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Cirurgias plásticas combinadas são seguras? Entenda por que o tempo cirúrgico é fundamental para a segurança do paciente

Foto: Divulgação

Redação Plenax – Flavia Andrade

Segundo o cirurgião plástico Dr. Josué Montedonio, a combinação de procedimentos pode ser segura quando há indicação adequada, planejamento individualizado e atenção aos riscos envolvidos.

Realizar mais de um procedimento de cirurgia plástica durante a mesma operação pode ser uma alternativa para pacientes que desejam concentrar o tratamento e o período de recuperação. Combinações como lipoaspiração, abdominoplastia, mastopexia e cirurgias das mamas são exemplos de procedimentos que podem ser realizados conjuntamente, desde que haja indicação médica e planejamento adequado.

No entanto, associar diferentes cirurgias não significa, necessariamente, realizar o maior número possível de procedimentos em uma única operação.

Para o cirurgião plástico Dr. Josué Montedonio, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), a decisão deve considerar fatores como as condições clínicas do paciente, a extensão dos procedimentos e, principalmente, o tempo cirúrgico.

“Eu sou favorável às cirurgias combinadas quando elas são bem indicadas e planejadas. Ao mesmo tempo, também sou favorável à preocupação com o tempo cirúrgico. Uma coisa não exclui a outra. Pelo contrário: caminham juntas quando o objetivo é oferecer mais segurança ao paciente”, explica.

Por que o tempo cirúrgico é importante?

Ao planejar uma cirurgia, a equipe médica avalia diversos fatores relacionados à segurança. Entre eles está o tempo previsto para a realização do procedimento.

Cirurgias mais longas podem representar maior exposição à anestesia, períodos prolongados de imobilidade e maior desgaste fisiológico do organismo. Por isso, a duração da operação deve ser considerada individualmente, de acordo com as características e condições de cada paciente.

“O aumento do tempo anestésico, a maior permanência em uma mesma posição e o desgaste fisiológico provocado por uma cirurgia prolongada podem elevar a probabilidade de complicações. Por isso, o tempo cirúrgico precisa fazer parte da avaliação de segurança”, afirma o especialista.

Isso não significa, entretanto, que toda cirurgia de longa duração seja inadequada ou insegura.

Cirurgia longa não é sinônimo de insegurança

Alguns procedimentos são naturalmente mais complexos e exigem mais tempo para serem realizados. A duração da cirurgia também pode variar de acordo com a técnica utilizada, as características anatômicas do paciente e a experiência da equipe envolvida.

Por esse motivo, não existe um número de horas que possa ser considerado universalmente seguro para todos os pacientes e todos os tipos de cirurgia.

“Existem cirurgias que exigem mais tempo pela própria complexidade. O mais importante é que o cirurgião conheça seus limites, saiba planejar cada etapa e tome decisões sempre priorizando a segurança”, destaca Dr. Josué.

Assim, a avaliação pré-operatória deve ir além da lista de procedimentos desejados pelo paciente. É necessário analisar se a combinação é realmente indicada e se a realização de todas as etapas em uma única cirurgia representa a melhor escolha.

Nem sempre fazer tudo de uma vez é a melhor alternativa

A possibilidade de passar por apenas uma anestesia e concentrar o período de recuperação costuma ser um dos principais atrativos das cirurgias combinadas. Ainda assim, essa estratégia não é necessariamente a mais adequada para todos os pacientes.

Em determinadas situações, dividir o tratamento em duas ou mais etapas pode reduzir o tempo de cada procedimento e proporcionar uma recuperação mais tranquila, sem comprometer o planejamento dos resultados.

“Como a cirurgia plástica é um procedimento eletivo, nós temos a vantagem de poder planejar. Se, durante a avaliação, entendemos que realizar tudo em uma única cirurgia aumentaria desnecessariamente os riscos, faz muito mais sentido dividir o tratamento”, explica.

A decisão deve levar em conta as condições clínicas do paciente, a extensão dos procedimentos, o tempo estimado de cirurgia e a estrutura disponível para a realização do atendimento.

Segurança também depende de uma equipe preparada

O planejamento de uma cirurgia não se resume à escolha dos procedimentos. A estrutura do centro cirúrgico e a atuação integrada dos profissionais também são fatores importantes para a segurança do paciente.

Cirurgião, anestesista, instrumentadores e demais membros da equipe precisam trabalhar de forma coordenada, seguindo um planejamento definido antes do início da operação.

“O centro cirúrgico funciona como uma equipe muito bem sincronizada. Cada membro tem uma responsabilidade, cada etapa acontece em uma sequência planejada e tudo precisa fluir de maneira organizada. Não existe espaço para improviso”, afirma o médico.

Para o especialista, eficiência não deve ser confundida com pressa.

“O objetivo não é terminar rapidamente. Também não é prolongar a cirurgia sem necessidade. É realizar cada etapa no tempo adequado, com técnica, precisão e segurança.”

Resultado estético e segurança devem caminhar juntos

Embora o resultado estético seja uma das principais expectativas de quem procura uma cirurgia plástica, o sucesso de um procedimento vai além da aparência, segundo Dr. Josué Montedonio.

Uma cirurgia bem-sucedida deve considerar todo o processo, desde a indicação e o planejamento até a recuperação do paciente.

“Hoje entendemos cada vez mais que o sucesso de uma cirurgia não depende apenas do resultado estético. Depende também da forma como esse resultado é alcançado. A segurança precisa estar presente em todas as decisões”, afirma.

Antes de optar por cirurgias combinadas, a recomendação é conversar detalhadamente com o cirurgião plástico sobre os riscos envolvidos, o tempo estimado do procedimento, as condições clínicas individuais e a possibilidade de realizar o tratamento em etapas.

“Eu costumo dizer que, dentro do centro cirúrgico, não precisamos correr. Mas também não podemos perder tempo. O verdadeiro objetivo nunca é realizar o maior número possível de procedimentos. É oferecer ao paciente o melhor resultado possível com o menor risco possível. Se, para isso, for necessário dividir uma cirurgia em etapas, essa será sempre a decisão mais responsável”, conclui o cirurgião plástico.

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