Posted in

Do campo à indústria, investimentos impulsionam empregos e transformam economia de MS

Foto: Saul Schramm

Redação Plenax – Flavia Andrade

Com mais de R$ 115 bilhões em projetos privados, Estado avança na industrialização da produção e enfrenta novo desafio: formar mão de obra para as vagas que estão surgindo

Mato Grosso do Sul vive uma mudança no perfil de sua economia. Se por muitos anos o desafio esteve concentrado na criação de empregos, a expansão da indústria, dos serviços e de novas cadeias produtivas começa a trazer uma preocupação diferente: encontrar profissionais qualificados para ocupar as vagas abertas pelos novos empreendimentos. Para a diretora-presidente da Fundação do Trabalho de Mato Grosso do Sul (Funtrab), Marina Hojaij Carvalho Dobashi, o mercado aquecido é resultado da combinação entre crescimento econômico, investimentos privados e políticas públicas de empregabilidade. “Em algumas áreas, o desafio já não é criar empregos, mas formar profissionais qualificados para atender à demanda das empresas”, afirma.

A transformação está diretamente relacionada à estratégia adotada pelo Governo de Mato Grosso do Sul durante a gestão do governador Eduardo Riedel (Progressistas), candidato à reeleição. A proposta busca aproveitar a força tradicional do agronegócio para avançar na industrialização da produção dentro do próprio Estado. Com isso, além de produzir e enviar matéria-prima para outros mercados, Mato Grosso do Sul amplia a participação em etapas de processamento e agregação de valor, movimentando indústrias, transportadoras, prestadores de serviços e o comércio local. Municípios como Inocência, Três Lagoas, Ribas do Rio Pardo e Chapadão do Sul estão entre os exemplos desse processo de interiorização dos investimentos, que envolve setores como agroindústria, bioenergia, logística, construção civil e serviços.

A dimensão do movimento aparece na carteira de investimentos privados prevista entre 2023 e 2030, que reúne mais de R$ 115 bilhões em empreendimentos concluídos, em execução ou planejados. Desse total, cerca de R$ 27 bilhões já foram concluídos, R$ 60 bilhões estão em execução e outros R$ 29 bilhões correspondem a projetos futuros. Quando entrarem em operação, os empreendimentos têm potencial para gerar pelo menos 18 mil empregos diretos. A indústria já responde por 22,4% do Produto Interno Bruto (PIB) estadual. Para acompanhar esse crescimento, o Estado também precisa ampliar a qualificação profissional, já que a chegada de uma fábrica ou grande empreendimento não garante, por si só, que as vagas sejam preenchidas por trabalhadores da própria região. A preparação da mão de obra passa a ser, portanto, uma das peças centrais do novo ciclo econômico.

Para Riedel, a capacidade de atrair empresas depende de uma estrutura que vai muito além dos incentivos. Estradas, energia, internet, saneamento, matéria-prima e profissionais qualificados estão entre os fatores considerados pelas empresas antes de escolher onde investir. Ao mesmo tempo, quem chega para trabalhar precisa encontrar moradia, escolas, unidades de saúde, comércio e infraestrutura urbana. Esse movimento cria um efeito que ultrapassa os limites das empresas: municípios que recebem grandes investimentos precisam se preparar para o crescimento populacional e para o aumento da demanda por serviços públicos. O próximo desafio de Mato Grosso do Sul, portanto, é transformar o volume de investimentos em desenvolvimento que alcance a população. Para que a industrialização do campo se traduza em renda e oportunidades, é preciso garantir que o emprego encontre trabalhadores preparados e que a riqueza gerada permaneça cada vez mais conectada às cidades e comunidades do Estado.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

error

Enjoy this blog? Please spread the word :)