Redação Plenax – Flavia Andrade
Pressionada pelos preços dos combustíveis e pelos reflexos da guerra no Oriente Médio, a inflação brasileira voltou a subir nas projeções do mercado financeiro. O Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (11) pelo Banco Central elevou de 4,89% para 4,91% a estimativa para o IPCA em 2026, marcando a nona alta consecutiva nas previsões.
Com o novo percentual, a inflação segue acima do teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 3%, com margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%.
O avanço das projeções ocorre em meio ao aumento dos custos de combustíveis, alimentos e transportes, fatores que continuam pressionando o orçamento das famílias e dificultando o controle inflacionário no país.
Dados mais recentes do IBGE mostram que a inflação oficial de março fechou em 0,88%, acima dos 0,7% registrados em fevereiro. No acumulado de 12 meses, o IPCA atingiu 4,14%.
Apesar do cenário de pressão inflacionária, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu na semana passada a taxa básica de juros, a Selic, em 0,25 ponto percentual, levando os juros para 14,5% ao ano. Foi o segundo corte consecutivo após a taxa permanecer em 15% entre junho de 2025 e março deste ano, o maior nível em quase duas décadas.
Mesmo com a redução, o Banco Central mantém cautela diante das incertezas internacionais. Em ata divulgada após a reunião, o Copom informou que segue monitorando os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre a inflação global, especialmente nos preços de energia e alimentos.
A expectativa do mercado é de que a Selic encerre 2026 em 13% ao ano. Para 2027 e 2028, a projeção aponta recuo gradual para 11,25% e 10%, respectivamente.
O boletim também manteve a estimativa de crescimento da economia brasileira em 1,85% neste ano. Para 2027, a projeção do Produto Interno Bruto (PIB) passou de 1,75% para 1,76%.
Já a previsão para o dólar ao fim de 2026 segue em R$ 5,20.
Mesmo diante do cenário internacional turbulento, o mercado avalia que a economia brasileira continuará em trajetória de crescimento moderado, embora sob impacto dos juros elevados e da persistência inflacionária.

