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Festival do Rio 2026 leva histórias da música brasileira para as telas

FOTO: SORAYA URSINE

Redação Plenax – Flavia Andrade

Programação reúne documentários, ficções e séries sobre artistas como Elza Soares, Ney Matogrosso, Alceu Valença, Marília Mendonça e Aldir Blanc

A música brasileira será um dos destaques da programação do Festival do Rio 2026, que acontece entre os dias 1º e 11 de outubro, em diferentes salas de cinema do Rio de Janeiro. A programação reúne ficções, documentários e séries que percorrem diferentes períodos, gêneros e personagens da música nacional.

Entre os nomes retratados estão Elza Soares, Ney Matogrosso, Alceu Valença, Marília Mendonça, Aldir Blanc, Maria Alcina, Flora Purim e Airto Moreira. A programação também inclui produções que utilizam a música como ponto de partida para discutir transformações culturais e sociais do Brasil.

Na Première Brasil, principal espaço dedicado ao cinema brasileiro dentro do festival, os títulos relacionados à música aparecem em diferentes categorias, incluindo as competições de ficção e documentário, a Mostra Retratos, a programação Hors-Concours e a seleção de séries.

Funk carioca chega à competição de ficção

Entre os longas de ficção está “Funk”, dirigido por Aly Muritiba, com 107 minutos de duração. O filme acompanha Sabrina, uma jovem funkeira que se apresenta nos bailes das favelas cariocas e é filha de uma antiga estrela do funk.

A trajetória das duas se cruza com a indústria musical quando Sabrina chama a atenção de um produtor que promete transformá-la em uma estrela. Para isso, porém, ela é pressionada a modificar sua imagem e se afastar das próprias raízes.

O longa reúne no elenco nomes como Crazzy Jaff, Duda Santos, Kibba, Lelê e MC Nem.

Belchior e as inquietações do Brasil

Na competição de documentários, “Alucinação”, de Marcos Caetano, Renato Terra e Leo Caetano, parte de músicas marcantes de Belchior para revisitar o Brasil dos anos 1970.

O filme utiliza canções como “Como Nossos Pais”, “Rapaz Latino-Americano”, “Sujeito de Sorte” e “Velha Roupa Colorida” para construir uma narrativa visual e sonora sobre o período e estabelecer conexões com questões que permanecem presentes no país.

Com 114 minutos, a produção propõe uma viagem pelas utopias e conflitos daquele período a partir da obra do cantor e compositor cearense.

Elza Soares ganha documentário

A trajetória de Elza Soares é o centro de “Elza”, dirigido por Eryk Rocha. O documentário apresenta a própria cantora como narradora de sua história, reunindo memórias, desejos e reflexões relacionadas à música.

A produção também estabelece diálogos com imagens e momentos históricos do cinema brasileiro, utilizando a trajetória de Elza para construir um retrato de diferentes transformações vividas pelo país.

Com 110 minutos, o filme revisita a carreira de uma das artistas mais marcantes da música brasileira e sua capacidade de se reinventar ao longo das décadas.

Aldir Blanc, Maria Alcina e o som de Flora Purim e Airto Moreira

A Mostra Retratos reúne diferentes abordagens sobre a relação entre música, memória e cultura brasileira.

Em “Aldir Blanc – Resposta ao Tempo”, Marcus Fernando e Hugo Sukman mergulham no universo do compositor, poeta e cronista, explorando suas referências, personagens e a relação com a vida cotidiana carioca e brasileira.

Já “Alegria Brasil, estrelando Maria Alcina”, de Elizabete Martins Campos, combina memória, performance e imaginação para revisitar a trajetória da cantora e sua relação com diferentes momentos da história do país.

Outro destaque é “Flora & Airto: O Som Revolucionário”, de Jom Tob Azulay. O documentário acompanha Flora Purim e Airto Moreira, casal de músicos que ganhou projeção internacional a partir dos anos 1970 e teve participação importante no desenvolvimento da jazz-fusion.

Alceu Valença e a cena pernambucana dos anos 1970

O documentário “VIVO 76”, dirigido por Lírio Ferreira, parte do terceiro álbum de Alceu Valença para revisitar o ambiente cultural que marcou a cena psicodélica pernambucana na década de 1970.

A produção percorre as influências musicais e visuais daquele período e acompanha o movimento de artistas que deixaram Pernambuco em direção ao Rio de Janeiro em busca de novos caminhos para suas carreiras.

Marília Mendonça em série documental

A trajetória de Marília Mendonça também chega ao festival por meio da série documental “Marília Mendonça: Sentimento Louco”, dirigida por Susanna Lira.

A produção utiliza imagens, áudios e entrevistas inéditas para acompanhar a ascensão da cantora, desde o início da carreira até sua transformação em um dos grandes nomes da música brasileira contemporânea.

Ney Matogrosso entre identidade e liberdade

Fora de competição, “Ney por Trás das Máscaras”, dirigido por Esmir Filho e Thais Guisasola, acompanha Ney Matogrosso durante a preparação para o desfile da Imperatriz Leopoldinense.

O Carnaval serve como ponto de partida para revisitar momentos da trajetória do artista e discutir temas como identidade, liberdade, escolhas pessoais e passagem do tempo.

O filme apresenta um Ney mais íntimo, enquanto revisita diferentes personagens e fases de uma carreira marcada pela experimentação artística.

Música como memória brasileira

Com produções dedicadas a diferentes gerações e estilos, o Festival do Rio 2026 apresenta um recorte amplo da música brasileira, passando pelo funk carioca, rock, MPB, música nordestina, samba, jazz-fusion e sertanejo.

Ao colocar essas histórias nas telas, a programação aproxima cinema e música e transforma trajetórias individuais em registros de diferentes períodos da cultura brasileira. Entre artistas consagrados e personagens de diferentes gerações, os filmes também revelam como a música pode funcionar como documento de época, memória e expressão das transformações do país.

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