Redação Plenax – Flavia Andrade
Dados obtidos pela Cannect via Lei de Acesso à Informação mostram estabilidade no número de autorizações da Anvisa ao longo de 2026
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou 18.339 importações de produtos à base de cannabis medicinal em maio de 2026. O número mantém o setor em patamar elevado e próximo ao registrado nos primeiros meses do ano, indicando continuidade na procura por produtos utilizados em tratamentos com canabinoides no Brasil.
Os dados fazem parte de um levantamento da Cannect, ecossistema de saúde com atuação no segmento de cannabis medicinal, realizado a partir de informações obtidas junto ao governo federal por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI).
Em janeiro, foram registradas 18.998 autorizações, enquanto fevereiro contabilizou 18.965. Em março ocorreu o maior volume do ano, seguido por 18.616 autorizações em abril. Com o resultado de maio, os números permanecem em uma faixa semelhante ao longo de 2026.
Mercado mantém ritmo de autorizações
Para Allan Paiotti, CEO da Cannect, a manutenção do volume de importações demonstra que os pacientes estão recorrendo ao tratamento de forma contínua, e não apenas em caráter experimental.
“A estabilidade nas importações prova que os pacientes não estão apenas testando a cannabis medicinal, mas mantendo seus tratamentos rigorosamente em dia porque encontram qualidade de vida real”, afirma.
Segundo o executivo, a continuidade dos tratamentos também reforça a importância do acompanhamento médico e de equipes multidisciplinares, principalmente no atendimento de pacientes com condições crônicas.
“O grande desafio no tratamento de condições crônicas sempre foi evitar o abandono. Quando os dados governamentais mostram a manutenção desse alto volume de pedidos mês a mês, fica claro que a estruturação de ecossistemas de saúde e o suporte de equipes multidisciplinares estão fazendo a diferença para dar segurança ao paciente brasileiro em sua jornada”, completa Paiotti.
Novas regras alteram cenário regulatório
O crescimento do setor ocorre em meio a mudanças no marco regulatório brasileiro para produtos derivados de cannabis.
Entre as alterações citadas pela empresa está a entrada em vigor da RDC 1.015/2026, que substitui a RDC 327/2019 e atualiza regras relacionadas aos produtos disponibilizados em farmácias.
O cenário regulatório também passou por mudanças relacionadas ao cultivo nacional de cannabis para fins medicinais e científicos. As novas regras ampliam as possibilidades de produção no país e estabelecem condições para a participação brasileira na cadeia de fornecimento de produtos e insumos derivados da planta.
Uso medicinal abrange diferentes condições
A cannabis medicinal vem sendo estudada e utilizada em diferentes contextos terapêuticos, mas a evidência científica e as indicações variam de acordo com a condição de saúde, o produto utilizado e os canabinoides envolvidos.
Entre as áreas de pesquisa e utilização estão o manejo de determinados tipos de dor e algumas condições neurológicas. A utilização dos produtos deve ocorrer com avaliação e acompanhamento de profissionais habilitados, considerando indicação, composição, dose, possíveis efeitos adversos e interações com outros medicamentos.
Os dados de maio, na avaliação da Cannect, reforçam a percepção de que o mercado brasileiro atravessa uma fase de maior estabilidade após os picos registrados no início de 2026. O levantamento também aponta para a continuidade da procura por tratamentos à base de cannabis medicinal no país.

