Redação Plenax – Flavia Andrade
Fenômeno nas redes sociais, grupo criado por fãs da jornalista impulsiona debates sobre literatura, feminismo e pensamento crítico
O que começou como admiração por uma figura pública conhecida por opiniões fortes, posicionamentos contundentes e referências intelectuais, acabou se transformando em um movimento coletivo de leitura entre mulheres na internet. Inspirado pela jornalista e apresentadora Ana Paula Renault, o chamado “Clube Renault” reúne centenas de participantes em torno de livros, debates e trocas de experiências que ultrapassam o universo do entretenimento digital.
Criado pela professora Michelle Louise ao lado de fãs e seguidoras da jornalista, o clube nasceu de forma espontânea e rapidamente ganhou força nas redes sociais. Em menos de uma semana, o perfil já acumulava centenas de seguidores no Twitter/X, enquanto grupos de discussão no WhatsApp reuniam quase 200 mulheres interessadas em compartilhar leituras e reflexões.
Mais do que um clube literário tradicional, o projeto surge em um contexto em que a leitura disputa espaço com conteúdos cada vez mais rápidos e fragmentados nas redes sociais. E justamente por isso o movimento chama atenção: mulheres decidindo parar, ler coletivamente, discutir ideias e aprofundar conversas em um ambiente dominado pela velocidade da informação.
Segundo Michelle Louise, a iniciativa nasceu da relação entre sua trajetória pessoal na educação e a maneira como Ana Paula Renault utiliza sua visibilidade pública.
“Sempre fui leitora, mas meu vínculo com os livros vai além de um hábito. A educação transformou completamente a minha vida. O que sempre me chamou atenção na Ana Paula foi justamente o compromisso dela com o conhecimento, com a valorização da educação e da literatura”, explica.
A influência da jornalista já era percebida no consumo de roupas, acessórios e itens usados por ela nas redes sociais e na televisão. No entanto, o impacto mais recente parece seguir um caminho diferente: o das ideias, referências culturais e formação de pensamento.
Nas plataformas digitais, multiplicam-se vídeos, listas e publicações sobre “os livros indicados por Ana Paula Renault”, despertando curiosidade em leitoras de diferentes idades e contextos sociais.
O primeiro livro escolhido coletivamente pelo grupo foi Quarto de Despejo, obra clássica de Carolina Maria de Jesus, publicada originalmente em 1960. O livro retrata o cotidiano de fome, pobreza e exclusão social vivido na favela do Canindé, em São Paulo, e é considerado uma das obras mais importantes da literatura brasileira.
Para Michelle, a escolha da obra foi simbólica.
“A escrita de Carolina representa resistência e potência. Queríamos iniciar o clube com um livro que provocasse reflexão sobre desigualdade, invisibilidade social e escuta coletiva”, afirma.
Além de Quarto de Despejo, entre as leituras mais compartilhadas pelas participantes aparecem títulos como Mulheres que Correm com os Lobos, Comunicação Não Violenta e obras voltadas para temas como subjetividade feminina, relações de poder, política, comportamento e autonomia emocional.
O movimento também acontece em meio a um cenário preocupante para a leitura no Brasil. Dados recentes mostram que, pela primeira vez desde o início da pesquisa Retratos da Leitura, o número de não leitores superou o de leitores no país.
Nesse contexto, clubes de leitura passam a exercer um papel que vai além do incentivo literário: ajudam a movimentar o mercado editorial, impulsionam vendas, recolocam obras em circulação e criam novos espaços de debate coletivo.
Mais do que discutir livros, grupos como o Clube Renault acabam criando ambientes de troca, acolhimento e construção de pensamento entre mulheres conectadas por experiências, inquietações e referências em comum.
Em um cenário marcado pela superficialidade das interações digitais e pelo consumo acelerado de informação, o crescimento de iniciativas desse tipo revela um fenômeno que mistura cultura pop, literatura e engajamento intelectual — mostrando que a influência nas redes sociais também pode servir para aproximar pessoas dos livros e estimular conversas mais profundas sobre o mundo e sobre si mesmas.
CRONOGRAMA DE LEITURA:
13/05 a 30/05: Lemos do início (15 de julho de 1955) até o dia 20 de julho de 1958.
31/05 (DOMINGO): Primeira discussão (Metade do livro) via Twitter Space.
01/06 a 13/06: Lemos de 21 de julho de 1958 até o final (1º de janeiro de 1960).
14/06 (DOMINGO): Grande encerramento híbrido! Google Meet + Encontros presenciais em diversos estados (locais em breve!)
ONDE DEBATER?
No Twitter: Use a hashtag #ClubeRenault para postar trechos, fotos do seu livro e insights. Estaremos de olho em tudo!

