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Grupo Pereira amplia aproveitamento de frutas, legumes e verduras e projeta evitar descarte de 8,3 mil toneladas

Foto: Divulgação

Redação Plenax – Flavia Andrade

Projeto já recuperou 371 toneladas de alimentos e deve chegar a 113 lojas das bandeiras Fort Atacadista e Comper até o fim do ano

O Grupo Pereira está ampliando uma iniciativa de aproveitamento e gestão de resíduos de frutas, legumes e verduras (FLV) que busca reduzir o desperdício de alimentos, gerar economia operacional e diminuir impactos ambientais. O projeto já foi implantado em cerca de 40 lojas e tem previsão de chegar às 113 unidades das bandeiras Fort Atacadista e Supermercados Comper até o fim de 2026.

A iniciativa começou a partir da revisão de processos internos e envolve áreas de ESG, operações, comercial e prevenção de perdas. O acompanhamento dos produtos é realizado desde o recebimento nas lojas até a exposição, venda e destinação, com alternativas ao descarte sempre que os alimentos ainda estiverem próprios para consumo.

A companhia estima que, considerando os resultados obtidos até agora, o modelo possa evitar o descarte de 8.357 toneladas de FLV somente na bandeira Fort Atacadista, levando em conta tanto o aproveitamento nos refeitórios quanto a redução de resíduos.

Segundo o Grupo Pereira, o projeto já possibilitou que 371 toneladas de alimentos deixassem de ser descartadas. Os produtos foram utilizados nos refeitórios das unidades, em restaurantes do grupo ou encaminhados para iniciativas sociais.

“O modelo é completo, pois endereça uma das principais dores sociais do Brasil, ao mesmo tempo que gera benefícios econômicos para quem aplica e ambientais para toda a sociedade”, afirma Fernanda Pereira, executiva responsável pela iniciativa no Grupo Pereira.

Tecnologia ajuda a antecipar perdas

Uma das principais mudanças implementadas está no monitoramento do ciclo de vida dos produtos. A companhia utiliza dashboards de acompanhamento em tempo real e protocolos padronizados para identificar antecipadamente possíveis perdas e permitir mudanças na armazenagem, exposição e redistribuição dos alimentos.

A ferramenta também auxilia na análise de volumes, sazonalidade e comportamento de consumo, contribuindo para decisões operacionais mais rápidas.

Nas lojas que já receberam a solução, o Grupo Pereira registra redução de 20% no desperdício de FLV e de 50% nos custos dos refeitórios.

Guia ajuda funcionários a identificar alimentos aproveitáveis

O projeto também criou o Guia Visual de Aproveitamento, uma ficha desenvolvida para auxiliar os operadores das lojas na avaliação das condições dos produtos.

Por meio de características visuais e sensoriais, a ferramenta ajuda a identificar se frutas, legumes e verduras ainda podem ser comercializados, direcionados ao aproveitamento interno ou encaminhados para doação.

A metodologia foi inspirada nas fichas técnicas de controle de qualidade utilizadas tradicionalmente no varejo supermercadista. A diferença é que o novo guia inclui etapas intermediárias entre a venda e o descarte.

Quando um produto não está mais adequado para comercialização, mas permanece próprio para consumo, os funcionários podem direcioná-lo para os refeitórios e restaurantes da rede. O material também disponibiliza receitas para auxiliar as equipes de cozinha no aproveitamento dos alimentos.

Produtos chegam aos refeitórios de mais de 24 mil colaboradores

Após a triagem realizada nas lojas, os alimentos que não podem mais ser vendidos, mas ainda apresentam condições adequadas para consumo, são encaminhados às chamadas “Lojinhas de Aproveitamento FLV”.

Nesses espaços, nutricionistas selecionam os produtos que serão utilizados na preparação das refeições dos mais de 24 mil colaboradores do Grupo Pereira.

A medida também permite incorporar alimentos de maior valor agregado à alimentação dos funcionários, que normalmente não seriam adquiridos para os refeitórios devido ao custo.

Entre os produtos aproveitados estão itens como pitaya, pera asiática e alho-poró, ampliando a variedade das refeições oferecidas.

Quando há excedentes após o atendimento das necessidades diárias dos refeitórios, os alimentos são destinados à doação. Somente em 2026, 155 toneladas de FLV foram encaminhadas a instituições e iniciativas parceiras, entre elas o Mesa Brasil e o Sobrou.app.

O que não pode ser consumido segue para compostagem

A última etapa do processo é destinada aos produtos considerados impróprios para consumo durante a triagem.

Nesses casos, o material é encaminhado para descarte e, sempre que possível, para compostagem, evitando que os resíduos sejam destinados diretamente aos aterros.

Os resultados já aparecem em algumas regiões. Em Florianópolis, onde 11 lojas da bandeira Fort Atacadista possuem as Lojinhas de Aproveitamento FLV, a companhia registrou uma redução de 13% nos custos relacionados ao descarte na comparação com o mesmo período do ano anterior.

Projeto será ampliado para todas as lojas

Atualmente, o modelo está presente em aproximadamente 40 unidades do Grupo Pereira. A previsão é implementar o sistema em todas as 113 lojas das bandeiras Fort Atacadista e Comper até o final de 2026.

A empresa também pretende adotar o processo desde a inauguração em todas as novas unidades que forem abertas pelo grupo.

A possibilidade de levar a metodologia para outras empresas do setor também está entre os objetivos da iniciativa.

“Estamos felizes em poder compartilhar com nossos pares o conhecimento desenvolvido e o modelo das nossas fichas de aproveitamento de FLV para que todos possam transformar seus processos em busca do objetivo comum: a redução do desperdício de alimentos no varejo alimentar”, destaca Fernanda Pereira.

A companhia prevê ampliar a divulgação da metodologia em eventos e por meio de associações do setor, buscando estimular a adoção de práticas semelhantes por outros integrantes do varejo alimentar.

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