Redação Plenax – Flavia Andrade
Operação Barattieri apura suposto pagamento de propina e entrega parcial de alimentos adquiridos com recursos da educação
O Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) prendeu quatro pessoas nesta operação Barattieri, que investiga um suposto esquema de desvio de recursos destinados à educação em Água Clara, a 192 quilômetros de Campo Grande. A apuração tem como foco contratos para aquisição de alimentos destinados à merenda escolar.
Entre os presos está um empresário apontado pelos investigadores como um dos principais envolvidos no esquema. Segundo o Gaeco, ele teria pago propina a servidores públicos para favorecer o aumento das ordens de compra emitidas pelo município.
Também foram presos a ex-secretária municipal de Educação e outros dois servidores. Além das prisões, foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão em endereços de Água Clara.
Produtos não eram totalmente entregues
De acordo com as investigações, parte dos produtos adquiridos com recursos públicos não teria sido efetivamente entregue ao município. A suspeita é de que os pagamentos eram realizados com base em documentos que atestavam a entrega dos alimentos, embora os produtos não fossem fornecidos integralmente.
O Gaeco também investiga a possível participação de servidores na validação das compras e na tramitação dos procedimentos administrativos.
O nome da operação faz referência à Divina Comédia, de Dante Alighieri. Na obra, os “Barattieri” são personagens associados à negociação de funções públicas em troca de vantagens indevidas. A denominação segue a linha da Operação Malebolge, que deu origem às investigações anteriores no município.
Operação Malebolge
A Operação Malebolge, deflagrada no início de 2025, investiga um suposto esquema de desvios de aproximadamente R$ 10 milhões em recursos da educação nos municípios de Água Clara e Rochedo.
Segundo as investigações, servidores teriam recebido propina para atestar o recebimento de produtos e serviços que não teriam sido executados ou entregues. A apuração também identificou suspeitas de emissão de documentos fiscais ideologicamente falsos e de procedimentos destinados a acelerar pagamentos a empresários.
As investigações tiveram origem, em parte, na análise de celulares apreendidos durante a Operação Turn Off, que apurou fraudes nas áreas da saúde e da educação, com movimentações estimadas em R$ 68 milhões.
Os fatos investigados ainda serão submetidos à análise da Justiça, e os citados têm direito à ampla defesa e ao contraditório.

