Redação Plenax – Flavia Andrade
Escritora, cineasta e liderança indígena do povo Guató busca apoio para ampliar presença nos municípios de Mato Grosso do Sul
A campanha de Gleycielli Nonato Guató, escritora, educadora, cineasta e liderança indígena do povo Guató, lançou uma iniciativa de financiamento coletivo para ampliar a participação popular na disputa por uma vaga na Câmara dos Deputados pelo PSOL.
A proposta é construir a campanha de forma colaborativa, com o apoio de pessoas que defendem uma representação mais diversa nos espaços de decisão. Os recursos arrecadados serão utilizados em despesas da campanha, incluindo deslocamentos pelos municípios sul-mato-grossenses, encontros com comunidades, produção de materiais de comunicação e registro de histórias ao longo da caminhada pelo Estado.
Para Gleycielli, a iniciativa segue a mesma lógica que marcou sua trajetória na cultura, na educação e nos movimentos sociais: a construção coletiva.
“O financiamento coletivo representa a força de quem acredita que essa caminhada precisa acontecer. Mais do que apoiar uma candidatura, as pessoas passam a construir essa campanha junto conosco. Elas deixam de ser apenas eleitoras e passam a ser articuladoras, apoiadoras e parte desse processo coletivo”, afirma.
Segundo a candidata, cada contribuição também representa uma oportunidade de ampliar a presença de grupos historicamente sub-representados na política institucional.
“Quando uma mulher indígena chega a um espaço de decisão, ela não chega sozinha. Caminham junto as mulheres, os povos indígenas, os jovens, os professores, os artistas, os ribeirinhos, as pessoas do interior, da periferia, a população LGBT+, os povos de terreiro e tantas outras pessoas que vivem distante dos centros onde as decisões são tomadas. Essa campanha nasce para unir essas vozes e fazer com que elas também sejam ouvidas”, declara.
Da cultura para a política
Ao longo de quase duas décadas de atuação, Gleycielli construiu sua trajetória nas áreas de literatura, cinema, educação e produção cultural. Agora, afirma que a entrada na política representa uma extensão desse trabalho, com a intenção de ampliar a visibilidade das histórias e demandas das comunidades.
“Na literatura, no cinema e na educação, aprendemos que a força está na construção coletiva das histórias. Na política, essa construção começa ouvindo cada pessoa, cada comunidade e cada realidade. É a partir dessas experiências individuais que podemos formar uma voz coletiva capaz de representar Mato Grosso do Sul”, afirma.
A decisão de disputar uma vaga na Câmara dos Deputados, segundo a candidata, também está relacionada à percepção de que comunidades indígenas e outros grupos sociais nem sempre participam diretamente das decisões que afetam suas vidas.
“Percebi que muitas vezes dizem que estão nos ouvindo, mas as decisões não chegam até nós da forma como deveriam. Por isso precisamos ocupar esses espaços e participar diretamente da construção das políticas públicas. Precisamos falar sobre nós e decidir junto aquilo que diz respeito às nossas vidas”, destaca.
Como contribuir
As contribuições podem ser realizadas pela plataforma Quero Apoiar, utilizada para financiamento coletivo de campanhas eleitorais.

