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Fórum em Brasília debate políticas públicas para prevenção e enfrentamento do câncer ginecológico

Foto: Divulgação

Redação Plenax – Flavia Andrade

Encontro na Câmara dos Deputados apresentou dados sobre prevenção, diagnóstico e tratamento e discutiu estratégias para eliminar o câncer do colo do útero no Brasil até 2035

Brasília sediou, nesta terça-feira, o 4º Fórum de Políticas Públicas para o Câncer Ginecológico, realizado no Salão Nobre da Câmara dos Deputados. O encontro reuniu especialistas, representantes do poder público e instituições da área da saúde para discutir estratégias de prevenção, diagnóstico precoce e tratamento dos cânceres ginecológicos no Brasil.

Promovido pelo Grupo EVA, o fórum foi dividido em três mesas temáticas, com debates sobre a eliminação do câncer do colo do útero, a criação de uma linha nacional de cuidado para os cânceres ginecológicos e a construção de uma agenda de políticas públicas para o setor.

A abertura contou com a participação da presidente do Grupo EVA, Dra. Andréa Paiva Gadelha Guimarães, e teve o apoio da deputada Renilce Nicodemos (MDB/PA), presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Saúde das Mulheres.

Dados apontam desafios para eliminar o câncer do colo do útero

A primeira mesa foi moderada pela Dra. Angélica Nogueira Rodrigues, diretora de Planejamento do Grupo EVA, e apresentou o Panorama Nacional da Prevenção dos Tumores Ginecológicos e o Radar Nacional para Eliminação do Câncer do Colo do Útero.

Os dados devem subsidiar recomendações para acelerar medidas voltadas à meta de eliminação da doença no país até 2035. Entre os desafios discutidos estão a redução do intervalo entre a identificação de alterações e o diagnóstico, a ampliação dos centros especializados, o acesso a testes moleculares e genéticos e a incorporação da medicina personalizada ao Sistema Único de Saúde (SUS).

O debate também ressaltou a necessidade de integração entre os sistemas público e suplementar para ampliar o acesso das mulheres a tecnologias diagnósticas e terapêuticas.

Entre os participantes esteve a Dra. Marcela Bonalumi, oncologista clínica da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo. Segundo os dados apresentados pela especialista, a incidência do câncer do colo do útero aumentou entre 13% e 14% em relação ao triênio anterior. Em 2023, foram registradas 7 mil mortes pela doença, enquanto mais de 60% dos casos foram identificados em estágio localmente avançado.

“Surpreendentemente, o que a gente observou foi um aumento em 13% a 14% em relação ao triênio anterior.”

Marcela também destacou as desigualdades regionais no acesso aos serviços de saúde, principalmente nas regiões Norte e Nordeste.

“Ao olhar a incidência e a mortalidade em regiões com menor acesso à saúde, como região Norte e Nordeste, a gente consegue entender que também temos uma dificuldade de acesso, de organização e aí a gente tem escancarado a desigualdade nessas pacientes e nessa população.”

Vacinação e rastreamento estão entre os desafios

A vacinação contra o HPV também esteve entre os pontos discutidos. De acordo com os dados apresentados pela especialista, a cobertura chegou a 83% das meninas em 2024 e 87% em 2025. Em 2026, o índice está em 80%, segundo o dado parcial apresentado no fórum, ainda abaixo da meta de 90% estabelecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

A médica também apontou que cerca de 35% das pacientes estavam efetivamente rastreadas e defendeu o acompanhamento da implementação do teste de DNA-HPV.

Ao avaliar a trajetória da citologia oncótica no país, Marcela ressaltou que os desafios estão relacionados não apenas à eficácia do exame, mas também à forma como o rastreamento foi estruturado.

“Isso não quer dizer que o teste é ruim, quer dizer que talvez o jeito que ele foi implementado aqui teve algumas falhas, sobretudo quanto ao rastreamento oportunístico e a subnotificação.”

Para a especialista, o Radar Nacional pode ajudar a transformar os dados disponíveis em indicadores capazes de orientar políticas e ações.

“O grande objetivo do radar, de fato, é transformar esses dados em indicadores e, talvez, em ações também.”

Linha de cuidado e integração

Outro eixo do fórum foi a discussão sobre a criação de uma linha nacional de cuidado para os cânceres ginecológicos. A proposta considera as diferentes etapas da jornada das pacientes, desde prevenção e rastreamento até diagnóstico, tratamento e acompanhamento.

Os participantes defenderam que a produção de dados e evidências científicas seja acompanhada de medidas concretas para reduzir desigualdades regionais e ampliar o acesso ao cuidado.

Ao final do encontro, o Congresso Nacional foi iluminado com as cores da campanha Setembro em Flor, movimento de conscientização sobre prevenção e enfrentamento dos cânceres ginecológicos.

A iniciativa encerrou a programação reforçando a importância da prevenção, do diagnóstico oportuno e do acesso ao tratamento, além da articulação entre profissionais de saúde, pesquisadores, instituições, gestores públicos e Legislativo na formulação de políticas para a saúde das mulheres.

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