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Ministro alerta que combate aos incêndios na Amazônia depende da participação da população

Foto: Diego Campos / Secom-PR

Redação Plenax – Flavia Andrade

João Paulo Capobianco destaca ações federais no Pará, reforço na fiscalização e responsabilização de proprietários rurais; mudanças climáticas e El Niño agravam o risco de queimadas

O combate aos incêndios florestais na Amazônia depende não apenas da atuação dos órgãos públicos, mas também da colaboração da população para evitar queimadas e denunciar práticas criminosas. O alerta foi feito nesta quarta-feira (28) pelo ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, durante entrevista ao programa Bom Dia, Ministro.

Segundo o ministro, a maioria dos focos de incêndio tem origem em ações humanas, como a queima de lixo, o uso descuidado do fogo e práticas intencionais. A situação é agravada pelas mudanças climáticas, pelo aquecimento global e pelos efeitos do El Niño, que contribuem para a estiagem e a redução da umidade nas florestas.

“Sem essa participação não haverá solução, porque isso é algo colocado pelas pessoas. Temos que conscientizá-las que isso destrói o meio ambiente, mas não só isso. Também prejudica a saúde das pessoas de forma muito grave”, afirmou Capobianco.

O ministro também ressaltou que a quantidade de focos em áreas extensas e de difícil acesso torna insuficiente a capacidade operacional dos órgãos de combate quando não há prevenção. Por isso, defendeu que a população deixe de provocar queimadas e denuncie quem utiliza o fogo de maneira irregular.

Pará recebe reforço no combate aos incêndios

Ao comentar a situação no Pará, Capobianco informou que o Governo Federal mobilizou equipes, aeronaves e veículos para enfrentar os incêndios florestais no estado.

De acordo com o ministro, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) extinguiu 114 grandes incêndios florestais na região. Para reforçar as operações, foram deslocadas seis aeronaves, além de dois helicópteros e 25 veículos terrestres de grande capacidade.

Quase 500 brigadistas do Ibama e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) atuam em conjunto com os corpos de bombeiros. O governo também transferiu aproximadamente R$ 45 milhões para apoiar as ações do Corpo de Bombeiros no estado.

Capobianco relatou que milhares de focos de calor surgiram simultaneamente, dificultando o trabalho das equipes federais e estaduais. O governo pretende concentrar esforços para conter os incêndios em Santarém e na região do entorno.

As investigações sobre possíveis incêndios criminosos continuam. Segundo o ministro, a Polícia Federal deslocou agentes para a região, e os responsáveis identificados deverão ser punidos.

Governo prepara novas medidas para prevenir queimadas

Questionado sobre as ações previstas para 2027, especialmente diante dos impactos dos incêndios na qualidade do ar em Manaus, o ministro afirmou que a prevenção precisa ser permanente e combinada com a fiscalização.

Uma das prioridades será ampliar a capacidade de identificar e reprimir incêndios criminosos. Para isso, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) recebeu recursos do Fundo Amazônia para aprimorar seus sistemas de monitoramento.

Outra frente envolve os proprietários rurais, que, segundo Capobianco, precisam assumir responsabilidades na prevenção e no controle do fogo em suas propriedades. Entre as medidas defendidas estão a formação de brigadas, a adoção de ações preventivas e a disponibilidade de equipamentos.

“O outro lado é envolver os proprietários rurais, porque eles têm responsabilidade sobre o que ocorre no seu território. Eles precisam assumir essa responsabilidade com brigadistas, ações preventivas e equipamentos, porque um incêndio, quando você apaga no início, você o controla. Depois que ele ganha dimensão muito grande, a dificuldade é enorme”, explicou.

O ministro também destacou a Lei do Manejo Integrado do Fogo, aprovada em 2024 e cuja implementação começou em 2025. A legislação prevê maior articulação entre União, estados, municípios e proprietários rurais para prevenir e enfrentar incêndios.

Segundo Capobianco, o governo iniciou ações de capacitação e apoio aos corpos de bombeiros dos estados da Amazônia e do Cerrado, mas ainda há necessidade de ampliar a estrutura de prevenção e resposta.

Mudanças climáticas deixam florestas mais vulneráveis

Capobianco explicou que o aquecimento global e o El Niño agravam as condições que favorecem a propagação do fogo. Historicamente, a elevada umidade das florestas tropicais contribuía para sua resistência aos incêndios. Com a mudança do clima e a redução da umidade, essa proteção natural diminui.

“O aquecimento global criou uma situação para nós, um país tropical, complexa. Nossas florestas sempre foram resistentes ao incêndio por serem muito úmidas. Com a mudança do clima, elas estão perdendo essa resistência. Estão se tornando mais vulneráveis aos incêndios florestais”, afirmou.

O ministro acrescentou que a combinação de períodos mais secos com o uso inadequado do fogo amplia o risco de incêndios de grandes proporções. Para ele, além de melhorar o monitoramento e a capacidade de resposta, é essencial conscientizar a população e responsabilizar quem provoca queimadas.

A entrevista foi realizada no programa Bom Dia, Ministro, uma coprodução da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom/PR) e da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). Participaram desta edição veículos de comunicação de Santarém (PA), Teresina (PI), Manaus (AM), Cuiabá (MT), Belém (PA) e Campo Grande (MS), entre eles o jornal Correio do Estado.

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