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Intervenção urbana em Campo Grande debate presença de mulheres negras na política

Foto: Divulgação

Redação Plenax – Flavia Andrade

Lambe-lambes com a frase “Não vote em branco, vote em mulher preta” foram instalados pelo Coletivo Geni em diferentes pontos da cidade

Moradores de Campo Grande se depararam, nesta quarta-feira (30), com uma intervenção urbana que utiliza cartazes espalhados pela cidade para provocar uma discussão sobre representação política e a presença de mulheres negras nos espaços de decisão.

A ação foi realizada durante a madrugada pelo Coletivo Geni e traz a frase “Não vote em branco, vote em mulher preta”. Ao lado do texto, os cartazes apresentam uma imagem de Nossa Senhora Aparecida.

Segundo o coletivo, a escolha dos elementos busca relacionar discussões sobre representação, identidade racial e liberdade religiosa. A iniciativa ocorre em meio ao período eleitoral e às discussões recentes sobre a relação entre religião e política.

Religião e representação

Uma das referências utilizadas pelo grupo é a repercussão de uma declaração recente do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro sobre a possibilidade de, caso eleito, declarar o Brasil como pertencente ao Senhor Jesus Cristo. A fala foi seguida por debates públicos sobre religião, Estado laico e diversidade religiosa.

A discussão também recuperou o histórico do Projeto de Lei 2.623/2007, apresentado pelo então deputado Professor Victório Galli. A proposta pretendia alterar a legislação que trata do feriado de 12 de outubro e substituir a expressão “Padroeira do Brasil” por “Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”. O projeto foi arquivado em agosto de 2008.

Para Ladi Souza, cofundadora do Coletivo Geni e candidata a deputada estadual pelo PT, a utilização da imagem de Nossa Senhora Aparecida também pretende abordar a dimensão racial da representação da santa e defender o respeito à diversidade religiosa.

“Nossa Senhora Aparecida faz parte da história e da fé de milhões de brasileiros, assim como as religiões de matriz africana fazem parte da história e da cultura do nosso país. Defender a liberdade religiosa significa respeitar todas essas manifestações, sem que nenhuma fé seja usada para diminuir ou atacar a outra”, afirma.

Representação política

A frase utilizada nos cartazes coloca no centro da discussão a participação de mulheres negras na política e a composição dos espaços institucionais de poder.

Nas eleições de 2022, Mato Grosso do Sul elegeu 24 deputados estaduais para a legislatura seguinte. Segundo dados divulgados à época, 22 eram homens e duas eram mulheres. Entre os eleitos, três parlamentares se declararam negros — um preto e dois pardos.

A baixa presença de mulheres negras também é apontada pelo coletivo como uma das questões que motivaram a intervenção.

A pauta faz parte das propostas apresentadas por Ladi Souza em sua candidatura à Assembleia Legislativa, que incluem medidas relacionadas ao enfrentamento do racismo estrutural e institucional e ações afirmativas nas áreas de educação, qualificação profissional, inovação e empreendedorismo.

Entre as propostas mencionadas estão políticas de permanência para estudantes quilombolas da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), incluindo iniciativas relacionadas a bolsas, moradia, transporte, alimentação, apoio acadêmico e iniciação científica.

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