Redação Plenax – Flavia Andrade
Perda involuntária de peso na terceira idade pode estar relacionada à perda de massa muscular, deficiência nutricional ou problemas de saúde e precisa ser investigada
Perder peso costuma ser associado a uma melhora na saúde, principalmente quando ocorre de forma planejada, com alimentação equilibrada e prática de atividades físicas. Depois dos 70 anos, porém, o emagrecimento involuntário pode representar um sinal de alerta e precisa ser investigado.
A redução de peso sem mudanças intencionais na alimentação ou na rotina pode estar relacionada a diferentes fatores, como alterações no apetite, dificuldades para mastigar ou engolir, efeitos de medicamentos, doenças crônicas, problemas nutricionais e perda de massa muscular.
Segundo o médico Bruno Vial, da Said Rio, especializada em assistência domiciliar, é importante identificar se o emagrecimento foi intencional e quais componentes do organismo estão sendo perdidos.
“Quando um idoso emagrece sem estar tentando, não devemos simplesmente comemorar a redução na balança. É importante investigar se houve perda de gordura, de massa muscular ou de ambas. A perda muscular é especialmente preocupante porque pode comprometer força, equilíbrio, mobilidade e autonomia”, explica.
Mudanças podem ser percebidas no dia a dia
O emagrecimento involuntário pode acontecer gradualmente e passar despercebido pela família. Alterações no caimento das roupas, redução do apetite, cansaço frequente e maior dificuldade para realizar atividades cotidianas podem indicar que algo mudou.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), a perda involuntária de peso em idosos é um sinal de alerta que deve ser investigado, já que pode estar relacionada a diferentes condições clínicas.
Entre as possíveis causas estão problemas gastrointestinais, alterações hormonais, infecções, doenças crônicas, depressão, alterações cognitivas e efeitos colaterais de medicamentos.
Aspectos sociais também podem interferir na alimentação, incluindo dificuldades para comprar ou preparar refeições e o isolamento social.
“Não existe uma única causa para o emagrecimento involuntário. Por isso, a avaliação precisa considerar o histórico do paciente, os medicamentos utilizados, a alimentação, o estado emocional, a capacidade funcional e possíveis doenças”, destaca o médico.
Perder músculos pode ser mais preocupante que perder peso
Outro fator que merece atenção durante o envelhecimento é a sarcopenia, caracterizada pela perda progressiva de massa e força muscular.
Mesmo quando o peso corporal sofre pouca alteração, o idoso pode perder tecido muscular e apresentar aumento proporcional da gordura corporal. Por isso, observar somente o número indicado pela balança não é suficiente para avaliar o estado nutricional.
“A massa muscular tem relação direta com a independência. Um idoso que perde força pode começar a ter dificuldade para levantar da cama ou da cadeira, caminhar, tomar banho sozinho e realizar outras atividades. Isso aumenta também o risco de quedas e dependência”, afirma Vial.
A preservação da massa muscular depende, entre outros fatores, de uma alimentação adequada. Proteínas, vitaminas, minerais, fibras e hidratação devem fazer parte da rotina, considerando as necessidades individuais de cada pessoa.
A alimentação, entretanto, não deve seguir uma fórmula única. Idosos com diabetes, doença renal, dificuldade de deglutição ou outras condições de saúde podem apresentar necessidades nutricionais específicas e precisam de avaliação individualizada.
Família e cuidadores podem ajudar a identificar mudanças
O acompanhamento de diferentes profissionais de saúde pode contribuir para identificar alterações no estado nutricional e funcional do idoso e adaptar os cuidados às suas necessidades.
Familiares e cuidadores também têm papel importante nesse processo. Observar a quantidade de comida ingerida, dificuldades para mastigar ou engolir, recusa frequente de refeições, alterações de humor e redução da disposição pode ajudar a identificar mudanças que precisam ser comunicadas à equipe de saúde.
“Mais importante do que olhar apenas para o peso é observar o conjunto. Se o idoso está comendo menos, perdeu força, está mais cansado ou deixou de realizar atividades que antes fazia sozinho, é importante procurar avaliação. O envelhecimento não deve ser usado como justificativa para todas as mudanças”, conclui Bruno.

