Redação Plenax – Flavia Andrade
Plano prevê nova indústria em Missal, expansão da unidade de São Miguel do Iguaçu e entrada de mais 130 produtores integrados até 2032
A Lar Cooperativa Agroindustrial anunciou um plano de investimentos de aproximadamente R$ 268 milhões para ampliar sua atuação na piscicultura no Paraná. O projeto foi apresentado durante o IFC Brasil 2026, realizado em Foz do Iguaçu, e prevê R$ 118 milhões em investimentos industriais, além de cerca de R$ 150 milhões que deverão ser aplicados pelos produtores integrados na ampliação das estruturas de criação.
A estratégia prevê a construção de uma nova indústria de peixes em Missal, no Oeste do Paraná, e a expansão da unidade que já funciona em São Miguel do Iguaçu. A cooperativa pretende aumentar de 40 para 170 o número de piscicultores integrados e ampliar de 100 para 400 hectares a área de lâmina d’água até 2032. Com a expansão, a projeção é alcançar 950 toneladas de pescado por mês e gerar 550 empregos diretos.
Nova indústria deve começar a operar em 2028
A nova Unidade Industrial de Peixes, em Missal, receberá inicialmente R$ 100 milhões e terá 10,8 mil metros quadrados de área construída. A terraplanagem está prevista para setembro de 2026, enquanto as obras civis devem começar em março de 2027. A previsão é que a indústria entre em operação em outubro de 2028.
A unidade deverá iniciar o abate com capacidade para 35 mil peixes por dia, avançando gradualmente até atingir 90 mil animais diariamente em 2031. Em 2032, a estimativa é chegar a 622 toneladas de produto acabado por mês.
O empreendimento deverá gerar 120 empregos diretos no início das operações e alcançar 250 trabalhadores até 2030. A escolha de Missal levou em consideração estudos da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), além da proximidade com o reservatório de Itaipu.
Para o diretor-presidente da Lar Cooperativa Agroindustrial, Irineo da Costa Rodrigues, a piscicultura representa uma nova frente de agregação de valor à produção regional.
“A cooperativa se desenvolveu buscando agregar valor aos grãos por meio da produção de carnes. Temos uma avicultura e uma suinocultura sólidas e agora chegou a hora do peixe. Esses investimentos representam mais renda nas pequenas propriedades e mais empregos diretos e indiretos”, afirmou.
São Miguel do Iguaçu também terá expansão
A Lar também prevê R$ 18 milhões para ampliar a unidade industrial de São Miguel do Iguaçu. O objetivo é otimizar o segundo turno de produção e elevar o abate para 40 mil peixes por dia até o fim de 2027 e 50 mil em 2028.
Com a expansão, a planta deverá alcançar capacidade de 330 toneladas de produto acabado por mês. O projeto também prevê a contratação de 165 trabalhadores, a integração de 30 novos produtores e a incorporação de 44 hectares de lâmina d’água.
A produção será apoiada pela fábrica de rações da cooperativa em Marechal Cândido Rondon, cuja estrutura está preparada para atender uma produção equivalente a até 150 mil peixes por dia. O modelo reúne fornecimento de insumos, criação nas propriedades e processamento industrial.
Expansão também chega às propriedades rurais
Além dos investimentos industriais, a cooperativa estima que os produtores integrados deverão aplicar R$ 150 milhões até 2032 na ampliação das estruturas de criação. A expansão exigirá investimentos em viveiros, manejo, assistência técnica, sanidade e eficiência produtiva.
No mesmo dia do anúncio, a Lar inaugurou a Unidade Operacional Boa Esperança, na área rural de Missal. O empreendimento recebeu R$ 17 milhões e foi estruturado para ampliar o atendimento aos produtores da região. A unidade tem capacidade de armazenamento de 1.315 toneladas e equipamentos para recebimento de grãos.
A diretora-executiva do IFC Brasil, Eliana Panty, destacou que a apresentação do projeto durante o congresso demonstra a importância do evento para aproximar o debate sobre o futuro da aquicultura de decisões concretas de investimento.
O IFC Brasil 2026 foi realizado de 2 a 4 de setembro, em Foz do Iguaçu, reunindo representantes da produção, indústria, varejo, pesquisa e governo para discutir temas como competitividade, custos, sanidade, inovação, abertura de mercados, consumo e expansão da capacidade industrial da aquicultura brasileira.
Outras informações sobre o IFC Brasil: ifcbrasil.com.br

