Redação Plenax – Flavia Andrade
Levantamento do Observatório da Indústria revela manutenção da atividade em junho, menor utilização da capacidade instalada dos últimos seis anos para o período e expectativa moderadamente positiva para demanda, emprego e investimentos.
A indústria de Mato Grosso do Sul encerrou o mês de junho de 2026 com produção estável, mas em um ambiente de maior cautela entre os empresários. É o que revela a mais recente Sondagem Industrial do Observatório da Indústria da Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (Fiems), que aponta manutenção do ritmo de atividade, redução da confiança do setor e perspectivas positivas, embora moderadas, para os próximos meses.
Segundo a pesquisa, 56% das indústrias consultadas informaram que o nível de produção permaneceu inalterado em relação a maio. Já 23% registraram queda na atividade, enquanto 21% relataram aumento da produção.
Capacidade instalada atinge menor nível para junho em seis anos
Outro dado que chamou a atenção foi a utilização média da capacidade instalada, que ficou em 67% durante junho. O índice representa o pior desempenho para o mês nos últimos seis anos, indicando que parte significativa do potencial produtivo das indústrias sul-mato-grossenses permanece ociosa.
O resultado reforça um cenário de desaceleração da atividade industrial, mesmo sem uma retração generalizada da produção.
Confiança empresarial cai e fica abaixo da linha de otimismo
O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) também apresentou queda significativa em julho. O indicador recuou 4,4 pontos, encerrando o período em 48,8 pontos.
Como resultados inferiores a 50 pontos representam falta de confiança, o levantamento mostra que os empresários passaram a enxergar o ambiente econômico com maior cautela, especialmente em relação às condições atuais da economia brasileira.
Apesar disso, a percepção sobre a situação interna das empresas continua favorável. No segundo trimestre deste ano, 62% dos entrevistados classificaram a margem de lucro operacional como satisfatória ou boa. Além disso, 77% avaliaram positivamente a situação financeira de seus negócios.
Custos seguem entre os principais desafios da indústria
O aumento dos custos de produção continua sendo uma das maiores preocupações do setor industrial.
A sondagem mostra que 65% das empresas registraram alta nos preços das matérias-primas durante o segundo trimestre de 2026.
Entre os principais entraves apontados pelos empresários estão:
elevada carga tributária;
aumento ou escassez de matérias-primas;
taxas de juros elevadas.
Esses fatores continuam pressionando a competitividade da indústria e influenciando as decisões de investimento e expansão.
Empresários projetam estabilidade com possibilidade de crescimento
Mesmo diante de um cenário de menor confiança, as expectativas para os próximos seis meses permanecem relativamente otimistas.
Em relação à demanda, metade dos empresários acredita que o mercado permanecerá estável até o fim do ano, enquanto 40% esperam crescimento nas vendas. Apenas 10% projetam redução da procura pelos produtos industriais.
A intenção de compra de matérias-primas acompanha essa perspectiva. Segundo a pesquisa, 53% das empresas pretendem manter o atual volume de aquisições, 35% planejam ampliar as compras e apenas 12% avaliam reduzir os pedidos.
Emprego industrial deve permanecer estável
O mercado de trabalho também apresenta perspectiva de estabilidade.
De acordo com a sondagem, 63% das indústrias pretendem manter o número atual de funcionários nos próximos seis meses. Outros 30% afirmaram que deverão ampliar o quadro de colaboradores, enquanto apenas 7% preveem redução das equipes.
O resultado indica que, apesar das incertezas econômicas, a maior parte das empresas não projeta cortes significativos de pessoal no curto prazo.
Mais da metade das indústrias pretende investir
A disposição para investir segue em nível considerado positivo.
Embora o Índice de Intenção de Investimento tenha recuado 4,3 pontos em relação ao levantamento anterior, ele alcançou 56,6 pontos em julho, permanecendo acima da linha de neutralidade.
A pesquisa revela ainda que 53% das empresas consultadas pretendem realizar investimentos nos próximos seis meses, demonstrando que parte do setor continua apostando na expansão dos negócios, mesmo diante de um ambiente econômico mais desafiador.
O índice varia de zero a 100 pontos. Quanto maior a pontuação, maior é a intenção das indústrias de investir em novos projetos, ampliação da capacidade produtiva ou modernização das operações.

