Redação Plenax – Flavia Andrade
O avanço das chamadas cadeias curtas de comercialização tem ganhado força como alternativa para reduzir o desperdício de alimentos e ampliar a renda de pequenos produtores rurais no Brasil. O modelo aproxima agricultores e consumidores, diminui intermediários e permite maior aproveitamento da produção no campo.
Atualmente, o país desperdiça cerca de 30% de toda a comida produzida, volume estimado entre 46 e 55 milhões de toneladas por ano. As perdas geram impacto econômico superior a R$ 61 bilhões anuais e estão diretamente ligadas a problemas logísticos, transporte inadequado e deficiência na armazenagem.
Para especialistas, reduzir a distância entre o campo e a mesa é uma das principais estratégias para enfrentar esse cenário.
Segundo Maquiel Vidal Nardon, a comercialização direta fortalece tanto a economia regional quanto a segurança alimentar.
“Ao encurtar a distância entre a colheita e o consumidor, reduzimos desperdícios e garantimos alimentos mais frescos e com preço justo. O produtor ganha sustentabilidade financeira e a população também é beneficiada”, afirma.
A agricultura familiar representa atualmente 77% das propriedades rurais brasileiras, mas no modelo tradicional de comercialização os pequenos produtores ficam com apenas 20% a 30% do valor final dos produtos, devido à presença de atravessadores.
Nas cadeias curtas, esse cenário muda significativamente: o agricultor pode reter até 90% do valor da venda.
Programas públicos também vêm incentivando esse movimento, como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), que ampliam a compra de alimentos da agricultura familiar.
Perdas no transporte ainda preocupam
No sistema convencional de distribuição, especialistas estimam perdas de até 10% dos grãos e de 40% a 50% das frutas e hortaliças antes mesmo de chegarem aos supermercados.
A venda direta reduz o tempo de transporte, o manuseio excessivo e ainda permite o aproveitamento de alimentos fora do padrão estético exigido pelo varejo tradicional.
“No contato direto com o consumidor, o produtor consegue vender alimentos perfeitamente saudáveis que muitas vezes seriam descartados apenas pela aparência”, explica Maquiel.
A proximidade com os compradores também ajuda agricultores a planejarem melhor o plantio e evitarem superprodução.
Processamento mínimo cresce no país
Outra tendência apontada como oportunidade para pequenos agricultores é o chamado processamento mínimo, que inclui técnicas simples como lavar, cortar, descascar e embalar produtos in natura.
O segmento cresce cerca de 20% ao ano no Brasil e atende à demanda crescente por praticidade no consumo de alimentos frescos.
Além das mais de 900 feiras orgânicas espalhadas pelo país, grupos de consumo consciente e mercados locais também impulsionam esse modelo de comercialização.
De acordo com levantamento da consultoria McKinsey & Company, 69% dos brasileiros priorizam equilíbrio entre qualidade e preço nas compras, enquanto 36% demonstram interesse em apoiar produtores e marcas locais.
Para a especialista da UNIASSELVI, o consumidor também exerce papel decisivo nesse processo.
“Quando prioriza feiras locais, respeita a sazonalidade dos alimentos e busca produtos regionais, o consumidor fortalece a economia local e contribui diretamente para reduzir desperdícios”, conclui.

