Redação Plenax
As negociações entre Brasil e Paraguai para a revisão do Anexo C do Tratado de Itaipu avançam com a perspectiva de redução na tarifa de energia da usina binacional a partir de 2027. A sinalização foi feita pelo diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional, Enio Verri, durante entrevista concedida em Foz do Iguaçu (PR).
Segundo Verri, a expectativa é que ainda em 2026 seja anunciada uma nova estrutura tarifária, com valores mais baixos para os próximos anos. A meta, de acordo com ele, é posicionar a energia de Itaipu como a mais barata do país.
Atualmente, a tarifa segue um modelo provisório. Embora o custo definido entre 2024 e 2026 seja de US$ 19,28 por quilowatt/mês, o valor praticado no Brasil está em US$ 17,66, viabilizado por aportes adicionais da própria usina para conter impactos ao consumidor.
A revisão ocorre no contexto do tratado firmado em 1973, que previa a reavaliação das bases financeiras após 50 anos. O Anexo C regula justamente os critérios de custo, preço e prestação dos serviços de eletricidade.
Interesses divergentes
A negociação envolve interesses distintos entre os dois países. Enquanto o Brasil busca reduzir o custo da energia para consumidores e setor produtivo, o Paraguai defende tarifas mais elevadas para ampliar receitas e investir em desenvolvimento.
Hoje, a energia gerada por Itaipu é dividida igualmente entre os países, mas o Paraguai não consome toda a sua parte e comercializa o excedente. Uma das alternativas em քննարկ discussão é permitir que essa energia seja vendida diretamente no mercado livre brasileiro.
Peso estratégico
Com 20 unidades geradoras e capacidade instalada de 14 mil megawatts, Itaipu é uma das maiores hidrelétricas do mundo e responde por cerca de 8% do consumo elétrico brasileiro e aproximadamente 78% da demanda do Paraguai.
As decisões sobre o futuro tarifário dependem de consenso entre os dois países e ainda precisarão passar pelos respectivos parlamentos após a conclusão das negociações.
Modernização em curso
Paralelamente às tratativas, a usina passa por um amplo processo de modernização iniciado em 2022. O plano prevê investimentos de cerca de US$ 900 milhões até 2035, com foco na atualização de sistemas eletrônicos e computacionais, além da modernização do centro de controle e das unidades geradoras.
A empresa também estuda ampliar a capacidade de geração, seja com novas turbinas ou com ganho de eficiência nas estruturas atuais, o que pode impactar ainda mais a oferta de energia nos próximos anos.

