Redação Plenax – Flavia Andrade
Projeto de interiores aposta em linguagem contemporânea para preservar referências do antigo cinema de rua e transformar o espaço em uma nova casa de espetáculos
Um dos endereços mais emblemáticos da memória cultural de Curitiba está prestes a ganhar um novo capítulo. O Cine Lido, tradicional cinema de rua da cidade, será transformado em uma casa de espetáculos, com um projeto que busca conciliar a identidade histórica do edifício com uma proposta contemporânea de entretenimento.
Responsável pela arquitetura de interiores do empreendimento, o arquiteto André Henning assumiu o projeto inicialmente para desenvolver os bares da nova casa, mas acabou ampliando sua participação para os demais ambientes internos. O trabalho é realizado em coautoria com o arquiteto João Uchôa, responsável pela concepção arquitetônica geral do novo Cine Lido.
A proposta inclui os ambientes de convivência, camarins, anexo, elementos da fachada e a requalificação do acesso principal.
“Projetar um lugar como o Cine Lido exige respeito pela memória que ele carrega. Nossa intenção nunca foi reproduzir o passado, mas reinterpretá-lo. Queríamos que quem conheceu o antigo cinema reconhecesse algumas referências, mas percebesse que está entrando em um espaço preparado para o futuro”, explica Henning.
Memória reinterpretada
A relação com a história do antigo cinema aparece em diferentes elementos do projeto. O vermelho, presente nas antigas pastilhas que marcavam a arquitetura do edifício, retorna no mobiliário e em detalhes dos ambientes.
As formas curvas também remetem ao desenho do antigo cinema, enquanto materiais como concreto aparente, granitina e aço, associados à iluminação cênica e a grandes planos, ajudam a construir uma atmosfera contemporânea, com inspiração brutalista.
Ao mesmo tempo, elementos como espelhos, iluminação, formas arredondadas e referências estéticas das décadas em que o Cine Lido se consolidou como espaço cultural fazem uma conexão mais sutil com o passado.
“O projeto tem uma linguagem bastante contemporânea, mas ao mesmo tempo traz uma leitura retrô em diversos detalhes. É uma homenagem sutil, sem cair na nostalgia”, afirma o arquiteto.
A experiência começa antes do show
A proposta arquitetônica também considera que a experiência do público não começa apenas quando o espetáculo tem início.
Os percursos, espaços de convivência e áreas de permanência foram planejados para estimular encontros e proporcionar mais conforto aos visitantes. O empreendimento terá seis bares, além de camarins, áreas de apoio e ambientes comuns.
A intenção é criar uma circulação mais fluida e integrada, acompanhando uma transformação no comportamento do público de espaços de entretenimento.
“Hoje, as pessoas não vão apenas assistir a um show. Elas querem viver o lugar. A arquitetura precisa acompanhar essa mudança de comportamento, criando ambientes que convidem à permanência e façam parte da experiência do evento”, destaca Henning.
Por isso, os interiores deixam de lado a ideia de ambientes excessivamente compartimentados e priorizam uma leitura arquitetônica contínua, na qual materiais, iluminação e diferentes perspectivas fazem parte do percurso do visitante.
Um novo capítulo para o Cine Lido
Para Henning, participar da transformação do antigo cinema também representa uma oportunidade de contribuir para a preservação da memória de Curitiba.
“Existem edifícios que contam a história de uma cidade. O Cine Lido é um deles. Nosso compromisso foi preservar essa identidade, mas mostrando que é possível atualizar esses espaços para novas formas de viver a cultura, sem perder aquilo que os tornou especiais”, afirma.
A proposta, portanto, não busca simplesmente recuperar o antigo cinema, mas criar uma nova experiência a partir de elementos que já fazem parte da memória da cidade.
“Mais do que recuperar um edifício, a proposta busca devolver à cidade um espaço preparado para receber uma nova geração de experiências culturais, mantendo viva a memória de um lugar que marcou diferentes gerações de curitibanos”, completa o arquiteto.
Programação da semana de inauguração
26/08 – Caetano Veloso — últimos ingressos
27/08 – Marisa Monte — esgotado
28/08 – Sven Väth — últimos ingressos
29/08 – Fresno — últimos ingressos

