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Pantanal de MS avança em projeto inédito de créditos de biodiversidade com foco na preservação ambiental

Foto: Fibracon

Redação Plenax – Flavia Andrade

Iniciativa apresentada em Campo Grande busca transformar conservação do Pantanal em modelo sustentável de financiamento

O Mato Grosso do Sul dá mais um passo rumo à implementação de um modelo inovador de créditos de biodiversidade no Pantanal, iniciativa que pretende transformar a preservação ambiental em uma alternativa concreta de financiamento para áreas protegidas.

O projeto será apresentado nesta quarta-feira (27), durante evento realizado no Hotel Deville, em Campo Grande, reunindo representantes do poder público, pesquisadores, organizações da sociedade civil, parceiros técnicos e setor privado.

A proposta está centrada no Parque Estadual do Pantanal do Rio Negro (PEPRN), considerado área estratégica para implantação de mecanismos econômicos voltados à conservação da biodiversidade.

Projeto busca criar modelo replicável no Brasil

O encontro marca o início oficial do projeto “Mecanismo de Créditos de Biodiversidade para o Parque Estadual do Pantanal do Rio Negro”, financiado pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF).

A iniciativa integra o projeto nacional voltado à conservação, restauração e manejo da biodiversidade nos biomas Caatinga, Pampa e Pantanal.

A coordenação é do Ministério do Meio Ambiente (MMA), com implementação do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e execução do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (FUNBIO).

A realização local envolve a Wetlands International Brasil, a Mupan — Mulheres em Ação no Pantanal, além do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) e da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc).

Estudos apontam potencial para geração de créditos ambientais

Os estudos técnicos desenvolvidos entre 2024 e 2025 identificaram grande potencial do parque para geração de créditos ambientais e adoção de soluções baseadas na natureza.

Em julho de 2025, a análise de viabilidade foi entregue oficialmente à Semadesc e ao Imasul, consolidando uma agenda conjunta entre governo, sociedade civil e instituições parceiras.

Segundo os organizadores, o objetivo é estruturar mecanismos financeiros capazes de garantir sustentabilidade de longo prazo para ações de conservação ambiental.

Onça-pintada será indicador ecológico do projeto

Um dos diferenciais do projeto é a adoção da metodologia baseada em “espécie guarda-chuva”, utilizando a onça-pintada como indicador da saúde do ecossistema pantaneiro.

O trabalho prevê:

  • monitoramento ecológico;
  • uso de armadilhas fotográficas;
  • análise genética ambiental (eDNA);
  • definição de indicadores ambientais;
  • construção de mecanismos de governança;
  • estruturação jurídica e financeira para comercialização dos créditos.

A proposta também inclui a criação de uma linha de base para mensuração dos impactos positivos gerados pela conservação da biodiversidade.

Conservação ambiental passa a ter viabilidade econômica

Para especialistas envolvidos, a iniciativa representa um avanço importante na busca por alternativas econômicas capazes de fortalecer áreas protegidas.

A secretária-executiva da Semadesc, Ana Cristina Trevelin, afirma que o Parque Estadual do Pantanal do Rio Negro vem se consolidando como um laboratório de inovação ambiental.

“A articulação entre instituições públicas, organizações da sociedade civil e parceiros técnicos fortalece a capacidade do Estado de desenvolver soluções baseadas na natureza com potencial de replicação”, destacou.

Já o gerente de portfólio do FUNBIO, Rodolfo Marçal, afirma que o projeto pode abrir novos caminhos para financiar a conservação ambiental no país.

Evento debate futuro sustentável do Pantanal

O encontro em Campo Grande integra uma agenda global voltada à criação de instrumentos econômicos capazes de unir preservação ambiental, desenvolvimento sustentável e sustentabilidade financeira de áreas protegidas.

Segundo a diretora-executiva da Wetlands International Brasil e diretora técnico-científica da Mupan, Rafaela Nicola, o objetivo é criar mecanismos permanentes de proteção ao Pantanal.

“Buscamos estruturar caminhos que garantam sustentabilidade financeira às ações necessárias para o manejo e conservação das áreas protegidas”, afirmou.

Serviço

Data: 27 de maio de 2026
Horário: a partir das 14h
Local: Hotel Deville — Campo Grande/MS

Inscrições: Formulário de inscrição

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