Redação Plenax – Flavia Andrade
Mostra de Wendel Fontes será aberta nesta sexta-feira (2), em Campo Grande, com apresentação do grupo Vozmecê
A infância e as marcas que permanecem dela na vida adulta são o ponto de partida da exposição “O que permanece em nós?”, do artista visual Wendel Fontes. A mostra será aberta nesta sexta-feira (2), às 19h, na Galeria Wega Nery, no Centro Cultural José Octávio Guizzo, em Campo Grande, com apresentação do grupo Vozmecê.
A exposição reúne 21 pinturas e uma instalação sonora, produzidas entre 2023 e meados de 2026, a partir de aproximadamente três anos de pesquisa e produção. As obras combinam referências do cotidiano, fotografias, cenas de filmes e imagens encontradas na internet para criar representações em que memória, imaginação e ficção se misturam.
Nas pinturas, crianças aparecem em situações de brincadeira, introspecção e descoberta. A infância, porém, não é apresentada apenas pela perspectiva da nostalgia. Distorções de perspectiva, cores intensas, objetos deslocados e elementos de caráter fantástico modificam cenas familiares e propõem uma reflexão sobre a maneira como as experiências da infância continuam presentes na vida adulta.
“Eu costumo dizer que trabalho com a lentidão. Eu venho aprendendo cada vez mais a respeitar o tempo de cada trabalho”, afirma Wendel. Segundo o artista, o processo de criação exige tempo para que cada obra encontre seus próprios caminhos.
Memória como construção
A relação entre memória e ficção aparece também no processo de criação das pinturas. Wendel utiliza fotografias próprias, imagens de filmes e materiais encontrados na internet, que passam por colagens, rascunhos e sobreposições.
“Acredito que assim também são nossas memórias, são colagens de cenas que guardamos no meio das lembranças. Por isso penso que toda memória tem um pouco de ficção”, explica.
Para o artista, a criança representada nas obras funciona como uma alegoria para aspectos que continuam participando da formação dos adultos.
“A imagem da criança aparece mais como uma alegoria. Nossos desejos mais íntimos, o modo como percebemos o mundo à nossa volta, a maneira como lidamos com os desafios que a vida nos impõe e nossas angústias têm suas bases formadas na fase da infância”, observa.
Instalação transforma memória em experiência sonora
Um dos trabalhos da exposição é uma instalação sonora construída a partir de uma árvore seca de aproximadamente 2,5 metros. Galhos recebem latinhas de alumínio, em uma referência à brincadeira do telefone sem fio.
Por meio da instalação, os visitantes poderão ouvir relatos de pessoas idosas sobre suas memórias de infância. A própria árvore utilizada na obra também carrega uma história: ela foi encontrada pelo artista depois de ser derrubada pelo vento durante uma tempestade.
“É uma árvore que guarda uma memória, mas que ganhou um novo significado ao ser transformada numa obra”, conta Wendel.
A proposta de trabalhar com a escuta também estará presente na abertura, durante a apresentação do Vozmecê. O grupo combina referências da música sul-mato-grossense e fronteiriça, como viola, guarânia e chamamé, com elementos de sonoridades contemporâneas.
“A gente pensou muito mais em construir uma atmosfera do que simplesmente chegar e fazer um show. Queremos que a música faça parte daquele ambiente, que ela dialogue com o que está acontecendo ali e ajude o público a entrar nesse estado de escuta e de observação”, explica o músico Pedro Fattori.
Visitas guiadas e oficinas
Além da exposição, a programação contará com atividades educativas nos dias 3, 10, 17 e 24 de outubro, das 14h às 17h. A agenda inclui visitas guiadas e a oficina de construção de imagem poética, conduzida pela arte-educadora Letícia Maidana, com participação de Wendel Fontes.
As atividades são gratuitas e não exigem experiência prévia em artes visuais. A programação também contará com recursos de acessibilidade, incluindo intérprete de Libras e audiodescrição das obras por meio de QR Code.
A exposição permanece aberta à visitação até 30 de outubro, com entrada gratuita.
Serviço
Exposição “O que permanece em nós?” – Wendel Fontes
Período: 2 a 30 de outubro de 2026
Local: Galeria Wega Nery – Centro Cultural José Octávio Guizzo
Endereço: Rua 26 de Agosto, 453, Centro, Campo Grande (MS)
Visitação: terça a sexta-feira, das 8h às 20h; sábado, das 8h às 22h; domingo, conforme o funcionamento do Teatro Aracy Balabanian
Abertura: 2 de outubro, às 19h, com apresentação do Vozmecê
Entrada: gratuita
Visitas guiadas e oficinas
Datas: 3, 10, 17 e 24 de outubro
Horário: das 14h às 17h
Participação: gratuita
O projeto conta com investimento da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), do Governo Federal, por meio do Ministério da Cultura, executado pelo Governo de Mato Grosso do Sul, por meio da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS).

