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Poupança volta a registrar saldo positivo e recebe R$ 2,6 bilhões líquidos em maio

Foto: Marcello Casal Jr / Agência Brasil

Redação Plenax – Flavia Andrade

Primeiro resultado positivo do ano interrompe sequência de retiradas, mas caderneta ainda acumula perdas de R$ 39 bilhões em 2026

A caderneta de poupança voltou a registrar entrada líquida de recursos em maio, interrompendo uma sequência de saques superiores aos depósitos observada desde o início do ano. Dados divulgados nesta terça-feira (9) pelo Banco Central mostram que os brasileiros depositaram mais dinheiro do que retiraram da aplicação, resultando em um saldo positivo de R$ 2,6 bilhões no período.

Segundo o relatório, os depósitos somaram R$ 368,4 bilhões em maio, enquanto os saques alcançaram R$ 365,8 bilhões. Além disso, os rendimentos creditados nas contas totalizaram R$ 6,2 bilhões no mês.

Com o resultado, o saldo total aplicado na poupança ultrapassa a marca de R$ 1 trilhão.

Primeira alta de 2026

O desempenho de maio representa o primeiro resultado positivo da poupança neste ano. Apesar da recuperação pontual, a modalidade ainda acumula retirada líquida de R$ 39,1 bilhões entre janeiro e maio.

Nos últimos anos, a caderneta tem enfrentado dificuldades para competir com outras alternativas de investimento. Em 2024, o saldo líquido fechou negativo em R$ 15,5 bilhões. Já em 2023, as retiradas superaram os depósitos em R$ 87,8 bilhões.

Juros elevados favorecem outras aplicações

Especialistas apontam que a principal razão para a fuga de recursos da poupança tem sido o elevado patamar da taxa Selic, que torna mais atrativos investimentos de renda fixa atrelados aos juros básicos da economia.

Entre junho de 2025 e março de 2026, a Selic permaneceu em 15% ao ano, o maior nível registrado em quase duas décadas.

Na reunião mais recente do Comitê de Política Monetária (Copom), realizada em abril, o Banco Central reduziu a taxa em 0,25 ponto percentual pela segunda vez consecutiva, levando os juros para 14,5% ao ano.

Mesmo com o início do ciclo de cortes, o nível atual da Selic continua favorecendo aplicações com rentabilidade superior à oferecida pela poupança.

Inflação segue no radar

A política de juros do Banco Central continua sendo influenciada pelo comportamento da inflação. Em abril, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial da inflação brasileira, registrou alta de 0,67%.

No acumulado de 12 meses, o índice ficou em 4,39%, permanecendo dentro do intervalo de tolerância da meta estabelecida para este ano.

A expectativa do mercado agora se volta para a divulgação do IPCA de maio, prevista para a próxima sexta-feira (12), quando será possível avaliar os efeitos mais recentes sobre os preços da economia.

Cenário ainda inspira cautela

Embora o resultado positivo de maio seja visto como um sinal de recuperação da poupança, analistas avaliam que a continuidade desse movimento dependerá principalmente da trajetória dos juros e da inflação nos próximos meses.

Enquanto a Selic permanecer em níveis elevados, investimentos de renda fixa com remuneração atrelada à taxa básica tendem a continuar atraindo parte significativa dos recursos dos investidores, limitando uma retomada mais consistente da tradicional caderneta de poupança.

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