Redação Plenax – Flavia Andrade
A cafeicultura brasileira vive um momento de crescimento impulsionado pela adoção de novas tecnologias e práticas voltadas à sustentabilidade. Mesmo diante dos impactos das mudanças climáticas nas principais regiões produtoras, o setor aposta em inovação para ampliar a produtividade e fortalecer a resiliência das lavouras.
De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção nacional de café em 2026 deve alcançar 66,7 milhões de sacas, volume que representa crescimento de 18% em relação ao ciclo anterior e configura um novo recorde histórico. O resultado é atribuído à recuperação da produtividade, à expansão de áreas cultivadas e ao uso crescente de tecnologias no campo.
Entre as soluções que vêm ganhando destaque estão os bioestimulantes desenvolvidos a partir da alga marinha Ascophyllum nodosum. A espécie, encontrada nas águas frias do Atlântico Norte, desenvolveu mecanismos naturais de adaptação para sobreviver a condições extremas, como grandes variações de temperatura, salinidade e ciclos de maré.
Segundo especialistas, os compostos bioativos presentes nessa alga ajudam a ativar processos fisiológicos nas plantas, aumentando a tolerância aos estresses ambientais e favorecendo o crescimento, o vigor e o potencial produtivo das culturas.
Para Marcos Bettini, diretor de Desenvolvimento de Mercado Latam da Acadian Sea Beyond, o desafio atual da cafeicultura é combinar produtividade com maior capacidade de adaptação às mudanças climáticas.
“A busca por maior produtividade precisa estar alinhada à construção de lavouras mais resilientes. Por isso, os cafeicultores têm investido cada vez mais em tecnologias que ajudam as plantas a enfrentar esses desafios climáticos e a manter altos níveis de desempenho produtivo”, afirma.
A Acadian Sea Beyond atua há mais de 40 anos no desenvolvimento de pesquisas relacionadas ao uso agrícola da Ascophyllum nodosum. A empresa mantém parcerias com universidades, centros de pesquisa e instituições agrícolas para estudar os benefícios da alga em diferentes culturas.
De acordo com Bruno Carloto, gerente de Marketing Estratégico da companhia para a Unidade Atlantic, o uso dos bioestimulantes tem se consolidado como uma estratégia importante para o setor cafeeiro.
“O produtor precisa extrair o máximo potencial da lavoura mesmo diante de cenários desafiadores. Os bioestimulantes à base de Ascophyllum nodosum ajudam a planta a ativar mecanismos naturais de tolerância ao estresse, favorecendo o desenvolvimento, a eficiência fisiológica e a produtividade ao longo de todo o ciclo”, explica.
Além do ganho produtivo, o especialista destaca que a tecnologia atende à crescente demanda por soluções sustentáveis no agronegócio.
“A cafeicultura busca alternativas que aumentem a resiliência das plantas sem abrir mão da sustentabilidade. As algas marinhas contribuem para esse equilíbrio, auxiliando o produtor a produzir mais e melhor em um cenário de constantes mudanças”, ressalta.
Com a expectativa de expansão da produção nacional, especialistas avaliam que o investimento em tecnologias capazes de reduzir os impactos climáticos e melhorar o desempenho das lavouras será cada vez mais importante para garantir a competitividade e a rentabilidade do setor nos próximos anos.

