Redação Plenax – Flavia Andrade
Modelo adotado por empresa transforma vegetação nativa em aliada da piscicultura, fortalece a biodiversidade e reduz impactos ambientais na Represa de Jaguara
A preservação ambiental tem se consolidado como um diferencial estratégico na produção de alimentos. Na Represa de Jaguara, localizada em Rifaina (SP), na divisa entre São Paulo e Minas Gerais, um projeto de piscicultura demonstra como a conservação da vegetação nativa pode contribuir para aumentar a qualidade da produção de tilápia e fortalecer a biodiversidade da região.
Na área onde atua a Fider Pescados, a presença de animais como o tamanduá-bandeira — uma das 133 espécies catalogadas na propriedade — passou a ser um dos indicadores dos resultados obtidos com o modelo de produção baseado na recuperação e proteção dos ecossistemas naturais.
Vegetação atua como barreira natural
Segundo a empresa, a mata ciliar preservada exerce papel fundamental na manutenção da qualidade da água utilizada na criação dos peixes.
De acordo com o diretor da Fider Pescados, Juliano Kubitza, a vegetação funciona como uma Solução Baseada na Natureza (Nature-based Solution), reduzindo o impacto das chuvas sobre o reservatório.
“A vegetação nativa atua como uma barreira e um filtro biológico, evitando que sedimentos e nutrientes sejam carregados para o lago. Isso contribui para manter a água limpa e equilibrada, principalmente durante o período chuvoso”, explica.
Além de atender às exigências ambientais, a estratégia auxilia na estabilidade do ecossistema e favorece a produção de tilápias em condições mais adequadas.
Monitoramento ampliado e tecnologia inédita
Para acompanhar os efeitos das práticas adotadas, a empresa ampliou de três para 13 os pontos de monitoramento da qualidade da água na represa e em seus afluentes.
Com base em quatro anos de análises realizadas conforme diretrizes da Embrapa, foi desenvolvido um sistema próprio de sucção de sedimentos depositados no fundo do reservatório.
Segundo a empresa, a tecnologia permite retirar mais fósforo do ambiente do que a atividade aquícola é capaz de produzir, reduzindo o potencial de impactos ambientais.
Até o momento, mais de 800 toneladas de sedimentos já foram removidas do Rio Grande, na área da Represa de Jaguara, sendo todo o material destinado à compostagem.
Recuperação ambiental amplia biodiversidade
As ações também envolveram a ampliação da Área de Preservação Permanente (APP) em cerca de 6 mil metros quadrados, além do plantio de mais de mil mudas de espécies nativas.
O monitoramento realizado por biólogos aponta o retorno de diversas espécies da fauna silvestre, reforçando o papel da área como corredor ecológico e habitat para animais da região.
Para a empresa, a biodiversidade passou a ser um dos principais indicadores da eficiência das práticas ambientais adotadas na produção.
Sustentabilidade e competitividade caminham juntas
Segundo Juliano Kubitza, a crescente exigência de consumidores e investidores por produtos com responsabilidade socioambiental torna indispensável a adoção de práticas sustentáveis em toda a cadeia produtiva.
Na avaliação do diretor, preservar os recursos naturais deixou de ser apenas uma obrigação ambiental para se tornar um fator de competitividade e segurança na produção de alimentos.
“Em um cenário em que consumidores e investidores valorizam rastreabilidade e responsabilidade ambiental, preservar a biodiversidade e produzir com eficiência econômica não são objetivos opostos, mas caminhos complementares para garantir a produção sustentável de alimentos no futuro”, afirma.
O modelo desenvolvido na Represa de Jaguara evidencia como inovação tecnológica, conservação ambiental e produção de proteína animal podem atuar de forma integrada, contribuindo para uma piscicultura mais eficiente e alinhada às demandas de sustentabilidade.

