Redação Plenax – Flavia Andrade
Ação conjunta percorreu áreas protegidas da Mata Atlântica em quatro municípios e reforçou o combate aos crimes ambientais na região
Uma operação realizada pelo Governo de São Paulo resultou na prisão de um foragido da Justiça, apreensão de armas e munições e destruição de estruturas utilizadas por caçadores ilegais em áreas de Mata Atlântica no Litoral Norte paulista. Batizada de Operação Venatores, a força-tarefa mobilizou 90 agentes durante oito dias de fiscalização em unidades de conservação localizadas nos municípios de Ubatuba, Caraguatatuba, São Sebastião e Ilhabela.
A ação foi coordenada pela Fundação Florestal, vinculada à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), em parceria com a Polícia Militar Ambiental. Esta foi a primeira grande operação de combate à caça ilegal realizada após a criação da Diretoria de Proteção Ambiental da Fundação Florestal, instituída no início de 2026.
Operação percorreu mais de 50 quilômetros em áreas de preservação
Entre os dias 20 e 27 de maio, as equipes realizaram incursões terrestres e marítimas em dez trilhas distribuídas por áreas estratégicas da Mata Atlântica paulista. Ao todo, foram mais de 38 horas de atividades em campo e cerca de 50 quilômetros percorridos em regiões consideradas vulneráveis à atuação de caçadores e outros infratores ambientais.
Durante a operação, os agentes localizaram e destruíram seis ranchos clandestinos utilizados como base por caçadores ilegais, além de nove jiraus e trepeiros — estruturas montadas para observação e captura de animais silvestres. Também foram desativadas duas cevas, mecanismos usados para atrair a fauna local.
Além das estruturas ilegais, foram apreendidos armamentos e munições em situação irregular.
Unidades de conservação foram alvo da fiscalização
As ações ocorreram em áreas protegidas consideradas estratégicas para a conservação da biodiversidade paulista, incluindo os núcleos Picinguaba, Caraguatatuba e São Sebastião do Parque Estadual Serra do Mar, além do Parque Estadual de Ilhabela e da Área de Proteção Ambiental (APA) Marinha do Litoral Norte.
Segundo o diretor de Proteção Ambiental da Fundação Florestal, Adriano Candeias, a operação representa um avanço importante na defesa dos ecossistemas da região.
“O trabalho integrado entre os órgãos ambientais e de segurança fortalece a proteção das unidades de conservação e amplia a capacidade de combate aos crimes que ameaçam a biodiversidade da Mata Atlântica”, destacou.
Tecnologia e inteligência reforçaram fiscalização
Para ampliar a eficiência das ações em áreas remotas e de difícil acesso, as equipes utilizaram recursos de inteligência, monitoramento aéreo, sistemas avançados de rastreamento e tecnologias de comunicação via satélite.
O planejamento também contou com investigações de campo e monitoramento prévio dos pontos considerados críticos para a prática da caça ilegal.
De acordo com a Polícia Militar Ambiental, o uso combinado de tecnologia e presença operacional foi fundamental para identificar e desarticular estruturas utilizadas por infratores ambientais.
Operação mobilizou 90 agentes e 35 veículos
Ao longo dos oito dias de atividades, a força-tarefa reuniu 90 profissionais e contou com o apoio de 33 viaturas terrestres e duas embarcações.
As ações foram distribuídas de forma estratégica entre os municípios da região. Os primeiros dias concentraram esforços em Ubatuba. Em seguida, as equipes atuaram em Caraguatatuba e São Sebastião. Já no dia 26, houve atuação simultânea por terra e mar em áreas insulares e costeiras. O encerramento ocorreu em Ubatuba, com reforço do efetivo operacional.
Proteção da fauna e preservação ambiental
Além de combater a caça ilegal, a Operação Venatores teve como objetivo coibir a degradação florestal e outros crimes ambientais que ameaçam espécies nativas e ecossistemas protegidos da Mata Atlântica.
A expectativa do Governo de São Paulo é que ações integradas desse porte se tornem cada vez mais frequentes, fortalecendo a preservação ambiental e garantindo a proteção de espécies ameaçadas de extinção, além dos serviços ambientais prestados pelas florestas do Litoral Norte à população.

