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Reforma Tributária muda regras para produtores rurais e exige CNPJ de quem fatura acima de R$ 3,6 milhões

Foto: Divulgação

Redação Plenax – Flavia Andrade

Nova sistemática de tributação sobre o consumo amplia a formalização no agronegócio e impõe mudanças na gestão fiscal de produtores e cooperativas.

A Reforma Tributária começa a transformar a rotina do agronegócio brasileiro e traz uma mudança importante para produtores rurais com faturamento anual superior a R$ 3,6 milhões. Com a implementação dos novos tributos sobre o consumo, esses produtores deverão atuar como pessoa jurídica, adotando um Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) e uma estrutura de gestão mais profissionalizada.

A alteração está relacionada à criação do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), tributos que substituirão parte dos impostos atuais e estabelecerão um modelo mais uniforme de tributação em todo o país.

Produtores precisarão se adaptar às novas exigências

Pelas novas regras, produtores rurais que hoje operam como pessoa física e ultrapassam o limite anual de faturamento passarão a ser enquadrados como contribuintes obrigatórios do IBS e da CBS.

Na prática, isso significa que será necessária a abertura de um CNPJ e a adoção de procedimentos administrativos e fiscais semelhantes aos já utilizados por empresas.

Segundo o advogado tributarista Rodrigo Totino, sócio gestor do MBT Advogados Associados, a mudança representa uma transformação significativa para o setor.

“Grande parte dos produtores rurais no Brasil ainda atua como pessoa física. Com a reforma, quem fatura acima de R$ 3,6 milhões por ano passa a ser obrigatoriamente contribuinte de IBS e CBS, o que exige a abertura de um CNPJ e uma mudança completa na forma de gerir o negócio.”

Gestão fiscal passa a ser mais rigorosa

Com o novo modelo tributário, produtores deverão ampliar o controle sobre receitas, despesas e documentação fiscal.

Além da necessidade de emitir notas fiscais regularmente, será fundamental manter registros detalhados das operações e trabalhar com fornecedores que também estejam devidamente formalizados.

Para Rodrigo Totino, a profissionalização da gestão será uma consequência direta da reforma.

“A mudança vai exigir mais organização, controle e profissionalização. O produtor vai precisar compreender melhor suas receitas, despesas, guardar documentos e, principalmente, operar com fornecedores que emitam nota fiscal.”

Sistema de créditos exige planejamento

Outro aspecto relevante da Reforma Tributária é a adoção do mecanismo de créditos e débitos tributários, característica comum dos impostos sobre o consumo.

Nesse sistema, o produtor poderá descontar parte dos tributos pagos na aquisição de insumos utilizados na atividade rural. No entanto, para aproveitar esse benefício, será necessário manter uma gestão fiscal rigorosa e acompanhar detalhadamente todas as operações.

Segundo o especialista, a nova realidade exigirá maior participação de profissionais especializados.

“O produtor vai ter que começar a pensar como empresa e precisará de um contador mais presente no dia a dia. Certamente, uma assessoria jurídica também contribuirá para entender como aproveitar créditos de IBS e CBS. É uma mudança cultural relevante.”

Reforma busca ampliar a formalização no campo

A expectativa é que as novas regras reduzam a informalidade existente em parte do setor agropecuário brasileiro.

De acordo com Totino, a reforma pretende ampliar a transparência das operações e integrar um número maior de produtores ao sistema tributário formal.

Além dos produtores rurais, cooperativas também deverão revisar seus processos internos, já que a nova tributação pode alterar a forma de organização das operações e da distribuição de resultados.

Cronograma prevê obrigatoriedade a partir de 2027

Os produtores devem ficar atentos ao calendário de implantação das novas regras.

O cronograma divulgado prevê as seguintes etapas:

Novembro de 2026: a Receita Federal deverá disponibilizar o sistema unificado de inscrição, com cadastro totalmente digital por meio da plataforma RedeSim;
Até 31 de dezembro de 2026: período de transição, durante o qual os produtores poderão continuar emitindo documentos fiscais utilizando a Inscrição Estadual vinculada ao CPF;
1º de janeiro de 2027: passa a ser obrigatória a utilização do CNPJ alfanumérico para emissão e validação de notas fiscais.

A partir dessa data, produtores que não estiverem regularizados poderão ficar impedidos de emitir documentos fiscais e de transportar mercadorias dentro da legalidade.

Especialistas recomendam que produtores rurais e cooperativas iniciem desde já a revisão de sua estrutura tributária e administrativa, buscando orientação técnica para realizar a adaptação de forma planejada e evitar impactos nas atividades do campo.

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