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Transporte e dietas modernas desafiam desempenho de bovinos em confinamento, aponta especialista

Foto: Divulgação

Redação Plenax – Flavia Andrade

O avanço dos sistemas intensivos de produção no Brasil tem elevado a eficiência da pecuária de corte, mas também ampliado os desafios relacionados à saúde e ao desempenho dos animais confinados. Entre os principais fatores de impacto estão o transporte de longa distância e o uso de dietas cada vez mais energéticas, realidade comum nos confinamentos brasileiros.

De acordo com Victor Fonseca, coordenador técnico de bovinos de corte da MCassab Nutrição Animal, o estresse provocado pelo deslocamento dos animais compromete diretamente os resultados produtivos logo na entrada do confinamento.

“Os efeitos já aparecem na chegada. O transporte, aliado à restrição hídrica e alimentar durante o trajeto, especialmente em viagens longas, reduz o peso de entrada, afeta o ganho de peso diário e piora a eficiência alimentar dos bovinos”, explica o especialista.

O cenário é ainda mais relevante diante da dimensão logística brasileira. Segundo dados do governo federal, o país possui cerca de 1,7 milhão de quilômetros de malha rodoviária, o que faz com que o transporte de bovinos seja uma etapa inevitável da cadeia produtiva.

Estudos conduzidos nos últimos anos reforçam os impactos fisiológicos do estresse no confinamento. Em pesquisa realizada em 2012, o pesquisador Rodrigo Marques identificou que bovinos submetidos a 24 horas de transporte ou restrição hídrica e alimentar apresentaram menor ganho de peso e pior eficiência alimentar, além de aumento nos níveis de cortisol e haptoglobina, marcadores ligados ao estresse e à inflamação.

Resultados semelhantes também foram observados em trabalhos conduzidos por Reinaldo Cooke, em 2013, ao avaliar bovinos transportados por longas distâncias antes da entrada em confinamentos.

Além do transporte, outro fator que influencia diretamente o desempenho animal é a modernização das dietas utilizadas nos sistemas intensivos. Os confinamentos brasileiros vêm adotando formulações com maior inclusão de concentrados e amido, especialmente à base de milho, visando acelerar os ganhos produtivos.

Embora essas dietas aumentem a eficiência da terminação, também provocam alterações metabólicas importantes. Pesquisa publicada em 2022 por Osvaldo Sousa demonstrou que bovinos alimentados com dietas altamente concentradas apresentaram redução gradual no ganho de peso diário e na eficiência alimentar ao longo do confinamento. O estudo também identificou aumento da resistência à insulina e associação com marcadores inflamatórios.

Diante desse cenário, tecnologias nutricionais têm ganhado espaço como ferramentas estratégicas para minimizar os efeitos negativos do confinamento intensivo.

Segundo Victor Fonseca, o uso de leveduras vivas e seus derivados tem apresentado resultados positivos na redução de processos inflamatórios e na melhora do desempenho dos animais.

“Essas tecnologias ajudam a estabilizar o ambiente ruminal e a melhorar o consumo de matéria seca, contribuindo para maior desempenho e menor impacto fisiológico”, destaca.

Pesquisas recentes reforçam essa estratégia. Em 2021, Luca Cattaneo observou redução dos níveis de haptoglobina e aumento no consumo de matéria seca em vacas suplementadas durante o período de transição. Já Daniel Finck, em estudo publicado em 2014, registrou melhora no consumo alimentar e redução da resposta inflamatória em bovinos durante a fase de recepção em confinamento.

Outra alternativa utilizada no manejo nutricional é a suplementação com cromo. O micromineral atua potencializando a ação da insulina em tecidos sensíveis ao hormônio, favorecendo o metabolismo energético dos animais submetidos a dietas altamente concentradas.

Trabalhos desenvolvidos entre 2014 e 2019 pelos pesquisadores Tiago Leiva e Ashley Budde apontaram benefícios da suplementação de cromo na redução da resistência à insulina, além de ganhos em desempenho e peso de carcaça de bovinos de corte.

Para o especialista da MCassab, a nutrição passou a ocupar papel central na sustentabilidade e produtividade dos confinamentos modernos.

“A adoção de tecnologias nutricionais adequadas oferece ferramentas fundamentais para enfrentar os desafios dos sistemas intensivos atuais, promovendo ganhos de produtividade, desempenho e saúde animal”, conclui Fonseca.

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