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Plataforma usa tecnologia para ajudar eleitor a comparar propostas e acompanhar candidatos

Foto: Freepik

Redação Plenax – Flavia Andrade

Perfil Eleitoral cruza respostas de eleitores e candidatos e propõe ampliar o acesso a informações sobre disputas para o Legislativo

Uma plataforma digital criada para auxiliar eleitores na análise de propostas e posicionamentos de candidatos está sendo disponibilizada para as eleições de 2026. O Perfil Eleitoral utiliza questionários sobre temas da agenda política brasileira e cruza as respostas fornecidas pelos usuários com as declarações dos candidatos cadastrados no sistema.

A ferramenta foi desenvolvida pelo empresário e profissional de tecnologia Alexandre de Alexandri. Segundo ele, a iniciativa surgiu da percepção de que o eleitor costuma acompanhar com mais atenção a disputa presidencial, enquanto candidaturas ao Senado e à Câmara dos Deputados recebem menos atenção.

“Não adianta escolher o presidente se ele não tiver apoio no Congresso para colocar suas propostas em prática”, afirma Alexandri.

A proposta também considera o baixo nível de lembrança dos eleitores em relação aos votos dados para cargos do Legislativo. Pesquisa Datafolha mencionada pela plataforma aponta que 85% dos entrevistados se lembravam do voto para presidente nas eleições de 2022, enquanto apenas 23% recordavam em quem votaram para deputado federal. O levantamento também indicou que quatro em cada dez entrevistados não conseguiam citar nenhum senador em exercício.

Como funciona a plataforma

O eleitor responde a perguntas relacionadas a diferentes temas políticos de acordo com suas próprias convicções. Em seguida, pode visualizar quais candidatos apresentam maior compatibilidade com as posições declaradas.

A plataforma reúne candidaturas para diferentes cargos e permite a consulta por estado e vaga, com atenção especial às disputas proporcionais e ao Senado.

A coleta dos dados básicos dos candidatos começou em 16 de agosto, após o encerramento do prazo oficial para registro das candidaturas. As informações são obtidas a partir dos dados públicos disponibilizados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), por meio do sistema DivulgaCandContas.

As respostas dos candidatos são utilizadas para estabelecer a correspondência com as respostas dos eleitores. O usuário também pode atribuir pesos diferentes aos temas apresentados no questionário, indicando quais assuntos considera mais importantes.

Quanto maior o peso atribuído a determinado tema, maior a relevância daquela questão no cálculo de compatibilidade apresentado pela ferramenta.

Resultado é individual e não representa intenção de voto

O Perfil Eleitoral se apresenta como uma ferramenta apartidária de consulta e recomendação individual, e não como pesquisa de intenção de voto ou sondagem da preferência do eleitorado.

O sistema compara as respostas de cada usuário com as respostas fornecidas pelos candidatos e apresenta um resultado individualizado de compatibilidade entre as posições declaradas.

A plataforma não pretende prever o comportamento do eleitor nas urnas. O resultado depende das respostas inseridas pelos participantes e serve como instrumento de consulta sobre a convergência entre as posições apresentadas.

Para Alexandri, a ferramenta também pode ampliar a visibilidade de candidatos menos conhecidos pelo eleitorado.

“O importante é disseminar informação de qualidade e constituir uma fonte confiável, facilitando o acesso ao que foi registrado pelo TSE. Eu, como eleitor, tenho interesse nesse sistema. Torná-lo algo acessível ao grande público é um dever cívico”, afirma.

Dados dos eleitores não são disponibilizados individualmente

As respostas dos candidatos ficam disponíveis para consulta na plataforma. Já as respostas individuais dos eleitores não são apresentadas aos candidatos.

Segundo o criador, eventuais informações destinadas às candidaturas poderão ser disponibilizadas apenas de maneira estatística e agregada, permitindo identificar tendências entre os usuários sem revelar a identidade ou as respostas de uma pessoa específica.

A plataforma também não pergunta ao usuário em quem ele pretende votar ou em quem efetivamente votou. A proposta é preservar a autonomia do eleitor e manter o sistema voltado à comparação de ideias.

Segundo a plataforma, as regras da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) são observadas no tratamento das informações.

Acompanhamento dos eleitos após a votação

A proposta do Perfil Eleitoral prevê ainda o acompanhamento dos candidatos eleitos ao longo dos quatro anos de mandato.

A intenção é registrar a atuação dos políticos e posteriormente comparar as ações realizadas com as posições apresentadas durante o período eleitoral. Dessa maneira, o eleitor poderá consultar um histórico da atuação de cada eleito e verificar a relação entre compromissos assumidos e medidas efetivamente adotadas.

“Assim, o cidadão poderá chegar à próxima eleição com algo mais importante do que novas promessas: um histórico do que cada eleito efetivamente fez”, afirma Alexandri.

Projeto surgiu após décadas de atuação em tecnologia

O Perfil Eleitoral é um dos projetos desenvolvidos por Alexandre de Alexandri, profissional que atua há mais de quatro décadas na área de tecnologia.

A carreira começou na Empresa de Tecnologia da Informação e Comunicação da Prefeitura de Porto Alegre (PROCEMPA). A partir de 1981, Alexandri passou a trabalhar no segmento de desenvolvimento de softwares.

Durante dez anos, atuou na SISPRO, empresa gaúcha do setor, antes de fundar a própria companhia, em 1992.

Ao longo de mais de três décadas como empreendedor, especializou-se no desenvolvimento de soluções de software e, nos últimos 25 anos, concentrou sua atuação em sistemas jurídicos para grandes empresas, principalmente no modelo SaaS.

Há cerca de cinco anos, a empresa foi incorporada pela SOMMA, pertencente ao grupo português UON. Desde então, Alexandri participa do desenvolvimento de novas soluções para o setor jurídico.

Em maio de 2026, iniciou o desenvolvimento do Perfil Eleitoral como um projeto paralelo à atividade profissional. A iniciativa nasceu da preocupação com a forma como os eleitores acompanham as eleições e da intenção de ampliar o acesso a informações sobre candidatos de diferentes cargos.

“Essa é uma lacuna que precisamos, enquanto sociedade, preencher. Já temos mecanismos inteligentes que podem nos ajudar. Agora é trabalhar para que qualquer cidadão tenha acesso e possa fazer valer suas escolhas”, afirma.

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