Redação Plenax – Flavia Andrade
Preço por quilo não deve ser o único critério na escolha do alimento; conversão alimentar e ganho de peso são decisivos para a rentabilidade da piscicultura
Escolher a ração apenas pelo menor preço pode comprometer o desempenho dos peixes e elevar os custos da produção. Embora a economia na compra pareça vantajosa inicialmente, alimentos com menor digestibilidade ou formulação inadequada podem exigir maior consumo para atingir o peso desejado, além de aumentar o desperdício e prejudicar a conversão alimentar.
Segundo o zootecnista Cleber Daniel Almeida, consultor técnico e comercial da MCassab Nutrição e Saúde Animal, o impacto dessa escolha aparece ao longo do ciclo produtivo. “No fim do ciclo, essa diferença pesa mais no bolso do produtor do que o valor que ele economizou na hora da compra”, destaca.
A formulação da ração deve considerar as necessidades nutricionais de cada espécie e fase de cultivo, incluindo proteínas, aminoácidos, lipídios, vitaminas e minerais. Quando esses nutrientes estão desajustados ou os ingredientes apresentam baixa digestibilidade, o aproveitamento do alimento diminui e o crescimento dos peixes pode ser prejudicado.
Para avaliar a eficiência da alimentação, um dos principais indicadores é a conversão alimentar, que relaciona a quantidade de ração consumida ao ganho de peso dos animais. O objetivo é identificar quanto custa produzir cada quilo de peixe, considerando o desempenho obtido com a dieta.
Alimentação representa até 70% dos custos
A alimentação é o principal componente do custo de produção da piscicultura. De acordo com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a ração pode representar até 70% das despesas em sistemas intensivos.
Por isso, uma dieta equilibrada pode contribuir para melhorar o aproveitamento dos nutrientes, reduzir a quantidade de resíduos eliminados pelos peixes e favorecer a manutenção da qualidade da água, conforme explica Almeida.
O produtor também deve observar sinais de que a alimentação precisa ser revista. Entre eles estão redução do consumo, crescimento abaixo do esperado, piora da conversão alimentar, alterações nas fezes, lesões na pele e mudanças no aspecto do fígado.
Outro ponto de atenção é o armazenamento. Condições inadequadas e excesso de umidade podem favorecer a deterioração da ração e a oxidação das gorduras, comprometendo a qualidade do alimento.
Custo por quilo de peixe deve orientar escolha
Na avaliação do especialista, o preço de compra é apenas um dos fatores que devem entrar na decisão. O desempenho produtivo, o consumo de ração, a conversão alimentar e o tempo necessário para atingir o peso de comercialização também precisam ser considerados.
“Na escolha da ração, o preço é um ponto de partida, mas não deve ser o único critério. O que interessa é saber como aquele alimento contribui para o sucesso da criação e quanto o produtor vai gastar para chegar ao peso ideal de comercialização”, conclui Cleber Daniel Almeida.

