Redação Plenax – Flavia Andrade
Com investimento superior a R$ 5 bilhões pelo Novo PAC, fábrica da Petrobras deve gerar 8 mil empregos e reduzir a dependência brasileira da importação de ureia
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou nesta quinta-feira (25), em Três Lagoas (MS), da cerimônia que marcou a retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III). Considerado um dos principais projetos industriais da Petrobras, o empreendimento receberá mais de R$ 5 bilhões em investimentos por meio do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e deverá fortalecer a produção nacional de fertilizantes, além de impulsionar a economia do Mato Grosso do Sul.
Durante o evento, Lula destacou que ampliar a fabricação de fertilizantes é uma questão estratégica para garantir maior autonomia ao país.
“Esse país vai construir sua soberania sendo independente de importação de fertilizantes”, afirmou o presidente.
Segundo Lula, a meta é fazer com que o Brasil produza mais de 70% dos fertilizantes consumidos internamente.
“Um país jamais será soberano se ele não for dono das coisas principais que produz”, declarou.
Obra estava paralisada desde 2015
A construção da UFN-III havia sido interrompida em 2015. Após nova avaliação técnica e econômica, a Petrobras confirmou a viabilidade do empreendimento, que passou a integrar o Plano de Negócios 2026-2030 da estatal.
Para o presidente, a retomada corrige um atraso em um setor considerado essencial para o agronegócio brasileiro.
“Como um dos maiores produtores de alimentos do mundo poderia manter uma fábrica desse porte parada?”, questionou durante o discurso.
Geração de empregos e impacto na economia regional
Além da importância estratégica para o setor agrícola, a retomada das obras deve movimentar a economia de Três Lagoas e região.
A expectativa é de que sejam criados aproximadamente 8 mil empregos diretos e indiretos, além de impulsionar segmentos como construção civil, transporte, comércio, hospedagem, alimentação e prestação de serviços.
Reconhecida como um dos principais polos industriais de Mato Grosso do Sul, Três Lagoas deverá ampliar ainda mais sua relevância com a instalação de uma das maiores unidades de fertilizantes da América Latina.
Produção atenderá cerca de 16% da demanda nacional
Quando entrar em operação, prevista para 2029, a UFN-III terá capacidade para produzir diariamente:
3.600 toneladas de ureia granulada;
2.200 toneladas de amônia.
Ao longo de um ano, a produção deverá alcançar cerca de 1,3 milhão de toneladas de ureia, volume equivalente a aproximadamente 16% da demanda brasileira pelo insumo.
A localização da planta também é considerada estratégica. O Centro-Oeste concentra aproximadamente 40% do consumo nacional de ureia, utilizada principalmente nas culturas de milho, soja, cana-de-açúcar, algodão e na formação de pastagens.
Segundo a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, a proximidade com os principais polos agrícolas reduzirá custos logísticos e aumentará a segurança no abastecimento.
“Isso é emprego na veia e fertilizante para Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná e São Paulo”, afirmou.
Projeto integra estratégia nacional para reduzir importações
A retomada da UFN-III faz parte da política do Governo Federal e da Petrobras para reconstruir a capacidade brasileira de produção de fertilizantes nitrogenados.
Além da unidade de Três Lagoas, o plano contempla investimentos nas fábricas Fafen-BA, Fafen-SE e ANSA.
Com todas as unidades em funcionamento, a Petrobras estima atender cerca de 35% do mercado nacional de ureia até 2029.
A estratégia busca reduzir a dependência das importações, que chegou a representar praticamente todo o consumo brasileiro após a paralisação das plantas nacionais. A necessidade de ampliar a produção interna ganhou ainda mais importância após os impactos da guerra entre Rússia e Ucrânia, que afetou o mercado internacional de fertilizantes e elevou os custos para o agronegócio.
Novo PAC
A ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, ressaltou que a retomada da fábrica integra o Novo PAC, programa voltado à ampliação dos investimentos em infraestrutura no país.
Segundo ela, além de grandes obras estruturantes, o programa contempla investimentos em mobilidade urbana, saúde, drenagem e habitação nos municípios.
Três Lagoas reforça posição como polo industrial
O prefeito Cassiano Maia afirmou que a retomada representa um novo ciclo de desenvolvimento para o município e destacou o trabalho realizado para preservar a estrutura da unidade durante os anos em que permaneceu paralisada.
Já a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, destacou que Três Lagoas se consolidou como referência industrial e classificou a UFN-III como a maior fábrica de fertilizantes nitrogenados da América Latina, reforçando a importância estratégica do empreendimento para o desenvolvimento econômico do Mato Grosso do Sul e do Brasil.

