Redação Plenax – Flavia Andrade
Especialista destaca importância da vacinação e do diagnóstico precoce para evitar complicações da doença, que segue entre as principais causas de internação e morte no país
Com a chegada das temperaturas mais baixas, os casos de pneumonia voltam a aumentar em todo o Brasil, pressionando hospitais e unidades de pronto atendimento. A doença, que afeta os pulmões e pode evoluir rapidamente para quadros graves, continua sendo uma das principais causas de internação entre crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas.
De acordo com dados do Ministério da Saúde, entre janeiro e maio de 2026 foram registrados 103 mil óbitos por pneumonia, um aumento de 22% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Segundo a infectologista e docente do curso de Medicina do Centro Universitário de Jaguariúna (UniFAJ), Dra. Tânia Lossavaro, o frio não é o responsável direto pela doença, mas cria condições favoráveis para sua disseminação.
“O frio não provoca pneumonia diretamente. O que observamos é um aumento da circulação de vírus respiratórios que favorecem o desenvolvimento da doença, especialmente em pessoas mais vulneráveis.”
Vírus respiratórios aumentam o risco da doença
A pneumonia é caracterizada pela inflamação dos pulmões, comprometendo as estruturas responsáveis pelas trocas gasosas. Com isso, secreções e líquidos podem se acumular nos alvéolos, dificultando a oxigenação do organismo.
Embora possa ser causada por vírus, bactérias e, em situações específicas, fungos, os casos mais graves costumam estar associados à infecção pela bactéria Streptococcus pneumoniae, conhecida como pneumococo.
Outros agentes também podem provocar a doença, entre eles:
Haemophilus influenzae;
Mycoplasma pneumoniae;
Legionella pneumophila;
Vírus da influenza;
Vírus sincicial respiratório (VSR);
Rinovírus;
SARS-CoV-2.
Segundo a especialista, infecções virais podem abrir caminho para infecções bacterianas mais severas.
“Os rinovírus, a influenza e outros agentes respiratórios frequentemente funcionam como porta de entrada para infecções bacterianas secundárias. É por isso que uma gripe mal evoluída pode se transformar em uma pneumonia.”
A chamada “pneumonia silenciosa” exige atenção
Apesar de muitas pessoas associarem a doença à febre alta, tosse intensa e falta de ar, alguns pacientes apresentam sintomas discretos, situação conhecida popularmente como pneumonia silenciosa ou pneumonia muda.
Nesses casos, podem surgir sinais como:
Cansaço excessivo;
Sonolência;
Perda de apetite;
Tosse leve;
Mal-estar persistente.
Entre os idosos, a doença pode se manifestar por meio de confusão mental, fraqueza repentina e piora do estado geral, dificultando o diagnóstico e aumentando o risco de complicações.
Crianças e idosos concentram os casos mais graves
Embora qualquer pessoa possa desenvolver pneumonia, crianças menores de cinco anos e idosos estão entre os grupos mais vulneráveis.
Nas crianças, o sistema imunológico ainda está em desenvolvimento. Já entre os idosos, ocorre uma redução natural da capacidade de defesa do organismo, favorecendo infecções mais graves.
Os principais sintomas incluem:
Febre;
Tosse persistente;
Catarro;
Falta de ar;
Dor no peito ao respirar;
Calafrios;
Cansaço intenso.
Em crianças, também podem surgir dificuldade para respirar, irritabilidade, recusa alimentar e prostração.
Vacinação continua sendo a principal forma de prevenção
Especialistas reforçam que a pneumonia pode ser amplamente prevenida por meio da vacinação.
Além da vacina pneumocócica, indicada para crianças e grupos de risco, a imunização contra influenza e Covid-19 também reduz significativamente o risco de complicações respiratórias e hospitalizações.
“Quando dizemos prevenção da pneumonia, não estamos falando apenas da vacina pneumocócica. A vacinação contra influenza e covid-19 também desempenha um papel fundamental na redução de casos graves e hospitalizações”, destaca Dra. Tânia Lossavaro.
Outras medidas preventivas incluem manter ambientes bem ventilados, higienizar as mãos com frequência, evitar contato próximo com pessoas doentes e procurar atendimento médico diante da persistência dos sintomas.
Para a infectologista, reconhecer os sinais precocemente pode fazer toda a diferença.
“Nem toda pneumonia começa de forma dramática. Muitas vezes, ela surge após uma gripe ou resfriado que parecia inofensivo. Reconhecer os sinais precocemente, manter a vacinação em dia e procurar avaliação médica diante da persistência dos sintomas são medidas capazes de evitar complicações e salvar vidas.”

