagem logística”
Durante o congresso, Azambuja afirmou que a eficiência da rota dependerá da capacidade dos governos dos quatro países de estabelecer procedimentos integrados.
O candidato alertou que a burocracia alfandegária pode comprometer parte dos ganhos previstos com a redução das distâncias e dos custos de transporte caso não haja uma integração efetiva entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile.
“É essa construção que o Brasil precisa materializar para fazer da Rota Bioceânica um dos maiores projetos de desenvolvimento da América do Sul”, concluiu.

