Redação Plenax – Flavia Andrade
Falsas mensagens sobre título eleitoral, cobranças e doações de campanha exploram medo e urgência para roubar dados e desviar dinheiro
Com a digitalização de serviços relacionados às eleições, criminosos também ampliam as estratégias de engenharia social para tentar enganar eleitores. Mensagens sobre supostas irregularidades no título, cobranças de multas e pedidos de doações de campanha podem ser usadas para induzir vítimas a clicar em links falsos, fornecer informações pessoais ou realizar pagamentos.
Para Vinicius Ferreira, CEO da T2Sec, empresa especializada em segurança da informação e resposta a incidentes cibernéticos, três modalidades exigem atenção especial: golpes envolvendo o título eleitoral, boletos falsos e falsas doações de campanha.
“O maior risco hoje não é um hacker invadir a urna eletrônica. É você, eleitor, clicando em um link falso dentro do seu próprio celular. Um clique pode entregar seus dados, seu dinheiro e sua credibilidade política. Democracia digital exige desconfiança legítima”, alerta.
- Falso título eleitoral usa medo para roubar dados
Uma das estratégias consiste no envio de e-mails, SMS ou mensagens pelo WhatsApp com falsas notificações sobre irregularidades no título de eleitor, supostas convocações da Justiça Eleitoral ou necessidade de atualização cadastral.
Ao clicar no link, a vítima pode ser direcionada a uma página que imita um serviço oficial e induz ao preenchimento de dados pessoais, documentos ou senhas.
“A vítima clica no link, preenche um formulário falso e, sem perceber, entrega a chave para fraudes financeiras e roubo de identidade. A Justiça Eleitoral não envia boletos nem solicita dados sensíveis por mensagens não oficiais. Todo procedimento deve ser feito exclusivamente no site do TSE ou nos aplicativos oficiais”, afirma Ferreira.
A recomendação é não utilizar links recebidos por mensagens para consultar ou regularizar a situação eleitoral. Em caso de dúvida, o eleitor deve acessar diretamente os canais oficiais.
- Boletos falsos transformam supostas multas em prejuízo
Outro golpe explora o receio de eleitores em relação a possíveis pendências com a Justiça Eleitoral. Mensagens podem apresentar cobranças com nomes como “Multa por não comparecimento às urnas”, “Taxa de regularização eleitoral” ou “Guia para emissão de segunda via do título”.
Os criminosos podem utilizar códigos de barras adulterados ou QR Codes que direcionam pagamentos para contas controladas por terceiros.
“Nenhuma multa ou taxa eleitoral é cobrada por boleto enviado de forma avulsa por e-mail ou mensagem. Eventuais pendências são resolvidas presencialmente nos cartórios ou no sistema oficial do TSE, com guias emitidas dentro do ambiente seguro. Se chegou um boleto na sua caixa de entrada, desconfie”, orienta o executivo.
Diante de uma cobrança inesperada, a orientação é não realizar o pagamento a partir do link, código ou QR Code recebido. O ideal é verificar diretamente a existência da pendência nos canais oficiais da Justiça Eleitoral.
- Falsas doações exploram o engajamento político
A arrecadação de recursos por meios digitais também pode ser utilizada por criminosos para aplicar golpes. Sites, perfis e páginas falsas podem reproduzir nomes, imagens e identidades visuais de candidatos ou partidos para solicitar transferências ou doações.
Segundo Ferreira, além do prejuízo financeiro individual, esse tipo de fraude pode comprometer a credibilidade das campanhas e gerar desconfiança entre eleitores.
“O prejuízo não é apenas financeiro. Esse golpe desvia recursos legítimos de campanhas reais e gera descrédito no sistema eleitoral como um todo. Sempre verifique os canais oficiais de arrecadação divulgados pelos próprios candidatos ou partidos”, afirma.
A recomendação é confirmar a autenticidade do canal de arrecadação antes de qualquer transferência e evitar pagamentos a partir de links recebidos por mensagens ou perfis não verificados.
Comportamento ainda é uma das principais barreiras
Para a T2Sec, não existe tecnologia capaz de eliminar completamente os riscos associados à engenharia social. Por isso, o comportamento do usuário continua sendo uma das principais barreiras contra esse tipo de fraude.
Mensagens alarmistas, pedidos urgentes, ofertas inesperadas e solicitações de dados pessoais devem ser tratados com desconfiança. Também é importante evitar o compartilhamento de documentos, fotografias, senhas e informações bancárias em páginas cuja autenticidade não tenha sido confirmada.
Outro cuidado é não confiar automaticamente em uma mensagem apenas porque ela foi encaminhada por alguém conhecido. Contas podem ser comprometidas e utilizadas para distribuir links maliciosos.
“Em época de eleições, defender seus dados é também defender a democracia. Compartilhe esse conhecimento. Um eleitor informado é um eleitor protegido”, conclui Vinicius Ferreira.

