Redação Plenax – Flavia Andrade
Plano de Eduardo Riedel para 2027–2030 prevê ambiente digital único, identidade estadual, inteligência artificial, atendimento multicanal e expansão da conectividade
Resolver um serviço público pelo celular, sem deslocamento e com menos etapas, é uma das principais apostas da transformação digital em Mato Grosso do Sul. A próxima fase prevista no plano de governo de Eduardo Riedel (Progressistas), candidato à reeleição, pretende integrar serviços, ampliar o uso de inteligência artificial e dados e criar novos canais de atendimento. A proposta, porém, mantém um desafio paralelo: ampliar a digitalização sem transformar a falta de conexão ou familiaridade com a tecnologia em uma nova barreira para o cidadão.
Mato Grosso do Sul já avançou na digitalização dos serviços públicos e aparece na 10ª posição entre as 27 unidades da Federação no Índice de Oferta de Serviços Públicos Digitais de 2024. Na avaliação, o Estado também ficou em segundo lugar na dimensão de inclusividade e em terceiro em inovação na oferta de serviços digitais.
A infraestrutura também foi ampliada. A Infovia Digital prevê uma rede de aproximadamente 7 mil quilômetros de fibra óptica conectando os 79 municípios e integrando unidades públicas estaduais. O projeto também inclui pontos de wi-fi gratuito em locais públicos.
Próxima etapa é integrar serviços
No plano para 2027–2030, a proposta é avançar de uma estrutura com serviços digitalizados para um modelo em que diferentes órgãos e sistemas funcionem de maneira integrada.
Entre as medidas previstas estão um novo Plano de Transformação Digital, a digitalização integral dos principais serviços estaduais, a reunião de plataformas e atendimentos em um ambiente digital único e a criação de uma identidade digital estadual. O projeto também prevê a revisão e simplificação de processos administrativos, além da adoção de padrões comuns de usabilidade e acessibilidade.
A integração de sistemas aparece como um dos eixos dessa etapa. Em dezembro de 2025, o governo estadual já havia iniciado a estruturação da Rede Estadual de Transformação Digital, com ações voltadas à padronização de processos, interoperabilidade entre sistemas, segurança da informação e integração gradual de serviços ao Portal Único.
A inteligência artificial também está entre as ferramentas previstas para ampliar a prestação de serviços e automatizar processos. Em maio deste ano, Riedel discutiu com a Meta possibilidades de aplicação de IA, chatbots e outras soluções tecnológicas na gestão e no relacionamento com os cidadãos.
Atendimento digital, mas também presencial
A expansão tecnológica não significa, segundo a proposta, concentrar todo o atendimento em plataformas digitais.
O plano prevê ampliar mecanismos multicanais e de autoatendimento, garantir acessibilidade digital e acompanhar de forma sistemática a experiência e a satisfação dos usuários. A ideia é manter diferentes portas de entrada para os serviços públicos, especialmente para pessoas que tenham dificuldades de acesso à internet ou às ferramentas digitais.
Um exemplo dessa integração já adotada pelo Estado é a criação de agências que concentram serviços de diferentes órgãos. Em Campo Grande, uma unidade integrada passou a reunir atendimentos do Detran-MS e da Secretaria de Justiça e Segurança Pública, com previsão de expansão do modelo para outras localidades.
Conectividade entra como política de inclusão
Para que a digitalização alcance diferentes regiões, o plano também prevê ampliar a infraestrutura de conectividade e reduzir desigualdades de acesso.
A proposta inclui fortalecer redes de alta capacidade, estimular a expansão das telecomunicações em áreas estratégicas e associar conectividade a políticas públicas de educação, saúde, segurança e inovação.
A preocupação com a inclusão digital já aparece em políticas estaduais. Em junho de 2026, o governo anunciou uma parceria com o Google envolvendo inteligência artificial, educação digital, conectividade rural, modernização da gestão pública e inovação.
Dados para orientar decisões
Outra frente prevista para 2027–2030 é ampliar o uso de dados na administração pública. O plano propõe integrar e harmonizar bases estratégicas do governo, criar painéis de acompanhamento de indicadores e ampliar o uso de inteligência analítica na formulação de políticas públicas.
A intenção é fortalecer o Centro de Inteligência GOVMS e utilizar dados não apenas para acompanhar resultados, mas também para identificar tendências e antecipar demandas.
A proposta representa uma mudança que ocorre principalmente nos bastidores da administração pública. Para o cidadão, o resultado esperado seria a integração de informações e serviços que hoje podem estar distribuídos entre diferentes órgãos.
Tecnologia como meio, não como fim
A transformação digital já é uma política estruturada em Mato Grosso do Sul. Em 2024, o Estado instituiu a Estratégia de Governo Digital para orientar ações de modernização e eficiência da administração pública.
Para o período de 2027 a 2030, o plano de Riedel propõe ampliar essa estrutura com integração de sistemas, inteligência artificial, identidade digital, uso de dados e atendimento por diferentes canais.
O principal desafio será fazer com que a expansão tecnológica reduza, e não aumente, as barreiras de acesso aos serviços públicos. Para isso, a proposta combina digitalização com conectividade e manutenção de canais alternativos de atendimento.
A próxima etapa, portanto, não se resume a colocar mais serviços na internet. A aposta é transformar diferentes plataformas e órgãos em uma estrutura mais integrada, enquanto a infraestrutura de conexão avança para alcançar também quem ainda está fora do ambiente digital.

