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Setembro Amarelo alerta para sinais de ansiedade e burnout que podem passar despercebidos

Foto: Divulgação

Redação Plenax – Flavia Andrade

Campanha de prevenção ao suicídio amplia debate sobre saúde mental e reforça a importância de reconhecer mudanças persistentes no comportamento e buscar ajuda

O Setembro Amarelo, campanha de conscientização e prevenção do suicídio, também abre espaço para ampliar o debate sobre saúde mental e a importância de reconhecer sinais de sofrimento emocional. Em uma rotina marcada por cobranças, excesso de estímulos e pressão por produtividade, sintomas de ansiedade e sinais de esgotamento podem ser incorporados ao cotidiano e acabar sendo tratados como algo normal.

Para o médico Marcelo Godoi Cavalheiro, CRM 87147/SP, perceber quando essas alterações começam a interferir na vida diária é um passo importante para buscar orientação.

“Quando sintomas emocionais começam a interferir no sono, nos relacionamentos, na rotina ou no desempenho profissional, é importante não considerar esse sofrimento apenas como uma fase. A avaliação de um profissional pode ajudar a identificar o que está acontecendo e indicar o cuidado mais adequado”, explica.

Ansiedade pode apresentar sintomas físicos

A ansiedade não se manifesta apenas por meio da preocupação. Pensamentos repetitivos, dificuldade para relaxar, alterações no sono, irritabilidade, tensão muscular e cansaço frequente estão entre os sinais que podem aparecer.

Também podem ocorrer manifestações físicas, como taquicardia, sudorese, desconforto abdominal e falta de ar.

A presença isolada de alguns desses sintomas, no entanto, não significa necessariamente que a pessoa tenha um transtorno de ansiedade. A intensidade, a duração e a combinação dos sinais variam e precisam ser avaliadas por um profissional de saúde.

Burnout está relacionado ao trabalho

Já a síndrome de burnout está associada ao estresse crônico relacionado ao ambiente de trabalho. O quadro pode provocar exaustão física e mental, dificuldade de concentração, redução do desempenho, distanciamento emocional, alterações de humor e sensação de incapacidade.

Ansiedade e burnout também podem ocorrer simultaneamente, o que pode dificultar a percepção sobre a origem dos sintomas. Enquanto a ansiedade pode afetar diferentes áreas da vida e envolver preocupação e estado de alerta persistentes, o burnout está diretamente relacionado ao contexto ocupacional.

Por esse motivo, a avaliação profissional é importante para diferenciar as condições, identificar possíveis fatores associados e definir a abordagem mais adequada.

Quando é hora de procurar ajuda

Mudanças persistentes no comportamento, no sono, no humor ou na capacidade de realizar atividades do cotidiano merecem atenção. Esperar que o sofrimento desapareça sozinho pode prolongar o problema e adiar o acesso ao cuidado necessário.

O acompanhamento pode envolver profissionais como psicólogos e psiquiatras, de acordo com as necessidades identificadas em cada caso. A psicoterapia, por exemplo, pode auxiliar na compreensão das emoções e no desenvolvimento de estratégias para lidar com situações que provocam sofrimento.

O atendimento online também ampliou as possibilidades de acesso aos profissionais de saúde. Por meio de consultas por videochamada, pacientes podem receber atendimento sem precisar se deslocar até um consultório, alternativa que pode ser útil para pessoas com dificuldades de acesso ou rotinas que dificultam o acompanhamento presencial.

A PicDoc disponibiliza consultas online com psicólogos, psiquiatras, médicos de família e neurologistas. O atendimento é realizado por videochamada e permite que o paciente relate suas queixas e receba orientação profissional.

Hábitos também fazem parte do cuidado

Medidas adotadas no dia a dia podem contribuir para o cuidado com a saúde mental, embora não substituam o acompanhamento profissional quando ele é necessário.

Manter uma rotina de sono, praticar atividade física, reduzir o excesso de telas, estabelecer limites para as atividades e reservar períodos de descanso são algumas estratégias que podem favorecer uma rotina mais equilibrada.

Manter vínculos sociais e conversar com pessoas de confiança diante de períodos difíceis também pode ajudar a reduzir o isolamento e facilitar a busca por apoio.

“Cuidar da saúde mental não deve ser uma atitude tomada apenas quando o sofrimento chega ao limite. Perceber mudanças e procurar ajuda precocemente é uma forma de cuidado”, reforça Marcelo Godoi Cavalheiro.

A proposta do Setembro Amarelo é justamente ampliar a conscientização sobre a prevenção do suicídio e estimular o diálogo sobre saúde mental. Falar sobre sofrimento, ouvir sem julgamentos e buscar ajuda profissional são atitudes importantes, especialmente diante de mudanças persistentes ou de situações de sofrimento intenso.

Em casos de risco imediato à própria vida, a orientação é procurar um serviço de emergência ou atendimento especializado em saúde mental o quanto antes.

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