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Operação Antidotum aponta saques fracionados de R$ 5,5 milhões em investigação sobre Santa Casa

Foto: Divulgação

Redação Plenax – Flavia Andrade

Segundo o MPMS, valores eram retirados em espécie após pagamentos a empresas investigadas; estratégia teria dificultado o rastreamento do dinheiro

A investigação conduzida pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) e pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), no âmbito da Operação Antidotum, identificou um esquema de saques fracionados que teria movimentado R$ 5.557.010,98 em recursos relacionados à Santa Casa de Campo Grande e à operadora de saúde da instituição.

Segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), os valores eram retirados em dinheiro vivo por meio de sucessivos saques e transferências para pessoas apontadas como integrantes da engrenagem financeira investigada. A suspeita é de que a pulverização das operações tenha sido utilizada para dificultar o rastreamento dos recursos e evitar mecanismos de controle do sistema financeiro.

O relatório da investigação aponta que, em vez de uma retirada única, os valores eram divididos em diversas operações, dificultando a identificação do destino final do dinheiro.

Saques após pagamentos a empresas

De acordo com o MPMS, recursos deixavam as contas da Santa Casa e de sua operadora de saúde sob a justificativa de pagamentos por serviços prestados por empresas controladas pelo empresário Maurício Aparecido Benites, entre elas a Redvalue Tecnologia e a Ex Be Finance.

Ainda segundo a investigação, após os valores entrarem nas contas das empresas, parte do dinheiro era sacada diretamente em agências bancárias por funcionários, diretores e outras pessoas relacionadas ao esquema.

Um dos casos citados pelos investigadores envolve um funcionário de Maurício Benites que recebia salário de aproximadamente R$ 2,4 mil e teria realizado saques que somaram R$ 675.999,98 entre julho de 2024 e maio de 2025.

Operações abaixo de R$ 50 mil

A perícia bancária identificou saques recorrentes de R$ 49 mil ou R$ 49.999, segundo o relatório. Para o MPMS, o padrão das operações indica uma possível estratégia para dificultar a identificação automática das movimentações pelos mecanismos de controle financeiro.

Os investigadores também apontaram discrepâncias entre os valores movimentados e a capacidade econômica declarada por alguns dos envolvidos.

Em um dos casos, uma única pessoa teria sacado R$ 2.197.061, em valores recebidos tanto do empresário Maurício Benites quanto da empresa RedValue.

A investigação também identificou três servidores públicos entre os beneficiários dos saques: uma servidora estadual da Agência de Metrologia de Mato Grosso do Sul (Agems) e dois servidores municipais, um lotado na Planurb e outro na Secretaria de Administração.

Prisões e investigação

A Operação Antidotum resultou na prisão preventiva do então presidente da Santa Casa, Alir Terra Lima, além de Rinaldo Hakme Romano, diretor financeiro do hospital; Paulo Guilherme Guttierrez Mariosa, diretor financeiro adjunto; Alessandro Dias Junqueira, diretor administrativo; e Maurício Aparecido Benites, empresário.

Segundo o MPMS, as investigações apontam para a existência de contratos considerados fraudulentos envolvendo a Santa Casa e sua operadora de saúde, que teriam sido utilizados para viabilizar o desvio de recursos públicos destinados à área da saúde.

Ainda de acordo com o Ministério Público, a continuidade das movimentações financeiras e a suposta ocultação de documentos estão entre os elementos considerados nos pedidos de prisão preventiva e de busca e apreensão.

As acusações ainda são objeto de investigação e deverão ser submetidas à análise judicial.

Defesa contesta acusações

Após a audiência de custódia, a defesa de Alir Terra, representada pelo advogado Murilo Marques, contestou as acusações e informou que pretende pedir a revogação da prisão preventiva.

Em manifestação, o advogado afirmou que a ex-presidente da Santa Casa estaria indignada com as imputações e sustentou que ela não era responsável pela realização de pagamentos ou pela ordenação de despesas do hospital.

O espaço permanece aberto para manifestações dos demais citados na investigação.

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