Redação Plenax – Flavia Andrade
Etapa itinerante percorre comunidades indígenas até quarta-feira (16), com atividades voltadas à memória, à arte e à transmissão de saberes
A música, a memória e os conhecimentos tradicionais estão no centro da etapa itinerante da 4ª rodada da IV edição do Festival de Música Indígena – Festival da Palavra Cantada, Contada e Dançada, que percorre territórios Guarani Kaiowá de Amambai e Paranhos até esta quarta-feira (16). Iniciada na segunda-feira (14), a programação passa pela Aldeia Amambai, pela Retomada Tapy’i Kora e pela Aldeia Pirajuí, aproximando as atividades das próprias comunidades.
Com o eixo “Palavra Contada – Memória, Território e Transmissão de Saberes”, o projeto busca promover momentos de escuta e intercâmbio entre diferentes comunidades. A proposta é levar a equipe até os territórios e construir as atividades em diálogo com moradores, lideranças, jovens e detentores dos conhecimentos tradicionais.
Na Aldeia Amambai, a programação contou com atividades direcionadas aos estudantes da Escola Estadual Indígena Mbo Eroy Guarani Kaiowá. A mestra tradicional Roseli Concianza Jorge compartilhou histórias e memórias relacionadas à trajetória da Retomada Panambizinho, enquanto o artista visual Misael Concianza Jorge desenvolveu uma criação inspirada nas narrativas. Também houve a apresentação do livro Panambizinho: Lugar de Cantos, Danças, Rezas e Rituais Kaiowá, de Graciela Chamorro, conduzida por Abrísio Silva Pedro.
Nesta terça-feira (15), o Festival segue para a Retomada Tapy’i Kora, em Amambai, onde estão previstas atividades relacionadas às histórias da própria comunidade, com participação de lideranças e moradores. O encerramento do dia terá uma Jehovasa, ritual tradicional de benzimento e consagração conduzido por uma Ñandesy, mulher rezadora e liderança espiritual Guarani Kaiowá. Na quarta-feira (16), a programação chega à Aldeia Pirajuí, em Paranhos, com atividades de Palavra Contada e Palavra Pintada, encontro com as juventudes, apresentação do Sambô e uma roda de conversa para avaliação coletiva da experiência. A equipe retorna a Dourados na quinta-feira (17).
Para Abrísio Silva Pedro, integrante da equipe de produção e da etnia Guarani Kaiowá, a presença do Festival nos territórios contribui para ampliar o protagonismo indígena na forma como suas manifestações culturais são apresentadas. A proposta, segundo ele, é criar oportunidades para que artistas indígenas divulguem seus trabalhos respeitando a maneira como cada comunidade deseja apresentar seus talentos e conhecimentos.
Os registros das atividades serão realizados de acordo com as autorizações das comunidades e dos detentores dos conhecimentos. Parte do material também deverá contribuir para o projeto Identificação de Referências Culturais dos Povos Kaiowá e Guarani, desenvolvido em articulação com o IPHAN. Após a etapa itinerante, a terceira fase da 4ª rodada do Festival será realizada nos dias 25, 26 e 27 de setembro, no Casulo e na Escola Municipal Francisco Meirelles, na Terra Indígena de Dourados.

